{"id":6379,"date":"2021-09-21T15:33:41","date_gmt":"2021-09-21T18:33:41","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/a-diferenca-entre-transexual-e-transgenero-de-que-se-trata-para-a-psicanalise\/"},"modified":"2021-09-21T15:33:41","modified_gmt":"2021-09-21T18:33:41","slug":"a-diferenca-entre-transexual-e-transgenero-de-que-se-trata-para-a-psicanalise","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/a-diferenca-entre-transexual-e-transgenero-de-que-se-trata-para-a-psicanalise\/","title":{"rendered":"A diferen\u00e7a entre transexual e transg\u00eanero: de que se trata para a psican\u00e1lise?"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>A diferen\u00e7a entre transexual e transg\u00eanero: de que se trata para a psican\u00e1lise?<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Eliane Costa Dias<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao propor 2021 como o ano da \u201ccrise trans\u201d, Miller sacudiu o Campo Freudiano e nos convocou ao trabalho. Ap\u00f3s o impacto do instante de ver, come\u00e7amos a trilhar um tempo de compreender, numa produ\u00e7\u00e3o entusiasmada e intensa, mas ainda permeada por muitas quest\u00f5es, pontos opacos, impasses e, principalmente, pela circula\u00e7\u00e3o, no debate, de conceitos e significantes cuja articula\u00e7\u00e3o exigir\u00e1, ainda, muito trabalho de precis\u00e3o e discuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos come\u00e7ar nos perguntado: o que est\u00e1 em jogo na crise?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partimos do fato de que \u201cg\u00eanero\u201d tornou-se um significante-mestre da \u00e9poca atual e o movimento de desconstru\u00e7\u00e3o do conceito de g\u00eanero configura uma marca da contemporaneidade, capaz de produzir \u201cefeitos reais sobre nossa hist\u00f3ria presente\u201d.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus Andr\u00e9 Vieira, em uma confer\u00eancia ministrada na NEL-Cali em junho deste ano<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>, sugere que a explos\u00e3o do g\u00eanero pode ser pensada como uma das vers\u00f5es da \u201ccrise do real no s\u00e9culo XXI\u201d \u2013 a alian\u00e7a entre o capital e as tecnoci\u00eancias abalou drasticamente a ideia de que a <em>natureza <\/em>era o nome do real. Com a ascens\u00e3o do objeto <em>a <\/em>ao z\u00eanite social<em>, <\/em>o Pai entrou em crise (e decl\u00ednio) como regulador entre os sexos e as gera\u00e7\u00f5es. Uma crise, portanto, do\u00a0 significante como operador da media\u00e7\u00e3o entre sujeito e corpo, entre sujeito e civiliza\u00e7\u00e3o. Com isto, verificamos uma crise do binarismo, estrutura fundamental do Simb\u00f3lico: bin\u00e1rios como homem\/mulher, branco\/negro, crian\u00e7a\/adulto, s\u00e3o colocados em xeque na atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, no campo aberto pelos discursos de g\u00eanero, o fen\u00f4meno \u201ctrans\u201d introduz um <em>clash, <\/em>um confronto epist\u00eamico. Como aponta Miller,<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a> embora a sigla das novas nomea\u00e7\u00f5es de g\u00eanero n\u00e3o pare de se ampliar &#8211; LGBTQIA+ (at\u00e9 o momento) \u2013 a letra <em>T <\/em>configura uma mancha, um verdadeiro obst\u00e1culo epistemol\u00f3gico \u00e0 premissa de aboli\u00e7\u00e3o radical do tradicional binarismo masculino\/feminino. No caso dos transexuais, n\u00e3o se trata de uma demanda por liberdade nas formas de nomear e performar a identidade e as pr\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, mas de uma demanda de mudan\u00e7a de identidade sexual centrada na cren\u00e7a no binarismo homem\/mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u201ctransexual\u201d ganha a cena, convertendo-se em um fen\u00f4meno global e midi\u00e1tico, impondo quest\u00f5es e controv\u00e9rsias ao campo dos estudos de g\u00eanero e dos movimentos <em>queer <\/em>e convocando a psican\u00e1lise a um debate no qual, o cl\u00ednico e o pol\u00edtico se articulam em uma banda de Mo\u00ebbius.