{"id":6380,"date":"2021-09-17T12:14:40","date_gmt":"2021-09-17T15:14:40","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/pais-nao-ves-que-estou-queimando-o-incendio-de-uma-cinemateca\/"},"modified":"2021-09-17T12:14:40","modified_gmt":"2021-09-17T15:14:40","slug":"pais-nao-ves-que-estou-queimando-o-incendio-de-uma-cinemateca","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/pais-nao-ves-que-estou-queimando-o-incendio-de-uma-cinemateca\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds, n\u00e3o v\u00eas que estou queimando? &#8211; O inc\u00eandio de uma cinemateca"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristiane Barreto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os destro\u00e7os n\u00e3o foram corpos despeda\u00e7ados, nem fragmento corporal, \u201csob o fogo da sublime viol\u00eancia\u201d (Didi-Huberman, G., 1998, p.174) restou em cinzas ou material deteriorado &#8211; massa de aus\u00eancias-, a hist\u00f3ria do cinema brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em julho de 2021 um inc\u00eandio de grande propor\u00e7\u00e3o atingiu um dos galp\u00f5es da Cinemateca Brasileira, criada em 1940, por um grupo de intelectuais paulistas, que haviam fundado o Clube de Cinema de S\u00e3o Paulo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o houve v\u00edtimas\u201d, foi o pronunciamento oficial, restringindo-se a este informe sem l\u00e1stimas, nem promessas de prote\u00e7\u00e3o adequada ao acervo restante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida perdura e \u00e9 verdadeira quando se consegue transmitir algo, transcendendo o dado biol\u00f3gico, na medida em que um memorial distingue seu ef\u00eamero aparecimento dos demais (LACAN, 1953-1998). Assim, a civiliza\u00e7\u00e3o enquanto \u201cedifica\u00e7\u00e3o de obras dur\u00e1veis que abrem um mundo e produzem sentido\u201d, tem na arte o que permite o sujeito \u201centrar na esfera das obras para deixar a marca de sua presen\u00e7a no mundo\u201d (MATT\u00c8I, 2001, p. 82). Uma Cinemateca \u00e9 acervo vivo. Houve v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que queima quando uma cinemateca nacional incendeia? Queima at\u00e9 mesmo a mem\u00f3ria do que nunca assistimos. \u201cEm cada escrito, cada fotograma carbonizado, h\u00e1 uma alma ultrajada, uma vis\u00e3o incinerada\u201d, declaram cineastas brasileiros no texto \u201cInc\u00eandio n\u00e3o foi acidente. Cinemateca, entre o deserto e a miragem\u201d (AMARAL, C. et ali, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem ardia. A da cinemateca pegando fogo e a da cena da fuma\u00e7a que subia apagando mais de 200 c\u00f3pias, negativos originais de filmes, dentre eles, filmes de diretores como Glauber Rocha e Anselmo Duarte, \u00fanico diretor brasileiro premiado com a Palma de Ouro em Cannes, por Pagador de Promessas (1962).\u00a0 Mas tamb\u00e9m marcos do cinema popular brasileiro, como Mazzaropi, mat\u00e9rias dos est\u00fadios Vera Cruz e Atl\u00e2ntida, e parte da produ\u00e7\u00e3o da antiga TV Tupi.\u00a0N\u00e3o sem destro\u00e7os, a devasta\u00e7\u00e3o incendi\u00e1ria foi do cinema novo \u00e0 com\u00e9dia ing\u00eanua de um regionalismo que apresentava um Brasil a outro Brasil que morava ao lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cinema constr\u00f3i cen\u00e1rios para serem habitados por personagens, a\u00e7\u00f5es, sil\u00eancios, e pelo olhar do espectador. O encontro da c\u00e2mera com um objeto, produz o que se quer dar a ver. Por que uma cinemateca \u00e9 um dos destinos dos filmes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um corte ao estilo plano detalhe, me ocorre um evento que envolve a psican\u00e1lise e a conserva\u00e7\u00e3o dos filmes. Em um filme dom\u00e9stico, de 1931, narrado por Ana Freud, Freud passeia nos jardins da sua resid\u00eancia de ver\u00e3o, conversando animadamente com seu amigo Lowy, professor de arqueologia que o guiava em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua cole\u00e7\u00e3o de obras de arte. As m\u00e3os de Freud se movimentam sem parar, expressivamente. (BURKE, 2010). Freud n\u00e3o sabia que estava sendo filmado, mas o filme sim. A conserva\u00e7\u00e3o do filme possibilitou que as m\u00e3os de Freud chegassem at\u00e9 n\u00f3s, &#8211; n\u00e3o a que jaz parada e escrevia, apontava, trabalhava, somava-, mas aquela \u201cpe\u00e7a solta\u201d que no filme se anima ao falar. Um filme transmite algo sem igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Truffaut (2005), em \u201cO prazer dos olhos \u2013 ensaios sobre cinema\u201d, ao relatar \u201cO caso da Cinemateca\u201d coloca em cena a figura de um homem, Langlois, fundador e diretor da Cinemateca de Paris durante muitos anos; pol\u00edtico habilidoso, obcecado, pol\u00eamico e apaixonado por cinema, quando, a partir de uma trama para tomarem o seu lugar, mobiliza artistas, diretores, produtores em manifesta\u00e7\u00f5es em pra\u00e7a p\u00fablica, em pleno 1968. O engajamento de todos contra a exonera\u00e7\u00e3o foi tal que criaram uma associa\u00e7\u00e3o, o Comit\u00ea de Defesa da Cinemateca Francesa. O campo de batalha se expandiu por frentes variadas e atingiu diversos n\u00edveis pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Truffaut (2006, p. 115) declara guardar e compartilhar com os que vivenciaram o movimento de protestos e milit\u00e2ncia \u201cuma lembran\u00e7a emocionada de devo\u00e7\u00e3o a uma causa, de sacrif\u00edcios pessoais e da aus\u00eancia de d\u00favidas que caracteriza o engajamento quando \u00e9 passional\u201d. A import\u00e2ncia dada por Truffaut ao \u201ccaso da Cinemateca\u201d, d\u00e1 monstras da real import\u00e2ncia de uma cinemateca. Inclusive, para ele, \u201ccom o recuo do tempo, parece claro que as manifesta\u00e7\u00f5es em favor de Langlois foram para os acontecimentos de maio de 68 assim como o trailer \u00e9 para o filme em cartaz\u201d (TRUFFAUT, 2006, p. 113). A primeira manifesta\u00e7\u00e3o ocorreu em 15 de fevereiro de 1968 reunindo apenas \u201cos filhos da Cinemateca\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Extrai-se ainda desse relato a prioridade que uma cinemateca deve ter na pol\u00edtica nacional, e tamb\u00e9m que seu administrador tenha a habilidade apaixonada para \u201ccomprar, trocar, roubar, salvar filmes\u201d (TRUFFAUT, 2005, p, 117), ser amante da arte para admitir trabalhos de todo tipo. Para Truffaut (2005, p.117) o melhor cinematec\u00e1rio deve recusar-se a \u201cpeneirar, escolher\u201d, decidido a que \u201ctodo fragmento de pel\u00edcula sensibilizada\u201d deva ser conservado \u201cjustamente para preserv\u00e1-la dos caprichos de opini\u00f5es submetidas \u00e0 moda da \u00e9poca\u201d. Nos \u00faltimos tempos, no caso brasileiro, prevalece n\u00e3o opini\u00f5es caprichosas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moda, mas uma concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, deliberada e declarada publicamente, de que a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e cinematogr\u00e1fica deve ser banida, censurada ou virar dejeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Cinemateca \u00e9 o museu do olhar\u201d, disse Cac\u00e1 Diegues (2021) em entrevista ap\u00f3s o inc\u00eandio, apontando que \u201cno s\u00e9culo XXI o cinema \u00e9 o instrumento b\u00e1sico da mem\u00f3ria\u201d. Para Svletsana Alpers (2001), historiadora de arte da universidade da Calif\u00f3rnia- Berkeley, filmes e livros s\u00e3o os melhores meios de oferecer educa\u00e7\u00e3o geral sobre as culturas, mais que museus, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cinemateca Brasileira \u00e9 abrigo da diversidade de produ\u00e7\u00e3o e estilos de filmes, que refletem a imagem de como o cinema brasileiro foi tratado em cada \u00e9poca, n\u00e3o apenas do conte\u00fado que abordou.\u00a0 Filmes desapareciam nas nuvens, dessas que nada armazenam a n\u00e3o ser chuva e um pouco de espa\u00e7o \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. Mas, sobretudo, desaparece, e a passos vertiginosos, as marcas do que se pode transmitir de um passado que impulsiona ao futuro em chances de se reinventar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um pa\u00eds em chamas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para pensar sobre o tra\u00e7o dos vest\u00edgios, Didi-Huberman (1998, p. 174) constr\u00f3i uma imagem bonita e aterradora, \u201cuma floresta com todos os vest\u00edgios de uma hist\u00f3ria -, suas \u00e1rvores partidas, vest\u00edgios de tempestades, suas \u00e1rvores mortas, (&#8230;), vest\u00edgios de todos os raios e de todos os inc\u00eandios da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Museu Nacional pegou fogo, Viveiro de Castro, excepcional antrop\u00f3logo brasileiro, declarou sua vontade de que o museu permanecesse ali mesmo, destru\u00eddo, se conservasse em ruinas. Transformado em um memorial. Para que todos visem, para n\u00e3o se esquecer, mas sobretudo para que n\u00e3o se tamponasse a perda irremedi\u00e1vel. Era