{"id":6291,"date":"2022-07-03T17:18:10","date_gmt":"2022-07-03T20:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/libertad-de-expresion-es-la-verdad-amable\/"},"modified":"2024-12-16T16:23:49","modified_gmt":"2024-12-16T19:23:49","slug":"liberdade-de-expressao-a-verdade-e-amavel","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/liberdade-de-expressao-a-verdade-e-amavel\/","title":{"rendered":"Liberdade de express\u00e3o \u00bfA verdade \u00e9 am\u00e1vel?"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-video fusion-youtube\" style=\"--awb-max-width:800px;--awb-max-height:450px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:56.25%;\" ><iframe title=\"YouTube video player 1\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ErmG-VP19Qk?wmode=transparent&autoplay=0\" width=\"800\" height=\"450\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\"><\/iframe><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:20px;margin-bottom:20px;width:100%;\"><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-1\" style=\"--awb-text-transform:none;\"><p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o \u00e0 Viviana Berger por ter me convidado a falar hoje e, tamb\u00e9m, \u00e0 Fapol pelo seu acolhimento. \u00c9 um acolhimento cordial, amistoso, que conta muito com o v\u00ednculo social anal\u00edtico, mas tamb\u00e9m \u00e9 um acolhimento intelectual, um acolhimento para o trabalho propriamente dito: temos todos os textos, que circularam h\u00e1 muito tempo, que me foram enviados e que prepararam o trabalho de hoje. Apreciei muito isso. Lendo esses informes, temos a dimens\u00e3o do quanto a \u00a0quest\u00e3o proposta sobre a liberdade de express\u00e3o nos interessa, n\u00e3o do ponto de vista sociol\u00f3gico, mas do ponto de vista da psican\u00e1lise. \u00c9 uma exig\u00eancia que teremos de manter, caso n\u00e3o queiramos nos contentar em discursar no c\u00e9u das ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Observat\u00f3rios, se entendi bem sua fun\u00e7\u00e3o, sua miss\u00e3o, tentam responder \u00e0 quest\u00e3o: em que contexto os sujeitos demandam uma an\u00e1lise hoje? A quest\u00e3o deve ser, seriamente proposta caso a psican\u00e1lise queira fazer uma oferta que esteja \u00e0 altura da civiliza\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 em jogo implica a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o, pois se trata do impacto do discurso anal\u00edtico no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contexto da liberdade de express\u00e3o hoje em d\u00eda, revela um paradoxo interessante. Com efeito, funcionando como um princ\u00edpio nos Estados de direito, os juristas est\u00e3o de acordo em afirmar que nossa \u00e9poca \u00e9 in\u00e9dita: a afirma\u00e7\u00e3o segundo a qual os sujeitos s\u00e3o livres e iguais em direito, como homens, como pertencentes \u00e0 comunidade do g\u00eanero humano, transforma-se, atualmente, em uma exalta\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as para reivindicar uma diferen\u00e7a de identidade, assim que um peda\u00e7o de cor \u00e9 transformado em ser, a cor, a sexua\u00e7\u00e3o, a ra\u00e7a. A tal ponto que, se um sujeito se sente ofendido nessa identidade, pode denunciar a ferida, \u201cferida a convic\u00e7\u00f5es \u00edntimas\u201d. Toda palavra, nesse contexto, \u00e9 potencialmente blasf\u00eamia, justamente como indica Eve Miller Rose na interven\u00e7\u00e3o da \u201cGrande Conversa\u00e7\u00e3o da Escola Una\u201d (2022). A quest\u00e3o se estende para todo o \u00e2mbito da sexua\u00e7\u00e3o, que aqui foi abordado atrav\u00e9s da quest\u00e3o <em>trans.