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessa-me focalizar alguns termos com os quais esse debate vem se colocando em nosso campo da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chama a aten\u00e7\u00e3o que em muitos momentos do debate entre n\u00f3s, psicanalistas, o significante <em>transexualismo <\/em>persista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria e na l\u00f3gica das classifica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, o sufixo \u201c<em>ismo\u201d<\/em> remete \u00e0 ideia de patologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como efeito da for\u00e7a dos estudos de g\u00eanero, exigindo a desvincula\u00e7\u00e3o do g\u00eanero a qualquer tipo de normativa, retirando-o, portanto, do bin\u00e1rio normal\/patol\u00f3gico, no DSM-V (2013) as express\u00f5es <em>transexualismo, transtorno <\/em>e <em>incongru\u00eancia <\/em>foram afastadas, justamente para desvincular a experi\u00eancia de g\u00eanero da ideia de doen\u00e7a mental. A express\u00e3o <em>disforia de g\u00eanero<\/em>, \u201ccomo termo descritivo geral, refere-se ao descontentamento afetivo\/cognitivo de um indiv\u00edduo com o g\u00eanero que lhe \u00e9 designado\u201d. A nova categoria enfatiza o aspecto de sofrimento que acompanha esse desacordo e \u201cfoca a disforia como um problema cl\u00ednico, e n\u00e3o como identidade por si pr\u00f3pria\u201d.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto dos manuais de diagn\u00f3stico m\u00e9dico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Transg\u00eanero <\/em>refere-se ao amplo espectro de indiv\u00edduos que, de forma transit\u00f3ria ou persistente, se identificam com um g\u00eanero diferente do de nascimento. <em>Transexual <\/em>indica um indiv\u00edduo que busca ou que passa por uma transi\u00e7\u00e3o social de masculino para feminino ou de feminino para masculino, o que, em muitos casos (mas n\u00e3o em todos), envolve tamb\u00e9m uma transi\u00e7\u00e3o som\u00e1tica por tratamento hormonal e cirurgia genital (cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual).<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a mera mudan\u00e7a nas denomina\u00e7\u00f5es das classifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o implica, de fato, em despatologiza\u00e7\u00e3o. Na videoconfer\u00eancia <em>Le transsexualisme objecte au transg\u00e9n\u00e9risme<\/em>, proferida em maio\/2021,<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a> Jean-Claude Maleval afirma que, a partir do DSM-V, a disforia de g\u00eanero converteu-se em uma carta curinga sobrediagnosticada e prop\u00f5e uma diferencia\u00e7\u00e3o entre transexual e transg\u00eanero desde a perspectiva da psican\u00e1lise.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><em>Transexual<\/em> e <em>Transg\u00eanero<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Maleval:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nos concentrarmos apenas nos comportamentos mais evidentes, o transexualismo aparece como a forma extrema de disforia de g\u00eanero e do processo transg\u00eanero; ter em conta a palavra dos sujeitos revela, pelo contr\u00e1rio, o transexualismo como um tipo cl\u00ednico bem caracterizado e n\u00e3o compar\u00e1vel a uma das variedades do transgenerismo.<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora insistindo no sufixo \u201cismo\u201d, Maleval lan\u00e7a uma importante quest\u00e3o: <em>Como distinguir o transexualismo do transgenerismo? <\/em>Discernindo que o ponto de partida do sofrimento n\u00e3o \u00e9 o mesmo. Uma abordagem cuidadosa do discurso destes sujeitos permite perceber que h\u00e1 diferen\u00e7as na percep\u00e7\u00e3o de sua identidade, no que move a iniciativa de transforma\u00e7\u00e3o e na intensidade do sofrimento ps\u00edquico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do lado do transexual, Maleval localiza uma \u201cespecificidade\u201d: o transexual rejeita uma imagem que o horroriza e sua elei\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por uma certeza que n\u00e3o comporta d\u00favida. A imagem do transexual, desprovida de brilho f\u00e1lico, n\u00e3o \u00e9 investida, levando \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de falta de identidade. A intensa dor ps\u00edquica suscitada por essa imagem evoca uma \u201cesp\u00e9cie de processo melanc\u00f3lico ligado ao horror da mesma\u201d.