{"id":6381,"date":"2021-09-17T12:09:40","date_gmt":"2021-09-17T15:09:40","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/pais-e-filhos-rede-cinema-e-psicanalise\/"},"modified":"2021-09-17T12:09:40","modified_gmt":"2021-09-17T15:09:40","slug":"pais-e-filhos-rede-cinema-e-psicanalise","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/pais-e-filhos-rede-cinema-e-psicanalise\/","title":{"rendered":"Pais e filhos &#8211; Rede Cinema e Psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-1 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-three\"><h3 class=\"fusion-title-heading title-heading-left\" style=\"margin:0;\">Rede Cinema e Psican\u00e1lise &#8211; FAPOL<\/h3><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong>Atividade da EBP-Rio<\/strong><br \/>\n07\/2021<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Filme<\/strong>: Pais e filhos<\/li>\n<li><strong>Dire\u00e7\u00e3o<\/strong>: Hirokazu Koreeda<\/li>\n<li><strong>T\u00edtulo original<\/strong>: Soshite Chichi Ni Naru<\/li>\n<li><strong>G\u00eanero<\/strong>: Drama<\/li>\n<li><strong>Ano<\/strong>: 2013<\/li>\n<li><strong>Pa\u00eds de origem<\/strong>: Jap\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-2 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-four\"><h4 class=\"fusion-title-heading title-heading-left\" style=\"margin:0;\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h4><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 um pai? Que fun\u00e7\u00e3o tem a fam\u00edlia para a crian\u00e7a? E o que faz ela com a fam\u00edlia e a vers\u00e3o de pai que inventa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rede Cinema e Psican\u00e1lise &#8211; FAPOL\/EBP organizou a primeira atividade deste ano com um filme de Hirokazu Kore-eda, diretor conhecido por abordar frequentemente o tema da fam\u00edlia e da paternidade em sua filmografia. Neste sentido, a escolha de Pais e Filhos (2013), para o dia 15 de julho, foi certeira e movimentou um rico debate como mostram os textos de Cristina Drummond, nossa convidada, e de Ana Beatriz Freire.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ana Martha Maia<\/strong> e <strong>Ana Beatriz Freire<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-3 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-3 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-four\"><h4 class=\"fusion-title-heading title-heading-left\" style=\"margin:0;\">Coment\u00e1rios &#8211; Cristina Drummond<\/h4><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-3\"><p style=\"text-align: justify;\">Podemos ler esse filme como uma interroga\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 o pai: o progenitor ou aquele que cuida e educa? Como a psican\u00e1lise pode nos ajudar a buscar respostas para essa pergunta? Numa narrativa delicada temos uma trama complexa entre tradi\u00e7\u00e3o familiar, j\u00e1 que ele \u00e9 contextualizado na cultura japonesa, e a interfer\u00eancia da ci\u00eancia na paternidade e na reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme come\u00e7a com a crian\u00e7a se nomeando e dizendo sua idade: Keita Nonomiya, seis anos. Estamos diante de um pequeno sujeito, rodeado por seus pais e bem representado pelos significantes que o situam em nosso universo simb\u00f3lico. Ele est\u00e1 sendo avaliado para entrar na escola particular onde seu pai estudou. O pai diz que ele \u00e9 um menino que se parece mais com a m\u00e3e, com temperamento calmo e bondoso com os outros. Um pouco decepcionante para esse pai que o queria mais competitivo, tal como ele mesmo se v\u00ea, e que enxerga a calma da crian\u00e7a como um defeito, um tra\u00e7o fora de suas expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Keita mente na avalia\u00e7\u00e3o ao dizer que seu pai o levou para acampar e soltar pipa nas f\u00e9rias e que sua m\u00e3e lhe preparou panquecas. O menino diz que foi a professora que o ensinou essa boa resposta. Somos apresentados inicialmente a uma vers\u00e3o do pai que se iguala \u00e0 lei e que tem a f\u00f3rmula de garantir o sucesso na vida do filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ryota, pai de Keita, \u00e9 arquiteto e em seu trabalho coloca uma fam\u00edlia na