final de 2018, e a s\u00e9rie de inc\u00eandios estava apenas no in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queimamos cen\u00e1rios de filmes que n\u00e3o poder\u00e3o mais existir. A Amazonas permaneceu ardendo em chamas por meses. Depois o Pantanal proporcionou as imagens tristes dos bichos correndo para se salvarem do fogo, salvarem seus filhotes ou agarrados em um abra\u00e7o animal de pura dor das fotografias de cenas apocal\u00edticas. Mas apocalipse da pol\u00edtica, que se deleitava em demora e indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, not\u00edcias que aludem a um planejamento sinistro, no m\u00ednimo uma torcida para que algumas coisas da face da terra deixassem de existir, n\u00e3o fossem conservadas, preservadas, e parassem de dar gastos ao governo e pouco lucro a bar\u00f5es dementes. Vale lembrar, que o mist\u00e9rio que envolve a completa destrui\u00e7\u00e3o da esplendorosa biblioteca de Alexandria inclui a hip\u00f3tese de um inc\u00eandio devastador, mas tamb\u00e9m o desinvestimento, outro tipo de ataque pol\u00edtico, que teria feito com que ela morresse \u00e0 mingua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o de barb\u00e1rie \u00e9 prop\u00edcia, ao menos como alegoria comparativa, governados que estamos por falas inarticuladas e brutas, de homens incapazes de ligarem as suas pr\u00f3prias humanidades ao mundo e aos outros homens (MATT\u00c8I, 2001), abominando o produto da arte e cultura. Homens que (literalmente) \u201cqueimam o filme\u201d do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Talib\u00e3 quebra Budas em Bamiyan, ou nos protestos na Gr\u00e9cia jovens gregos queimam bibliotecas, ou quando invadem os ares e derrubam as Torres G\u00eameas, abalam-se estruturas s\u00f3lidas, constru\u00e7\u00f5es que s\u00e3o tra\u00e7os de cada povo em guerra contra o estrangeiro em si mesmo ou encarnado no Outro malsoante da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, e no Brasil? Parece que assistimos a tudo numa montagem estranhamente particular, s\u00e3o brasileiros contra estruturas fr\u00e1geis do seu pr\u00f3prio pa\u00eds, de certo n\u00e3o o mesmo para cada um.\u00a0 Incendiando pel\u00edculas da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o. Hannah Arent (2008 p.146) aponta que o homem \u201cs\u00f3 se realiza na pol\u00edtica na forma de direitos iguais que os absolutamente diferentes garantem uns aos outros\u201d. Essa parece cena de filme distante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso Cinemateca o roteiro estava tra\u00e7ado. Extinguiu-se o Minist\u00e9rio da Cultura, talvez apenas esse dado j\u00e1 fosse suficiente, mas o desenrolar do enredo revela algumas outras tomadas do desfecho final: corte de verbas, rompimento de contrato com a institui\u00e7\u00e3o que a tutelava, funcion\u00e1rios denunciando perigos de inc\u00eandio do acervo abandonado sem nenhum cuidado t\u00e9cnico. Ainda alertam que o risco de um novo inc\u00eandio \u00e9 iminente. Ali\u00e1s, esse foi o quinto. Trata-se da destrui\u00e7\u00e3o anunciada de um abandono programado. Um elemento curioso \u00e9 que a mat\u00e9ria prima da qual eram feitos filmes antigos \u00e9 o nitrato de celulose, que pode causar combust\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es do real no mundo contempor\u00e2neo s\u00e3o cada vez mais desordenadas. O simb\u00f3lico j\u00e1 n\u00e3o opera mais facilmente fazendo la\u00e7os. Encontrarmos, ent\u00e3o, \u201ctodas as bricolagens com o real tentadas por cada um e concebidas pela sociedade, a fim de poder ajeitar as rela\u00e7\u00f5es entre os homens\u201d (BRIOLE, 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Briole (2014) destaca que \u201co real est\u00e1 circundado pela realidade\u201d, e elucida que os homens aprenderam a fazer as cat\u00e1strofes com os imprevistos do real\u201d, insistindo em \u201cacreditar que pode dominar o real, p\u00f4-lo a seu alcance, a servi\u00e7o de sua felicidade\u201d, ou do seu mando. Entretanto, Lacan (1975-2007, p. 117) para definir o real, surpreende ao se perguntar \u201cDe onde vem o fogo? O fogo \u00e9 o real. O real p\u00f5e fogo em tudo. Mas \u00e9 um fogo frio. O fogo que queima \u00e9 uma m\u00e1scara do real\u201d. De um real sem lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da Cinemateca Nacional, penso nos filmes ruins ou geniais que nos faziam rir, chorar, reclamar do \u00e1udio, elogiar avan\u00e7os e desempenhos, amar ou detestar, morrendo antes do tempo de os letreiros subirem e o Fim se inscrever na tela. L\u00e1 est\u00e3o eles, entre Deus e o Diabo na terra do sol, ardendo de descaso e ataque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amaral (2021), reafirma que \u201co maior acervo brasileiro de cinema, que cont\u00e9m a mem\u00f3ria de mais de cem anos de imagens, hoje n\u00e3o possui ningu\u00e9m para zelar por ele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Li mais de uma vez um texto de Rancier\u00e8 que nunca me serviu para absolutamente nada, a n\u00e3o ser para voltar a ele, at\u00e9 que uma frase se imp\u00f4s durante a escrita deste: \u201cAs imagens querem realmente viver?