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O corpo no comando<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos: qual \u00e9 a mudan\u00e7a radical que nossa civiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 experimentando? \u00c9 o corpo que toma o comando. O menor tra\u00e7o que se possa ler no corpo, transforma-se em identidade, endurecendo-se; o menor plus-de-gozo tende a se transformar em comunidade. E a lei corre atr\u00e1s do corpo para tentar legislar, a cada vez que uma nova reivindica\u00e7\u00e3o aparece nele. Mas, de que corpo se trata? \u00c9 um corpo separado da palavra: o caso do autismo \u00e9 exemplar aqui. Predom\u00ednio do corpo, desaparecimento da dimens\u00e3o ps\u00edquica. \u00c9 o corpo que fala, um corpo em pe\u00e7as soltas que s\u00e3o escutadas sem a media\u00e7\u00e3o da palavra. O mist\u00e9rio do corpo falante \u00e9 outra coisa: o corpo \u00e9 um enigma para o sujeito mesmo, um lugar de opacidade, de questionamento. A tal ponto que Lacan o converte na estrutura mesma da neurose: uma quest\u00e3o situada pelo sujeito a n\u00edvel de sua exist\u00eancia mesma: \u201co que quer dizer ter um sexo\u201d? (LACAN, 1956-1957). E, ent\u00e3o, o saber misterioso do corpo falante desaparece da ideologia dominante. \u00c9 um corpo paradoxalmente reduzido ao sil\u00eancio. Esse \u00e9, inclusive, o segredo da autodetermina\u00e7\u00e3o e de seu triunfo: o \u201csei o que sou, sei o que quero\u201d; \u00e9 um saber no qual o corpo est\u00e1 no comando, sem a media\u00e7\u00e3o do desejo do Outro. A quest\u00e3o toca em particular no \u00e2mbito da inf\u00e2ncia, j\u00e1 que tendemos a fazer da crian\u00e7a um cidad\u00e3o sem media\u00e7\u00e3o parental: o tempo da inf\u00e2ncia, com os balbucios da sexualidade, tende a ser apagado, \u201co insuport\u00e1vel da inf\u00e2ncia\u201d, silenciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, atrav\u00e9s do testemunho dos observadores, podemos tomar a medida que, correlativamente, a fun\u00e7\u00e3o da palavra est\u00e1 afetada, escotomizada. \u00c9 uma palavra na qual o dito est\u00e1 tomado ao p\u00e9 da letra, sem incluir a dimens\u00e3o do inconsciente: o sujeito se equivale estritamente ao que diz, enquanto que a psican\u00e1lise ensina que o sujeito sempre diz mais do que sabe. Quando fala, trai a si mesmo: nas falhas de sua palavra, que n\u00e3o domina, h\u00e1 um mais al\u00e9m do que diz. \u00c9 a\u00ed que a interpreta\u00e7\u00e3o encontra logicamente seu lugar. Hoje, a margem da interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 assegurada, j\u00e1 que o dito se reduz ao dito. As normas plurais est\u00e3o ocupando o lugar da interpreta\u00e7\u00e3o. Por isso, a quest\u00e3o da verdade n\u00e3o se mant\u00e9m, salvo como uma verdade falsa, tautol\u00f3gica. <em>Fake<\/em>. Sabemos qual \u00e9 o lugar do <em>fake<\/em> em nosso mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que o tema da liberdade de express\u00e3o se situa em um contexto in\u00e9dito, no qual a quest\u00e3o da verdade tem um interesse especial. N\u00f3s mesmos, psicanalistas, temos que recordar essa dimens\u00e3o que Lacan sustentou no decorrer de seu ensino, inclusive em em seu \u00faltimo momento, no qual avan\u00e7a sobre a verdade mentirosa. Mant\u00e9m a quest\u00e3o do verdadeiro e o falso do <em>fake<\/em>. \u00c9 importante n\u00e3o perder de vista que a an\u00e1lise \u00e9 uma experi\u00eancia da verdade, o sujeito deve voltar sobre o dito, sobre o que h\u00e1 de mentira no que diz. O tratamento \u00e9 uma experi\u00eancia na qual se toma posi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 mentira; verdade e mentira n\u00e3o s\u00e3o equivalentes. Que a verdade seja mentirosa n\u00e3o impede de esperar da an\u00e1lise uma rela\u00e7\u00e3o direta com a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A mensagem freudiana: aletheia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa maneira, a mensagem freudiana deu um passo na civiliza\u00e7\u00e3o. No sentido de que a liberdade de express\u00e3o se tornasse um bem absoluto. Falar libertaria. A \u201cdoxa\u201d reteve a ideia de uma catarse freudiana: se liberam fic\u00e7\u00f5es \u00edntimas que seriam prejudiciais e tanto mais ativas por serem desconhecidas. Essa \u00e9 uma vers\u00e3o da psican\u00e1lise sem fundamento, que Freud mesmo abandonou, j\u00e1 que ocultava a dimens\u00e3o da transfer\u00eancia: a quem se fala? O sujeito n\u00e3o \u00e9 o autor do que diz, \u00e9 do Outro da transfer\u00eancia que recebe sua mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que