maquete. A fam\u00edlia \u00e9 uma imagem que comp\u00f5e o cen\u00e1rio do mundo bem desenhado e calculado. Enquanto ele se dedica muito, trabalhando inclusive aos domingos, o seu patr\u00e3o lhe diz que sobra tempo para conviver com sua fam\u00edlia. A quest\u00e3o do tempo e da imagem perpassam o filme em v\u00e1rios momentos, nos fazendo desdobrar suas dimens\u00f5es para revelar o real ao qual elas respondem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ryota quer que o filho treine tocar piano todos os dias. Essa \u00e9 sua f\u00f3rmula de sucesso: dedica\u00e7\u00e3o total. Tal como ele diz: n\u00e3o tenho tempo para perder com fracassados. A m\u00e3e lhe diz que seu filho se esfor\u00e7a para agrad\u00e1-lo, busca se identificar com o ideal paterno e nisso ele n\u00e3o tem limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais recebem ent\u00e3o um telefonema do hospital onde Keita nascera com a not\u00edcia de que seu filho havia sido trocado. O exame de sangue do menino n\u00e3o combinava com o dos pais e Ryota faz uma pergunta estranha: nem com o meu? Como se ele pudesse estar exclu\u00eddo mais uma vez do real da vida. A verdade, como diz o m\u00e9dico do hospital, ser\u00e1 revelada atrav\u00e9s do exame de DNA. De que verdade ele estava falando? Que verdade \u00e9 essa que a ci\u00eancia pretende sustentar forcluindo, como Lacan nos diz, o sujeito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Keita fotografa a comemora\u00e7\u00e3o por ter passado no exame e apenas de m\u00e3os dadas com os pais, no meio deles na cama, fala: os quatro. Conta de seu lugar enla\u00e7ado a eles, anseio de ser um sintoma daquele par parental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ryota diz que agora ele entende. O que exatamente ele f\u00f3rmula com essa frase \u00e9 a cren\u00e7a de que a subjetividade singular de seu filho, distinta da dele, possa ser inscrita em sua gen\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai reclama que a mulher escolheu um hospital de prov\u00edncia para ter o filho. Ela diz que ela e os irm\u00e3os nasceram l\u00e1 e que como ele n\u00e3o tinha tempo ela se sentia sozinha e pelo menos sua pr\u00f3pria m\u00e3e podia ficar com ela. Ela afirma ao ver as fotos do filho beb\u00ea: sou a m\u00e3e. Lugar que ela n\u00e3o coloca em d\u00favida. O que ela evidencia o tempo todo \u00e9 o lugar de devasta\u00e7\u00e3o que seu marido ocupa para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 o encontro com o casal Saiki, pais biol\u00f3gicos de Keita. Trocam fotos e o pai mostra um v\u00eddeo de Ryusei brincando numa pescaria com os irm\u00e3os. Imagem viva, com som e movimento, muito diferente da imagem de menino perfeito que a foto de Keita retratava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Midori, m\u00e3e de Keita diz que ficou muito doente e teve hemorragias depois do parto. O pai de Ryusei diz que escolheu o nome do filho porque ele nascera em um dia ensolarado, pictograma da escrita do nome. Experi\u00eancias muito distintas do encontro com o objeto real que uma crian\u00e7a encarna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico diz que na maioria dos casos como este os pais escolhem trocar os filhos e que isto deve ser feito o mais cedo poss\u00edvel, em dois meses. O pai de Ryusei diz que seus filhos est\u00e3o sendo tratados como animais de estima\u00e7\u00e3o. O advogado do hospital estava estudando a situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da ci\u00eancia se recorre \u00e0 fic\u00e7\u00e3o da lei para dar uma solu\u00e7\u00e3o que cuide do futuro das crian\u00e7as, reduzidas a objetos submetidos aos discursos que se disp\u00f5em a falar delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A av\u00f3 paterna diante de um altar introduz a leitura do preconceito e da inveja como raz\u00f5es poss\u00edveis do ocorrido. O chefe diz que isso foi uma trag\u00e9dia e Ryota apenas lhe diz que isso n\u00e3o afetar\u00e1 o seu desempenho profissional. O patr\u00e3o lhe sugere criar os dois, modo de n\u00e3o perder nada e evitar uma escolha. Mais uma orienta\u00e7\u00e3o que exclui qualquer escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai de Ryusei parece