{"id":6344,"date":"2021-12-16T22:04:32","date_gmt":"2021-12-17T01:04:32","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/conversacion-con-miquel-bassols-en-torno-del-libro-la-diferencia-sexual-no-existe-en-el-inconsciente\/"},"modified":"2024-12-16T16:38:09","modified_gmt":"2024-12-16T19:38:09","slug":"conversacao-com-miquel-bassols-em-torno-do-livro-la-diferencia-sexual-no-existe-en-el-inconsciente","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/conversacao-com-miquel-bassols-em-torno-do-livro-la-diferencia-sexual-no-existe-en-el-inconsciente\/","title":{"rendered":"Conversa\u00e7\u00e3o com Miquel Bassols em torno do livro \u2018\u2019La diferencia sexual no existe en el inconsciente\u201d."},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cLa diferencia sexual no existe en el inconsciente real,<br \/>\nen el registro del inconsciente tal como J-A. Miller lo<br \/>\nha abordado en la \u00faltima ense\u00f1anza de Lacan. (\u2026) Es<br \/>\ncon la \u00faltima ense\u00f1anza de Lacan que podemos entrar hoy<br \/>\nen una conversaci\u00f3n con los discursos de g\u00e9nero y<br \/>\ncon lo sujeto contempor\u00e1neo\u201d. (Miquel Bassols)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os \u00faltimos dois anos, no Observat\u00f3rio de G\u00eanero, Biopol\u00edtica e Transexualidade da EBP, desenvolvemos um programa de trabalho e estudo sobre o tema geral: <em>Sexua\u00e7\u00e3o, Identifica\u00e7\u00e3o, Nomea\u00e7\u00e3o: solu\u00e7\u00f5es para o real do sexo<\/em>. Em v\u00e1rias das nossas reuni\u00f5es pudemos contar com a presen\u00e7a de colegas da Escola e convidados de outras \u00e1reas do conhecimento que nos agregaram informa\u00e7\u00f5es e novas quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 26 de Novembro de 2021, tivemos o privil\u00e9gio de contar com a presen\u00e7a de Miquel Bassols em uma conversa\u00e7\u00e3o sobre seu livro &#8220;<em> La diferencia de los sexos no existe en el inconsciente <\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da conversa\u00e7\u00e3o, Miquel Bassols respondeu a quatro perguntas elaboradas previamente pelos respons\u00e1veis pelo Observat\u00f3rio. Na segunda parte, contamos com as interven\u00e7\u00f5es de integrantes dos tr\u00eas Observat\u00f3rios e de alguns colegas que t\u00eam acompanhado de perto nosso trabalho, entre eles, Fabi\u00e1n Fanjwaks e Domenico Cosenza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa\u00e7\u00e3o foi muito interessante, com importantes pontua\u00e7\u00f5es e esclarecimentos de Bassols acerca\u00a0 do estatuto da diferen\u00e7a sexual no inconsciente, da diferen\u00e7a entre \u201cfeminino\u201d e \u201cfeminilidade\u201d, da posi\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise frente aos discursos de g\u00eanero e ao sujeito contempor\u00e2neo, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v\u00eddeo completo dessa Conversa\u00e7\u00e3o pode ser acessado em:<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"fusion-video fusion-youtube\" style=\"--awb-max-width:600px;--awb-max-height:360px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:60%;\" ><iframe title=\"YouTube video player 1\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gBZ0KG_Ea0I?wmode=transparent&autoplay=0\" width=\"600\" height=\"360\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\"><\/iframe><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, o texto das quatro perguntas endere\u00e7adas a Miquel Bassols:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>QUEST\u00c3O 01<\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, temos uma figura bastante emblem\u00e1tica no que diz respeito a subvers\u00e3o de teorias e classifica\u00e7\u00f5es dos manuais psiqui\u00e1tricos contempor\u00e2neos: a travesti. Identificada ao universo da feminilidade, ela se recusa a se autodeclarar como mulher e, nem sempre, recorre aos procedimentos cir\u00fargicos de redesigna\u00e7\u00e3o sexual. Popularmente, ela \u00e9 associada ao exagero, \u00e0 farsa, \u00e0 criminalidade, \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o e ao HIV-AIDS. Para al\u00e9m de qualquer descri\u00e7\u00e3o, \u201ctravesti\u201d \u00e9 uma categoria pol\u00edtica acionada em certos contextos para afirmar a exist\u00eancia de corpos que n\u00e3o encontram lugar no discurso da ci\u00eancia que fundou o ideal &#8220;higienizado&#8221; de transexualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vulnerabilidade dessas pessoas \u00e9 comprovada atrav\u00e9s de dados que mostram que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata travestis em n\u00fameros absolutos. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 o pa\u00eds que lidera o consumo de material pornogr\u00e1fico envolvendo esses corpos. A presen\u00e7a do p\u00eanis \u00e9 justificada por muitas delas como algo importante para o mercado do sexo. De fato, dados mostram que muitos homens, habitualmente casados com mulheres, as procuram para serem penetrados. Fato \u00e9 que s\u00e3o justamente esses homens que as apedrejam nas ruas e as matam com requintes de crueldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como explicar esse fen\u00f4meno? Como pensar, a partir da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, o fasc\u00ednio e o \u00f3dio mobilizados por esses corpos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>QUEST\u00c3O 02<\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O feminino: entre a recusa e a defesa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea fala de \u201ddesautoriza\u00e7\u00e3o do feminino\u201d como uma tradu\u00e7\u00e3o alternativa ao que foi traduzido do alem\u00e3o no texto de Freud &#8220;An\u00e1lise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel\u201d como recusa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos interessados em levantar esta quest\u00e3o porque, face \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de casos de indiv\u00edduos trans dentro e fora das atividades do Observat\u00f3rio, a quest\u00e3o que insiste \u00e9 qual o estatuto de recusa em jogo. Domenico Cosenza<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> realizou toda uma investiga\u00e7\u00e3o e publicou um livro onde declara as diferentes modalidades de recusa na cl\u00ednica da anorexia, material valioso que agora tamb\u00e9m faz parte da nossa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos nossa pesquisa com um texto de Miller &#8220;Modalidades del rechazo&#8221;, apresentado na VIII Confer\u00eancia do Campo Freudiano em Madrid em 1991, publicado em &#8220;Conferencias en Espanha&#8221;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Ali, JAM refere-se ao texto de Freud &#8220;A nega\u00e7\u00e3o&#8221; (<em>Die Verneinung<\/em>), para discutir as diferentes formas de nega\u00e7\u00e3o e, finalmente, diferenciar a problem\u00e1tica f\u00e1lica do fim da an\u00e1lise de acordo com a <em>Verneinung<\/em> (que seria, parece-nos, a que Freud apresenta em \u201cAn\u00e1lise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel\u201d, por oposi\u00e7\u00e3o ao fim da an\u00e1lise de acordo com a defesa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Verneinung<\/em>, recordamos com JAM, \u00e9 um dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; ao n\u00edvel da palavra, \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o relativa ao significante. Quanto \u00e0 defesa, \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o relativa ao gozo imposs\u00edvel de ser negativizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introduzimos uma pergunta extra\u00edda de um testemunho de Elena Levy Yeyati<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> (recentemente publicado na Revista Lacaniana n\u00b0 29): A defesa \u00e9 a causa do imposs\u00edvel de negativizar, ou ser\u00e1 que nos defendemos do imposs\u00edvel de negativizar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta quest\u00e3o, a nosso ver, \u00e9 permeada pela quest\u00e3o do gozo feminino como o princ\u00edpio do gozo enquanto tal.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordemos, novamente com Miller, no texto acima referido, que \u00e9 a puls\u00e3o freudiana o elemento imposs\u00edvel de negativizar, uma vez que a puls\u00e3o consegue sempre obter satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, sobre a defesa, no curso &#8221; Experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica&#8221;<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, Miller afirma (p. 50): \u201cLa defensa (que no recae sobre el significante como la represi\u00f3n) califica la relaci\u00f3n inaugural del sujeto con lo real, que el abordaje de lo real se inscribe en primer lugar en t\u00e9rminos de defensa&#8230;\u201d. E depois, um pouco mais adiante, dir\u00e1 que a defesa qualifica uma rela\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como podemos pensar a recusa quando se trata do gozo pulsional?