h\u00e1 na cura uma no\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00e3o (<em>aletheia<\/em>): a psican\u00e1lise \u00e9 uma experi\u00eancia de verdade sob transfer\u00eancia, \u00e9 o sentido da associa\u00e7\u00e3o livre, mais al\u00e9m dos dos julgamentos do eu, da consci\u00eancia tranquila: trata-se de contrariar o \u201cn\u00e3o quero saber nada\u201d. Favorecer o descongelamento da palavra mais que o sil\u00eancio ou a mentira. O sujeito que consente \u00e0 deriva do inconsciente precisa voltar sobre aquilo que disse. Uma palavra que instaura uma rela\u00e7\u00e3o com a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, o amor freudiano da verdade tem um limite essencial: dizer \u201ctoda verdade\u201d n\u00e3o \u00e9 o melhor a dizer. Trata-se de recordar isso na interpreta\u00e7\u00e3o: essa n\u00e3o equivale, de nenhuma maneira, a escancarar ao sujeito sua verdade crua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O despertar que est\u00e1 em jogo na experi\u00eancia da palavra, na an\u00e1lise, revela efetivamente, um real que est\u00e1 muito longe de ser pacificador e com o qual o sujeito tem que contar. O ponto que se toca \u00e9 o de uma verdade mortal e, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 promessa de nenhuma reconcilia\u00e7\u00e3o harmoniosa, nem de nenhum bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade, como ponto de horror para um sujeito fica totalmente esquecida nos chamados \u00e0 liberdade de dizer tudo e de dizer toda a verdade. Promove-se uma verdade inteiramente jur\u00eddica e se esquece que a verdade subjetiva n\u00e3o \u00e9 nem am\u00e1vel nem desej\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Da verdade como coisa \u00e0 verdade como lugar<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria de destacar aqui a subvers\u00e3o que Lacan realiza quanto \u00e0 verdade. Qual \u00e9 o destino radical que Lacan lhe reserva? Esse destino radical que Lacan reserva \u00e0 quest\u00e3o da verdade \u00e9 o de n\u00e3o situ\u00e1-la no registro do pensamento ou do conhecimento, mas de situ\u00e1-la como <strong>coisa<\/strong>. A verdade pertence ao registro da coisa que fala. \u201cEu, a verdade, falo\u201d (LACAN,1955, p.410). Em outras palavras, como dizer isso? \u00a0A verdade n\u00e3o passa mais pelo pensamento, mas pelas coisas, diz Lacan em \u201cA Coisa freudiana\u201d, comunica, por meio de <em>r\u00e9bus,<\/em> como o sonho. O <em>r\u00e9bus<\/em> como <strong>coisa <\/strong>\u00e9 o signo de um dizer verdadeiro, aut\u00eantico, porque a verdade, da qual se trata, n\u00e3o \u00e9 boa de dizer, e necessita travestir-se. \u201cNossos atos falhos s\u00e3o atos que triunfam, nossas palavras que trope\u00e7am s\u00e3o palavras que confessam. Uns e outros revelam <strong>uma verdade por detr\u00e1s<\/strong>\u201d (LACAN, 1953-1954, p.302). No sintoma, nas imagens do sonho, manifesta-se uma palavra que traz uma verdade detr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Insistamos: se colocarmos, com Lacan, a quest\u00e3o geral, como ele o faz: Quem fala? Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o sujeito, mas a verdade. \u201cA <strong>coisa<\/strong> fala por si mesma\u201d. J\u00e1 que o sujeito diz mais do que sabe dizer. N\u00e3o se pode obrig\u00e1-lo a dizer toda a verdade. \u00c9 uma verdade que n\u00e3o diz, necessariamente, toda a verdade, mas o que a faz verdade, \u00e9 que fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan complexifica essa forma de abordar a verdade situando-a como lugar: passa da verdade como coisa \u00e0 verdade como lugar: o lugar da verdade, como uma verdade escondida. Situando-a como lugar exterior ao discurso, pode-se entender que n\u00e3o pode englobar tudo, n\u00e3o pode ser toda e, at\u00e9 mesmo, pode estar, simplesmente, ausente. S\u00f3 pode ser meio-dita, ser lida nas entrelinhas, fica velada porque toca o real. \u00c9 uma consequ\u00eancia de sua conex\u00e3o com o real. Quando se quer mostra-la toda, \u00e9 um monstro que aparece, \u00e9 uma torrente de \u00f3dio que lhe segue, na