querer tratar a situa\u00e7\u00e3o visando um ganho financeiro e o pai de Keita sugere o recurso a um advogado. O pai de Ryusei brinca com as crian\u00e7as e a m\u00e3e escreve um bilhete para Midori onde diz que pode contar com ela. Ryota pensa que talvez tenham que processar o casal. Ele n\u00e3o quer que a situa\u00e7\u00e3o fique p\u00fablica e quer a guarda dos meninos, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o do patr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advogado surpreendido lhe pergunta se ele quer ser pai do outro menino. Ele foge da pergunta e responde que gostaria que o menino morasse com eles porque tem o seu sangue. O advogado lhe diz que o sangue n\u00e3o tem import\u00e2ncia e que Ryota sempre teve problemas com seu pai. E sugere que em lugar de dar dinheiro ao outro se una a ele processando o hospital. Decidem com os advogados experimentar trocar as crian\u00e7as de casa no final de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ryota diz ao filho que estar na casa de Ryusei vai ser uma esp\u00e9cie de miss\u00e3o, como se se tratasse de um v\u00eddeo game, para que ele crescesse e ficasse mais forte. As diferen\u00e7as na maneira de as fam\u00edlias educarem seus filhos logo aparece. Enquanto Ryota trabalha o tempo todo o lema do pai de Ryusei \u00e9: deixe para amanh\u00e3 o que pode fazer hoje e por isso \u00e9 muito mais presente na vida dos filhos. Cada pai com seu sintoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Midori visivelmente angustiada prop\u00f5e ao filho fugir para um lugar onde n\u00e3o os conhe\u00e7am. E o menino pergunta o que aconteceria com o pai. Para ele seu pai n\u00e3o poderia perd\u00ea-lo, o que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o seguro para sua m\u00e3e. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o consegue sair do lugar de submetida aos desmandos de seu marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A m\u00e3e de Ryota diz que a casa deles parece um hotel e diz ao filho que o que importa \u00e9 quem cria os filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saiki, o pai de Rysei, diz que, apesar de existirem muitos tipos de fam\u00edlia, Ryota deveria ter mais tempo com o filho pois ningu\u00e9m poderia substitui-lo em seu papel de pai. Aparece aqui a ideia de fun\u00e7\u00e3o paterna e da necessidade do tempo e do encontro para que ela seja encarnada. Ser pai implica em poder dar o que n\u00e3o se tem, no caso de Ryota, tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No julgamento, a enfermeira confessa que trocou as crian\u00e7as porque achava dif\u00edcil ter que cuidar dos filhos do marido e como os pais de Keita eram ricos, ela queria que eles tamb\u00e9m tivessem problemas e falta. Aparece aqui uma mulher para al\u00e9m da m\u00e3e e cujo gozo a autoriza a causar uma falta na vida de outra mulher\/m\u00e3e que ela considerava como tendo, quando ela n\u00e3o tinha. A crian\u00e7a aparece aqui como objeto n\u00e3o mercadoria, mas objeto de um gozo obscuro, n\u00e3o inscrita em uma rela\u00e7\u00e3o desejante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s da posi\u00e7\u00e3o de Ryota de evitar a castra\u00e7\u00e3o a qualquer custo, existe tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria da sua rela\u00e7\u00e3o com o pai. Ele vai visitar seu pai com seu irm\u00e3o. Seu inc\u00f4modo ali \u00e9 not\u00e1vel. Seu pai conta que \u00e9 zelador de um pr\u00e9dio e que sua mulher tamb\u00e9m trabalha. Ele aposta em cavalos. Sua teoria \u00e9 que as fam\u00edlias s\u00e3o assim, mesmo que os filhos n\u00e3o vivam com os pais, eles se parecem com eles. \u00c9 uma quest\u00e3o biol\u00f3gica, de sangue, s\u00e3o como os cavalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher do pai diz que o que importa \u00e9 a conviv\u00eancia, foi o que ela aprendeu cuidando dos filhos do marido. A m\u00e3e de Ryusei diz que Ryota n\u00e3o tem um verdadeiro la\u00e7o de amor com seu filho. O discurso das mulheres no filme traz sempre a marca da falta e do amor como tratamento do limite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles decidem trocar as crian\u00e7as. Keita pergunta se os pais de Ryusei o amariam mais que