\u201d. Ele nomeia as imagens de \u201cquase-corpo\u201d (RANCIER\u00c8, 2015, p. 201), e afirma: \u201cas imagens, elas mesmas, n\u00e3o querem nada, sen\u00e3o que as deixem tranquilas\u201d (RANCIER\u00c8, 2015, p.200). Se amamos v\u00ea-las, \u00e9 pela capacidade que temos e lhes emprestar ou de lhes subtrair ao mesmo tempo vida e vontade.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">REFER\u00caNCIAS:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALPERS, S. O museu como uma forma de ver. In: <em>\u00c9tica e est\u00e9tica<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AMARAL, C., Uchoa, A., et ali. <em>Inc\u00eandio n\u00e3o foi acidente. <\/em><em>Cinemateca entre o deserto e a miragem<\/em>. In: <em>Le Monde <\/em>Brasil<em> Diplomatique.<\/em> Disponivel em:<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/cinemateca-entre-o-deserto-e-a-miragem\/\">https:\/\/diplomatique.org.br\/cinemateca-entre-o-deserto-e-a-miragem\/<\/a> Acesso em: Set. 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARENT, H. A Promessa da Pol\u00edtica. Rio de Janeiro: Diefel, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BURKE, J. <em>Deuses de Freud \u2013 a cole\u00e7\u00e3o de arte do pai da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRIOLE, G. Um real para o s\u00e9culo XXI. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.congresamp2014.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Un-reel-pour-le-XXIe-siecle_Guy-Briole.html\">http:\/\/www.congresamp2014.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Un-reel-pour-le-XXIe-siecle_Guy-Briole.html<\/a> Acesso em: Set. 2021<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIEGUES, C. Entrevista em \u00e1udio. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/noticia\/2021\/07\/31\/tragedia-anunciada-os-5-incendios-que-ja-consumiram-a-cinemateca.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/noticia\/2021\/07\/31\/tragedia-anunciada-os-5-incendios-que-ja-consumiram-a-cinemateca.ghtml<\/a>. Acesso em: Set. 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIDI-HUBERMAN, G. <em>O que vemos, o que nos olha<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. (1953). Fun\u00e7\u00e3o e Campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar editor, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, J. (1975). O Semin\u00e1rio O sintoma, livro 23. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MATT\u00c8I, J-F. Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie. In: <em>\u00c9tica e est\u00e9tica<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2001<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RANCI\u00c8RE, J. As imagens querem realmente viver? In: <em>Pensar a imagem<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRUFFAUT, F. <em>O prazer dos olhos, escritos sobre cinema<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O clube reunia o cr\u00edtico de cinema Paulo Em\u00edlio Salles Gomes, o cr\u00edtico liter\u00e1rio Ant\u00f4nio Candido e cr\u00edtico teatral D\u00e9cio de Almeida Prado, pertencente ao Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, desligando-se em 1956, quando passa a chamar-se Cinemateca Brasileira. Em 1984 passa a ser responsabilidade do Governo Federal.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":5128,"menu_order":33,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[97,98,92],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6380","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-articulos-cine-pt-br","portfolio_category-cine-pt-br","portfolio_category-redes-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6380"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6380\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6380"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6380"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}