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Seria uma boa orienta\u00e7\u00e3o pensar a cl\u00ednica do trans como uma cl\u00ednica diferencial da certeza (hip\u00f3tese formulada por Fran\u00e7ois Ansermet sem a desenvolver) juntamente com uma cl\u00ednica diferencial da recusa ou da defesa ao feminino?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: Segundo Jos\u00e9 Mar\u00eda \u00c1lvarez (in: <em>Principios de una psicoterapia de las psicosis<\/em>. Ed. Xoroi, p. 57-58), &#8220;o termo defesa (<em>Abwehr<\/em>) vem do verbo <em>Abweheren<\/em>, composto da preposi\u00e7\u00e3o <em>Ab<\/em> e do verbo <em>wehr<\/em>: colocar uma barreira\/bloqueio. O verbo <em>Abweheren<\/em> significa rejeitar, recusar, recuar, manter-se \u00e0 dist\u00e2ncia, proteger-se de (alguma coisa). Em alem\u00e3o, este verbo tem algumas conota\u00e7\u00f5es ligeiramente diferentes do verbo &#8220;recusar&#8221; em espanhol. \u00c9 usado, por exemplo, para dizer &#8220;recha\u00e7ar a um inimigo&#8221; (<em>den Feind abweheren<\/em>). Em particular, neste tipo de conota\u00e7\u00e3o, est\u00e1 impl\u00edcito que os inimigos s\u00f3 foram empurrados para tr\u00e1s, que n\u00e3o foram destru\u00eddos e que, portanto, podiam regressar. O verbo <em>Abweheren<\/em> evoca o estado de prontid\u00e3o para reagir. Representa\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis, sexualidade, puls\u00e3o ou castra\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o algumas das refer\u00eancias que motivar\u00e3o a defesa. As marcas que indicam o que um sujeito pode e n\u00e3o pode suportar&#8221;. Isto faz-nos pensar, ent\u00e3o, que a recusa \u00e9 uma das modalidades de defesa. Numa apresenta\u00e7\u00e3o recente, o autor disse que a loucura \u00e9 uma defesa radical e a neurose \u00e9 uma defesa da loucura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>QUEST\u00c3O 03<\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u201cSemin\u00e1rio 20: mais, ainda\u201d, Lacan afirma que o gozo feminino \u00e9 um gozo Outro: para al\u00e9m do gozo f\u00e1lico, n\u00e3o-todo apreens\u00edvel pelo significante, indiz\u00edvel, da ordem da conting\u00eancia, com tend\u00eancia ao ilimitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro <em>La diferencia de los sexos no existe\u00a0en el inconsciente<\/em> voc\u00ea afirma (p. 51): \u201cEste goce sin Outro puede experimentarse como <u>alteridad radical<\/u> incrustada desde entonces en el cuerpo, como un <em>alien<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. J\u00e1 em seu livro <em>Lo\u00a0feminino,\u00a0entre centro y aus\u00eancia<\/em>, voc\u00ea destaca a diferen\u00e7a entre \u201ca feminilidade\u201d (la feminidad) e \u201co feminino\u201d (lo feminino) e afirma (p. 43): \u201cLo feminino no tiene que ver finalmente con lo que se entende por g\u00e9nero. Lo femenino tiene, en todo caso, la virtud de <u>lo neutro<\/u>, m\u00e1s all\u00e1 de la diferencia de g\u00e9nero, m\u00e1s all\u00e1 de la significaci\u00f3n e la dial\u00e9ctica de los sexos que nos representamos como g\u00e9neros masculino y femenino. Podemos decir incluso que lo femenino es <em>a<\/em>-sexuado, en el sentido en que Lacan utiliza el t\u00e9rmino en su Seminario A\u00fan\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta perspectiva, quando falamos de \u201co feminino\u201d estamos no espa\u00e7o da n\u00e3o reciprocidade, daquilo que introduz a alteridade do sexo de uma\u00a0maneira que o significante n\u00e3o poder\u00e1 abordar. Temos que recorrer a outra l\u00f3gica que n\u00e3o \u00e9 a do significante. Temos assim a l\u00f3gica do objeto <em>a<\/em>, assexuado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro <em>Le sexe des modernes <\/em>(2021) \u00c9ric Marty afirma que o pensamento do Neutro em rela\u00e7\u00e3o ao sexual aponta para um fora do sentido, uma forma de vazio, completamente contr\u00e1rio \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o verbal de que se trata no discurso LGBT+ contempor\u00e2neo. \u201cO neutro \u00e9 o grau zero do sentido, onde um signo \u2013 um signo neutro \u2013 marca uma aus\u00eancia, uma falha essencial, uma car\u00eancia, se definindo como sendo nem masculino nem feminino, nem um nem outro, <em>neuter<\/em>, segundo a etimologia latina\u201d (p. 33)<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta conversa com outros campos epist\u00eamicos, como podemos formular a aproxima\u00e7\u00e3o e a separa\u00e7\u00e3o entre \u201co feminino\u201d lacaniano e os conceitos de neutro e de vazio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>QUEST\u00c3O 04<\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o