seu pai e ele invcrivelmente responde que sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na casa deles Ryusei pergunta v\u00e1rios porqu\u00eas e sobretudo porque deveria cham\u00e1-lo de pai j\u00e1 que ele n\u00e3o o era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra das crian\u00e7as entra aqui, apesar de n\u00e3o ser escutada, fazendo furo nesse discurso que as reduzia a objetos fora da linguagem, seja objetos mercadoria, de troca, seja objetos de um gozo obscuro de seus outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos ent\u00e3o uma mudan\u00e7a em Ryota a partir dessa experi\u00eancia. Ao ver a rela\u00e7\u00e3o do enteado com a enfermeira ele telefona para sua madrasta para lhe pedir desculpas. Mas ainda falta. Ryusei foge para sua casa e Ryota o busca de volta. Ent\u00e3o ele pode contar \u00e0 mulher que tamb\u00e9m havia fugido de casa para encontrar com sua m\u00e3e, mas que seu pai o buscara tal como ele acabara de fazer. Enfim surge a enuncia\u00e7\u00e3o de Ryota, sua hist\u00f3ria de fam\u00edlia e sua posi\u00e7\u00e3o de defesa diante da perda de sua m\u00e3e, um sujeito que se apresentava como disposto a ganhar sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 s\u00f3 ao se defrontar com o olhar do filho nas fotos que este havia feito dele dormindo, que Ryota, neste longo tempo para compreender, pode se dar conta do que pode transmitir ao filho e enfim reconhecer sua paternidade. Tal como o filho, ele tamb\u00e9m se recusara a tocar piano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 \u00e0 cargo da fam\u00edlia transmitir um desejo n\u00e3o an\u00f4nimo e dar uma resposta sobre as rela\u00e7\u00f5es adequadas entre os homens e as mulheres. A fam\u00edlia escreve a rela\u00e7\u00e3o pai-m\u00e3e e n\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o homem-mulher e est\u00e1 suportada pelas identifica\u00e7\u00f5es. \u00c9 sobre essas identifica\u00e7\u00f5es que se forma o supereu, a partir do lugar do pai como lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 50 Lacan introduziu a met\u00e1fora paterna como uma leitura da rela\u00e7\u00e3o entre a lei paterna e o desejo da m\u00e3e e indicava que cada sujeito se inscrevia de uma forma singular nessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses tempos, em seu sem 5 Lacan diz que a car\u00eancia paterna n\u00e3o estava ligada \u00e0 aus\u00eancia da pessoa do pai. Dizer que o pai \u00e9 uma met\u00e1fora, tal como ele escreveu na met\u00e1fora paterna, \u00e9 dizer que o pai \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o. Nela, o pai \u00e9 um significante, \u00e9 o instrumento para resolver o gozo pelo sentido. Mais tarde, essa dissocia\u00e7\u00e3o da pessoa do pai chega a fazer do pai uma nomea\u00e7\u00e3o de RSI e o pai al\u00e9m de ser uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica passa a ser uma fun\u00e7\u00e3o real que atua sobre o real do sexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao colocar em Nota sobre a crian\u00e7a a \u00eanfase na fun\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o de um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo, Lacan indica que essa fun\u00e7\u00e3o deve estar encarnada, n\u00e3o necessariamente por algu\u00e9m de um determinado sexo. A transmiss\u00e3o de como cada pai pode encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo \u00e9 como essa fun\u00e7\u00e3o pode orientar cada filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme nos ensina sobre a necessidade da encarna\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o paterna e que ela tamb\u00e9m depende da hist\u00f3ria subjetiva daquele que a exerce. Cada um inventa seu pai, mas h\u00e1 que se conceder com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a psican\u00e1lise nos abre como possibilidade de pensar a fun\u00e7\u00e3o paterna nas experi\u00eancias contempor\u00e2neas n\u00e3o cabe nem nas respostas da ci\u00eancia, nem da lei, nem do puro simb\u00f3lico. Nos cabe, tal como Lacan nos convida a fazer, n\u00e3o permitir que o real do corpo da crian\u00e7a responda a esse lugar obscuro onde muitas vezes ela corre o risco de cair.