<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacando trechos de obras (testemunhais) de transexuais femininos como Marie \u00c9dith Cypris (2012), Sylviane Dullak (1983), Jan Morris (1974) e Jeanne Nolais (1980), Maleval conclui:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan considerou que o psic\u00f3tico tinha o objeto <em>a<\/em> no bolso. Este n\u00e3o \u00e9 o caso do transexual, por outro lado, que parece ter o objeto apegado \u00e0 sua imagem. Descreve-o regularmente como um horror: nojento, insalubre, bestial, desumano, como um peda\u00e7o de farsa entre as pernas. [e os transexuais masculinos?] Sabemos que esta experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o angustiante que pode causar automutila\u00e7\u00f5es. A serenidade com que os transexuais entregam os seus corpos \u00e0 cirurgia \u00e9 bastante not\u00e1vel e indica o al\u00edvio esperado.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do lado do transg\u00eanero, Maleval prop\u00f5e uma \u201cdiversidade\u201d. Partindo de uma leitura cr\u00edtica de textos de Paul B. Preciado e Thomas Beatie<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>, prop\u00f5e que as pessoas transg\u00eanero s\u00e3o aquelas que se op\u00f5em \u00e0 concep\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria do sexo e trabalham para faz\u00ea-lo fluido. Enquanto no transexual h\u00e1 uma discrep\u00e2ncia entre o seu eu e sua imagem aversiva, o transg\u00eanero escolhe assumir uma imagem e opera com ela. \u201cO imperativo de transexualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem as mesmas ra\u00edzes que o desejo de mudar de g\u00eanero\u201d.<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebemos que o autor reafirma nesta confer\u00eancia a tese que enuncia sobre o transexual em seu livro sobre a psicose ordin\u00e1ria (2020):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Definir-se como transexual implica em um recha\u00e7o do inconsciente e uma negativa em questionar o pr\u00f3prio desejo. (&#8230;) a posi\u00e7\u00e3o de Catherine Millot me parece a mais pertinente na atualidade. Ela convida a conceber o processo de transexualiza\u00e7\u00e3o como um trabalho de supl\u00eancia desenvolvido por determinados sujeitos com estrutura psic\u00f3tica. Portanto, o transexualismo se apresenta como um tipo cl\u00ednico espec\u00edfico que n\u00e3o deve ser confundido com o processo transg\u00eanero.<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>O <em>verdadeiro transexual<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Miller o <em>verdadeiro transexual <\/em>\u00e9 aquele que permanece apegado a um binarismo essencialista e demanda a transi\u00e7\u00e3o de um lado para o outro, sem espa\u00e7o para d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verdadeiro transexual n\u00e3o se faz grosseiramente. O g\u00eanero fluido, \u00e9 muito pouco para ele. O n\u00f3 de sua ang\u00fastia est\u00e1 na diferen\u00e7a dos sexos em que ele acredita cegamente e nos estere\u00f3tipos de g\u00eanero inamov\u00edveis que, a seus olhos, v\u00e3o com ele. Grita bem alto demandando passar para o outro lado, modificar suas caracter\u00edsticas sexuais secund\u00e1rias ou mesmo prim\u00e1rias, e n\u00e3o hesita em mobilizar o senhor Bisturi e madame Horm\u00f4nio para esse fim. (&#8230;) ningu\u00e9m acredita mais na diferen\u00e7a sexual do que um verdadeiro transexual.<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendo que a denomina\u00e7\u00e3o <em>verdadeiro transexual <\/em>busca circunscrever, na sutileza dos pequenos ind\u00edcios, aqueles casos em que a quest\u00e3o com o g\u00eanero implica um recha\u00e7o radical da imagem sexuada que lhe foi designada, exigindo, impondo uma interven\u00e7\u00e3o na anatomia do corpo, pela via da hormoniza\u00e7\u00e3o ou da cirurgia de modifica\u00e7\u00e3o do sexo, que encarnaria o erro comum de confundir o significante e o \u00f3rg\u00e3o, definido por Lacan em seu <em>Semin\u00e1rio 19: &#8230; ou pior<\/em> (1971-72), ao comentar os casos relatados por Robert Stoller em seu livro <em>Sex and Gender <\/em>(1968). A interven\u00e7\u00e3o no corpo (hormonal e\/ou cir\u00fargica) \u00e9 encarada como a via de libera\u00e7\u00e3o do significante pela remo\u00e7\u00e3o direta do \u00f3rg\u00e3o. N\u00e3o basta uma opera\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria (manobras com a imagem do corpo pr\u00f3prio) ou uma opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica (manejo pelos semblantes, pelos dispositivos legais, pelas nomea\u00e7\u00f5es). Sujeitos tomados de ang\u00fastia para quem, muitas vezes, a sa\u00edda pela passagem ao ato est\u00e1 sempre no horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a cl\u00ednica com sujeitos que