prolifera\u00e7\u00e3o do fake. Cuidar do lugar da verdade \u00e9 essencial para n\u00e3o satur\u00e1-lo, para deixar livre o lugar da verdade, segundo a feliz f\u00f3rmula de \u00c9ric Laurent, deixar livre o lugar mais al\u00e9m do que se diz, de \u201cuma verdade por detr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Da verdade ao saber<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um limite, ent\u00e3o, para uma verdade toda: \u00e9 o real. Mas, essa conex\u00e3o com o real s\u00f3 adquire seu alcance na an\u00e1lise atrav\u00e9s do saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partamos de uma resson\u00e2ncia cl\u00ednica: podemos encontrar, na an\u00e1lise, alguns momentos de apari\u00e7\u00e3o da verdade, no que diz respeito a um sonho, que n\u00e3o t\u00eam verdadeiro efeito em n\u00f3s, apenas se percebem as suas consequ\u00eancias quando passam ao saber, mais al\u00e9m de uma simples revela\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a entre uma verdade que produz efeitos de al\u00edvio, mas de curta dura\u00e7\u00e3o, e um progresso do saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O saber posto em quest\u00e3o em uma an\u00e1lise \u00e9 aquele que se deposita no tratamento como um modo de gozo, atrav\u00e9s de seu aparelho fundamental: o <em>sinthome<\/em>. Trata-se de um saber distinto do universal, um saber que vale apenas para UM, pois \u00e9 no corpo pr\u00f3prio que \u00a0pode ser apreendido, atrav\u00e9s da an\u00e1lise. Esse gozo se apreende em sua condi\u00e7\u00e3o de indiz\u00edvel, sem forma, nem raz\u00e3o. Sem compara\u00e7\u00e3o com os ideais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente para a psican\u00e1lise, que os partid\u00e1rios de todos os recha\u00e7os ou desmentidos do inconsciente o saibam ou n\u00e3o, somente por falar se experimenta um limite: o de poder dizer a verdade sobre a verdade. Esse limite se sustenta de um \u00fanico encontro com uma experi\u00eancia de gozo, que deixa uma marca indel\u00e9vel, \u00e0 qual Lacan chama \u201cfarpa na carne\u201d (LACAN, 1958, p.768). Jacques-Alain Miller (2021) citou essa express\u00e3o em sua apresenta\u00e7\u00e3o de <em>Lacan Redivivus<\/em>, na livraria Mollat: essa espinha volta a nos lembrar sua presen\u00e7a, manifestando-se de uma maneira, mais ou menos, dolorosa. Em uma an\u00e1lise, aprende-se a servir-se dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Christiane Alberti<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Daniela Nunes Araujo<br \/>\nRevis\u00e3o: K\u00e9sia Ramos<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 4:\u00a0 <em>A rela\u00e7\u00e3o de objeto(<\/em>1956-1957) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. A coisa freudiana ou Sentido do retorno a Freud em Psican\u00e1lise (1955). In\u00a0 <em>Escritos<\/em>. Jorge Zahar Editor Ltda: Rio de Janeiro. 1998. (p. 402-437)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. <em>O<\/em> <em>semin\u00e1rio<\/em>, livro 1 : <em>Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>.(1953-1954) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993. p. 302.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAURENT, \u00c9. Parler et dire le faux sur le vrai.In:<em> Quarto<\/em>, n. 128. p.68.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. Juventude de Gide ou a letra e o desejo (1958). In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p, 749-775<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Christiane Alberti<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5277,"menu_order":4,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[90],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6291","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-inicio-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6291"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6330,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6291\/revisions\/6330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6291"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6291"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}