X ENAPOL, realizado recentemente de 08 a 10 de outubro, comentando a apresenta\u00e7\u00e3o de colegas da Rede Universit\u00e1ria da FAPOL, acerca dos movimentos feministas e a quest\u00e3o trans nas Universidades na Am\u00e9rica Latina, \u00c9ric Laurent concluiu que o confronto da psican\u00e1lise com o pensamento e os movimentos decorrentes do discurso dos Estudos de G\u00eanero e das Teorias Queer \u00e9 inevit\u00e1vel, j\u00e1 est\u00e1 em curso. \u201cEsta posici\u00f3n viene de parte de los activistas m\u00e1s desenfrenados y va a implicar, digamos, una confrontaci\u00f3n. Hay que hacerlo de la buena manera, pero creo que no se puede evitar la confrontaci\u00f3n. (&#8230;) Creo que va a ser una constante ahora de confrontaci\u00f3n entre el Discurso Universitario y el Discurso Anal\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro <em>La diferencia de los sexos no existe\u00a0en el inconsciente, <\/em>extraindo consequ\u00eancias da interven\u00e7\u00e3o de Paul Preciado durante as Jornadas Anuais da ECF em 2019, voc\u00ea nos diz (p. 27): \u201cEl malentendido est\u00e1, pues, asegurado. Pero el malentendido es tambi\u00e9n la ley de toda conversaci\u00f3n posible. Cuando dos est\u00e1 muy de acuerdo, no hay conversaci\u00f3n, solo consenso sostenido em acuerdos t\u00e1citos. Y la conversaci\u00f3n, cuando es anal\u00edtica, pone siempre en cuesti\u00f3n los acuerdos t\u00e1citos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando que a \u201ccrise do g\u00eanero\u201d e a \u201cquest\u00e3o trans\u201d s\u00e3o paradigm\u00e1ticas da subjetividade de nossa \u00e9poca, como ultrapassar a dificuldade em nosso debate com o campo da Cultura e com outros discursos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como transmitir a outros campos de saber e ao Outro social a subvers\u00e3o que Lacan produz ao afirmar que a subjetividade de todo humano se constitui e se sustenta em torno de um vazio, que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de complementariedade, que a partir do trabalho com a palavra se toque o real do gozo; descompletando os universais a partir da diferen\u00e7a radical que ele introduz com a no\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-todo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, como diz Laurent, um certo confronto \u00e9 inevit\u00e1vel, qual seria a \u201cboa maneira\u201d de sustentar o debate, sem nos refugiarmos em nossos pr\u00f3prios \u201cacordos t\u00e1citos\u201d?<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cosenza, D. <em>A recusa na anorexia<\/em>. Belo Horizonte: Scriptum, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Miller, J-A. <em>Introducci\u00f3n a la cl\u00ednica lacaniana:\u00a0Conferencias en Espa\u00f1a. <\/em>Ediciones RBA, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Yevati, Elena Levy \u2013 Los sonidos del silencio. <em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n\u00b0 29, 2021, p. 162-176.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Miller, J-A. El ser y el uno. Curso de la Orientaci\u00f3n Lacaniana, 2021. Lecci\u00f3n del 02 de marzo de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Miller, J-A. <em>Experiencia de Lo Real en la Cura Psicoanal\u00edtica. <\/em>Ed. Paid\u00f3s, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Bassols, M. <em>La diferencia de los sexos no existe\u00a0en el inconsciente. <\/em>Grama Ediciones, 2021, p. 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Bassols, M. <em>Lo\u00a0feminino,\u00a0entre centro y aus\u00eancia. <\/em>Grama Ediciones, 2017, p. 43.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Marty, \u00c9. <em>Le sexe des modernes. <\/em><em>Pens\u00e9e du Neutre et th\u00e9orie du genre<\/em>.\u00a0 Ed. Seuil,\u00a0eBook Kindle, p. 33.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":6368,"menu_order":14,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[104,100,101,102],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6344","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-un-decir-pt-br","portfolio_category-actividades-genero-pt-br","portfolio_category-genero-pt-br","portfolio_category-observatorios-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6344"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6371,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6344\/revisions\/6371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6344"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6344"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}