se autodenominam transexuais \u00e9 cada vez mais ampla e nos apresenta uma diversidade de casos que v\u00e3o al\u00e9m desse tipo cl\u00ednico:\u00a0 sujeitos que se nomeiam transexuais e efetivam uma transi\u00e7\u00e3o, para o feminino ou o masculino, mas sem recorrer \u00e0 cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual e, \u00e0s vezes, nem mesmo \u00e0 hormonioterapia; sujeitos com uma certeza precoce de serem de outro sexo, mas que se afirmam nem homem nem mulher, \u201ctrans n\u00e3o bin\u00e1rios\u201d ou, simplesmente, \u201cpessoas trans\u201d; sujeitos para quem a montagem de uma outra identidade sexual \u00e9 imperativa, mas que se fazem um corpo operando com semblantes e com bricolagens imagin\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que nas poucas vezes em que abordou esse tema, Lacan aproximou a transexualidade e a psicose. E essa abordagem, frequentemente, persiste como palavra final sobre a quest\u00e3o, com a transexualidade sendo tomada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 foraclus\u00e3o e ao empuxe-\u00e0-mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, se 2021 \u00e9 o ano trans, \u00e9 tamb\u00e9m o ano em que nos preparamos para encarar A rela\u00e7\u00e3o sexual e A mulher, que n\u00e3o existem. O ultim\u00edssimo ensino de Lacan n\u00e3o nos permite ampliar a abordagem da crise trans?<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li><em>Transexual <\/em>e <em>Transg\u00eanero <\/em>a partir da cl\u00ednica do real.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na j\u00e1 referida confer\u00eancia, Marcus Andr\u00e9 Vieira sugere que os trans, hoje, n\u00e3o s\u00e3o mais o que eram no tempo de Lacan. \u201cTrans, hoje, quer dizer muito mais. (&#8230;) As quest\u00f5es colocadas pelos sujeitos trans interrogam a cl\u00ednica psicanal\u00edtica (em sua pr\u00e1tica e em sua teoria), mas interrogam tamb\u00e9m o momento da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma atividade do Observat\u00f3rio de G\u00eanero, Biopol\u00edtica e Transexualidade, realizada em novembro de 2020, Fabi\u00e1n Fajnwaks prop\u00f4s que, \u201cdesde a perspectiva da sexua\u00e7\u00e3o, os transexuais seriam os verdadeiros analisadores do \u00faltimo ensino de Lacan, uma vez que atestam que a significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica n\u00e3o funciona mais para operar a diferen\u00e7a sexual\u201d.<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No marco do <em>Semin\u00e1rio 20: mais, ainda<\/em> (1972-73), a no\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a sexual d\u00e1 lugar \u00e0 no\u00e7\u00e3o de sexua\u00e7\u00e3o, entendida como o processo em que cada ser falante tem que tomar uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao sexual, ou seja, em rela\u00e7\u00e3o ao corpo e ao gozo indiz\u00edvel que o habita. Com as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, a partir da l\u00f3gica da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o e do n\u00e3o-todo, Homem\/Mulher passam a corresponder a modos de gozo: um que faz do significante f\u00e1lico sua medida; outro que ultrapassa as bordas significantes, se apresentando como excessivo, sem lei, sem sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fajnwaks (2020) nos lembra que Lacan avan\u00e7a a partir das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegar a dizer, no Semin\u00e1rio seguinte:<em> Os n\u00e3o-tolos erram <\/em>(1973-74), que o \u201cser sexuado n\u00e3o se autoriza sen\u00e3o de si mesmo (&#8230;) e de alguns outros\u201d.<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a> Autorizar-se de si mesmo significa que a posi\u00e7\u00e3o sexuada n\u00e3o vem do Outro. Cada falasser tem que\u00a0 encontrar por si s\u00f3, um modo de gozo que lhe permita tomar uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao gozo e ao desejo, uma posi\u00e7\u00e3o sexuada. \u201cDe alguma maneira, essa defini\u00e7\u00e3o nova do ser sexuado implica centrar a sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo a partir do Um-sozinho, e j\u00e1 n\u00e3o mais do Outro, como era o caso at\u00e9 esse momento no ensino de Lacan\u201d.<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor destaca o papel da nomea\u00e7\u00e3o nesse processo: \u201cCada um dever\u00e1 encontrar sua maneira de se nomear sexuado. Sublinho \u201cse nomear\u201d e n\u00e3o \u201cse dizer\u201d, porque a sexualidade implica sempre uma dimens\u00e3o real, que a nomea\u00e7\u00e3o implica mais al\u00e9m do ato de se dizer sexuado num sentido ou noutro\u201d. <a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde essa perspectiva, de uma cl\u00ednica das solu\u00e7\u00f5es para o real do gozo, a diferencia\u00e7\u00e3o transexual\/transg\u00eanero segue tendo fun\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia. O transg\u00eanero \u00e9 o falasser, contempor\u00e2neo, que pela via da fluidez do g\u00eanero, busca produzir um sintoma, um semblante, talvez uma nomina\u00e7\u00e3o, que lhe permita enla\u00e7ar RSI e se situar no la\u00e7o social. J\u00e1 o transexual, \u00e9 aquele que busca a rela\u00e7\u00e3o com o feminino pela via da identifica\u00e7\u00e3o, enquanto encarna\u00e7\u00e3o d\u2019A mulher que falta ao Outro. N\u00e3o necessariamente psicose, talvez sim. Podemos pensar as solu\u00e7\u00f5es desses sujeitos confrontados no corpo com a parte excessiva e disruptiva do gozo Outro na via da feminiza\u00e7\u00e3o, podendo passar pelo empuxo-\u00e0-mulher. O que permite abordar o trans fora da l\u00f3gica da psicose. Na cl\u00ednica, sob transfer\u00eancia, cabe ao analista localizar a fun\u00e7\u00e3o dessa autonomina\u00e7\u00e3o (transexual, n\u00e3o-bin\u00e1rio, a-sexuado etc.) a cada caso, podendo prescindir da l\u00f3gica estrutural, sabendo dela se servir.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li>Por uma sexualidade <em>sinthom\u00e1tica.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fran\u00e7ois Ansermet (2018) nos convida a nos deixarmos ensinar pelo trans, nos deixarmos interrogar diante do que o sujeito inventa, nos reinventando tamb\u00e9m. A aposta central para o analista \u00e9 abrir-se \u00e0s solu\u00e7\u00f5es sinthom\u00e1ticas de cada sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <em>Pref\u00e1cio a Despertar da Primavera (1974)<\/em>,<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a> Lacan afirma que \u201ca sexualidade faz furo no real\u201d e segue no texto dizendo que, depois disso, a maioria se acomoda mais ou menos bem. Talvez, os sujeitos trans sejam aqueles que n\u00e3o se acomodam, que buscam com radicalidade, nascer novamente, por sua pr\u00f3pria inven\u00e7\u00e3o corrigida. Eles se fazem um corpo, se dando uma origem, se montando um corpo, uma imagem, um g\u00eanero, um sexo. A cada um, sua bricolagem com suas pe\u00e7as soltas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nos sugere Ansermet: \u201c\u00c9 preciso entrar na l\u00edngua particular de cada um e seguir as vias singulares, de inven\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o deixam de surpreender-nos, mas que protegem o sujeito de um real imposs\u00edvel de suportar\u201d. <a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse foi, com certeza, o ponto mais forte do \u00faltimo F\u00f3rum de<em> La Movida Zadig Doces &amp; B\u00e1rbaros,<\/em> realizado em\u00a0 01 de julho de 2021, com o tema <em>Trans-Leituras <\/em>&#8211; nos deixarmos ensinar pela abordagem de pedir a eles (os trans) que nos falassem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, como nos diz a po\u00e9tica escrita de Guimar\u00e3es Rosa, evocado durante o F\u00f3rum por Amara Moira e Romildo do R\u00eago Barros: \u201cExiste \u00e9 homem humano. TRAVESSIA.\u201d<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Publicado: <em>Correio Express \u2013 Revista Eletr\u00f4nica da EBP, n\u00b0 20, agosto\/2021.<\/em> Dispon\u00edvel: <a href=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2021\/07\/29\/a-diferenca-entre-transexual-e-transgenero-de-que-se-trata-para-a-psicanalise\/\">https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2021\/07\/29\/a-diferenca-entre-transexual-e-transgenero-de-que-se-trata-para-a-psicanalise\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Membro EBP\/AMP, coordenadora (pela EBP) do Observat\u00f3rio de G\u00eanero, Biopol\u00edtica e Transexualidade da FAPOL.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Frase de Foucault citada por \u00c9ric Marty na p. 389 de seu livro <em>Le sexe des Modernes (2021), <\/em>retomada e empregada por Miller em rela\u00e7\u00e3o aos estudos de g\u00eanero. In: MILLER, J-A.- Hurac\u00e1n sobre el \u201cgender\u201d. <em>Lacan Cotidiano n\u00b0 925 <\/em>[vers\u00e3o em espa\u00f1ol pela EOL].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> VIEIRA, M. A. <em>El analista y las nuevas sexualidades. <\/em>Confer\u00eancia proferida em atividade online realizada pela NEL-Cali em 23\/06\/2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> MILLER, J-A. Enrtretien sur \u201cLe sexe des modernes\u201d. <em>Lacan Quotidien, n\u00b0 927. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas dispon\u00edvel in: <em>Correio Express -Revista eletr\u00f4nica da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 14\/abril\/2021. <\/em><a href=\"about:blank\"><em>https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2021\/04\/14\/entrevista-sobre-le-sexe-des-modernes\/<\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> <em>Manual de Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais 5.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, DSM-5<\/em>. American Psychiatric Association (APA). [recurso eletr\u00f4nico]. Porto Alegre: Artimed, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Ibidem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> MALEVAL, J-C. <em>Le transsexualisme objecte au transg\u00e9n\u00e9risme. <\/em>S\u00e9minaire des \u00e9changes. ACF em Midi-Pyr\u00e9n\u00e9es, 21\/mai\/2021. Transcri\u00e7\u00e3o em espanhol dispon\u00edvel in: <a href=\"about:blank\">https:\/\/psicoanalisislacaniano.com\/2021\/05\/21\/jcmaleval-transexualismo-objeta-transgenerismo-20210521\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Ibidem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Ibidem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Ibidem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> Thomas Trace Beatie &#8211; <a href=\"about:blank\">autor<\/a>\u00a0americano, defensor de\u00a0quest\u00f5es\u00a0LGBTQIA+ com foco em <a href=\"about:blank\">direitos reprodutivos<\/a>. Iniciou a transi\u00e7\u00e3o para <a href=\"about:blank\">homem trans<\/a>\u00a0em 1997 e tornou-se o primeiro caso publicamente registrado, em que um homem trans, legalmente documentado, engravidou e deu \u00e0 luz um beb\u00ea, ganhando grande espa\u00e7o na m\u00eddia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> MALEVAL, J-C. ibidem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> MALEVAL, J-C. <em>Coordenadas para la psicosis ordinaria. <\/em>Buenos Aires: Grama, 2020, p. 229, 231.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> MILLER, J-A. op. cit.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> VIEIRA, M. A. op. cit.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> SANTOS, N. O. <em>Transfamiliar. <\/em>Trabalho apresentado durante o XXIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, mar\u00e7o\/2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> LACAN, J. <em>S\u00e9minaire 21: Les Non-Dupes Errent. <\/em>Li\u00e7\u00e3o de 09 de abril de 1974. In\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> FAJNWAKS, F. Despatologizar a transexualidade. In: Capanema, C. A. e outros (org.) \u2013 <em>Psican\u00e1lise e Psicopatologia lacanianas. Impasses\u00a0 e solu\u00e7\u00f5es. <\/em>Curitiba: CRV, 2020, p. 38.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> Ibidem, p. 39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a> LACAN, J. Pref\u00e1cio a Despertar da Primavera (1974). In: <em>Outros\u00a0 Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> ANSERMET, F. Interven\u00e7\u00e3o na Conversa\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do Observat\u00f3rio de G\u00eanero, Biopol\u00edtica e Transexualidade da FAPOL. Barcelona, 06 de abril de 2018 (XI Congresso Mundial da AMP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a> ROSA, J. G. <em>Grande Sert\u00e3o: Veredas. <\/em>S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, 2019.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eliane Costa Dias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5131,"menu_order":32,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[112,101,102],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6379","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-articulos-genero-pt-br","portfolio_category-genero-pt-br","portfolio_category-observatorios-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6379\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6379"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6379"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}