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-4 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-3 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-4 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-four\"><h4 class=\"fusion-title-heading title-heading-left\" style=\"margin:0;\">Um coment\u00e1rio &#8211; Ana Beatriz Freire<\/h4><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\"><p style=\"text-align: justify;\">Ryota (<a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/personalidades\/personalidade-258230\/\">Masaharu Fukuyama<\/a>) trabalha no ramo imobili\u00e1rio e \u00e9 um perfeito exemplar do\u00a0<em>workaholic<\/em>\u00a0do mundo capitalista. Sua rela\u00e7\u00e3o com o filho Keita (<a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/personalidades\/personalidade-639289\/\">Keita Ninomiya<\/a>) \u00e9 idealizada segundo a modalidade da produtividade, manifesto no desejo que seu filho fosse o melhor na escola. O filme come\u00e7a com a entrevista dos pais de Keita para entrar em uma nova escola e o pai Ryota, grande executivo arquiteto, j\u00e1 demostra a defasagem entre esse ideal e Keita, o filho propriamente dito, que \u00e9 sens\u00edvel e, segundo suas expectativas, pouco competitivo e parecido com a m\u00e3e em sua fragilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio do filme mostra o cotidiano de Ryota, tocar piano, deveres escolares sempre acompanhado da m\u00e3e e na aus\u00eancia do pai muito ocupado. Mostra a frieza desse cotidiano e o pouco desejo e alegria de Keita nessas tarefas que, entretanto, realiza com afinco com a finalidade de preencher o ideal paterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme tem uma reviravolta quando a equipe do hospital onde Keita nasceu liga e solicita uma reuni\u00e3o e anuncia que o filho Keita foi trocado na maternidade por um outro menino que hoje, depois de seis anos, vive como se fosse filho de outra fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma transforma\u00e7\u00e3o radical, com essa not\u00edcia de que o menino \u00e9 filho de outra fam\u00edlia, tamb\u00e9m v\u00edtima da troca de beb\u00eas na maternidade. Agora, seis anos depois, quatro adultos, duas crian\u00e7as e seus irm\u00e3os precisam aprender uma nova realidade cheia de contrastes. \u00c9 hora de recome\u00e7ar, conviver com o fato e, principalmente, elaborar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o claro objetivo de evidenciar estas vidas distintas &#8211; agora cruzadas &#8211; o roteiro vai semeando uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es de puro antagonismo entre os pais, tanto do lado financeiro, quanto amoroso e afetivo. O cineasta\u00a0japon\u00eas <a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/personalidades\/personalidade-30076\/\">Hirokazu Koreeda<\/a>\u00a0n\u00e3o hesitou em\u00a0carregar nas cenas para envolver ao m\u00e1ximo o espectador, a ponto de nos deixar em d\u00favida sobre o que seria certo ou errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Koreeda que retrata frequentemente a hist\u00f3ria de fam\u00edlia, privilegia, nesse filme, os la\u00e7os afetivos n\u00e3o sangu\u00edneos, embaralha e nos surpreende colocando em xeque o limiar t\u00eanue entre o dito natural e constru\u00eddo na constitui\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os. Construindo, desconstruindo e depois construindo novamente o conceito de fam\u00edlia com imagens evocativas de um lirismo emocionante, apresenta, desde o t\u00edtulo, a quest\u00e3o: o que constitui a rela\u00e7\u00e3o pais e filhos, ou o que constitui uma fam\u00edlia? O dinheiro, a escola, o afeto, a educa\u00e7\u00e3o ou a consanguinidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O diretor opta pela n\u00e3o escolha de ju\u00edzos de valor morais, entretanto, n\u00e3o deixa de abordar uma \u00e9tica nas rela\u00e7\u00f5es dessas fam\u00edlias. Como comentamos sobre outro filme, \u201cAssunto de fam\u00edlia\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, a \u00e9tica, segundo Gilles Deleuze, \u00e9 oposta \u00e0 moral: enquanto a moral julga a vida a partir de valores transcendentes, bem e mal, valores metaf\u00edsicos, que se definem por regras, normas, tabus convencionais; a \u00e9tica \u00e9 referida em modos de exist\u00eancia que se orientam pela iman\u00eancia do desejo, estilo de vida e suas condi\u00e7\u00f5es de possibilidades.1 Nesse sentido, apesar de viverem em um delito legal, os beb\u00eas foram trocados, as fam\u00edlias vivem com seus sintomas e podemos constatar que a fam\u00edlia do filho dito leg\u00edtimo vive mais agregada, desejante e alegremente do que uma fam\u00edlia com la\u00e7os sangu\u00edneos leg\u00edtimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cAssunto de fam\u00edlia\u201d (2018) observamos que, apesar de viverem na ilegalidade e nos ilegalismos (furtos, raptos, falsifica\u00e7\u00e3o de identidade, omiss\u00e3o de cad\u00e1ver, amor interesseiro etc.), a \u00e9tica constitui a fam\u00edlia retratada no filme. Trata-se de uma \u00e9tica que se evidencia em v\u00e1rios momentos: quando o menino \u2018ladr\u00e3o\u2019 protege a irm\u00e3 de entrar no mundo da criminalidade; quando o patriarca Osamu demonstra compaix\u00e3o pela situa\u00e7\u00e3o de maus tratos da garotinha; quando Nobuyo escolhe ir para cadeia no lugar do marido; quando esta convoca o menino a escolher entre aquela fam\u00edlia \u2018forjada\u2019 e a sua fam\u00edlia consangu\u00ednea, duvidando de sua fun\u00e7\u00e3o como pais; quando o dono da mercearia denuncia fazer semblante de n\u00e3o perceber os pequenos furtos de Shota, mas o impede de envolver sua irm\u00e3 nesses atos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse filme anterior, Pais e filhos, o diretor tamb\u00e9m interroga os valores legais, quando a partir de uma infra\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a troca dos beb\u00eas, os personagens buscam sa\u00eddas na n\u00e3o legalidade, respeitando, entretanto, uma constru\u00e7\u00e3o segundo uma orienta\u00e7\u00e3o desejante, singular e \u00e9tica. Isso fica evidente, quando por exemplo, dividido pela culpa, a m\u00e3e tenta fugir com o filho que criou sem o consentimento da outra fam\u00edlia, do filho consangu\u00edneo e ou mesmo do pr\u00f3prio marido. Ou quando o pai executivo, rico com seus valores capitalistas, acha prec\u00e1ria a maneira da outra fam\u00edlia constituir e educar seu filho dito verdadeiro, isto \u00e9, aquele com la\u00e7os sangu\u00edneos, e prop\u00f5e, de forma indecorosa do ponto de vista moral, \u201ccomprar\u201d o filho da outra fam\u00edlia e educar os dois meninos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme se interroga pela \u00e9tica, transmiss\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o paterna quando em uma cena de um lirismo cinematogr\u00e1fico o pai mais humilde (que vive com os filhos em um comercio de pequenas vendas, uma mercearia eletr\u00f4nica) solicita ao pai Ryota &#8211; que agora decidiu seguir a recomenda\u00e7\u00e3o da equipe m\u00e9dica e criar o filho consangu\u00edneo &#8211; de transmitir como se solta pipa- tarefa que herdou de seu pai e que gostaria que seu filho, mesmo n\u00e3o consangu\u00edneo, mantivesse. Entre Keita e Ryusei, o outro filho, h\u00e1 um desafio e defasagem de investimentos, la\u00e7os e ideias vividos durante seis anos que n\u00e3o podem ser anulados. Como constata o \u201cnovo\u201d pai, as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o \u201cbichinhos de estima\u00e7\u00e3o que podem ser trocados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse filme<strong>, <\/strong>chama aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o papel das mulheres, que defrontando com o imposs\u00edvel da transmiss\u00e3o, conseguem construir la\u00e7os nas bricolagens, n\u00e3o sem afeto, das tarefas dom\u00e9sticas e educacionais. Com di\u00e1logos tocantes, a sensibilidade aflora em v\u00e1rios momentos como aquele em que a m\u00e3e revela se sentir traidora do filho &#8220;anterior&#8221;, por come\u00e7ar a gostar do atual (verdadeiro). Ou quando a m\u00e3e de Ryysei se aproxima da m\u00e3e de Keita ao confessar impossibilidade de ter outro filho,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim do filme nos surpreende quando o protagonista pai, Ryota, se ve vendo pela c\u00e2mera das fotos que tirava seu filho Keita. Nesses enquadramentos, seu filho antes de ir para a outra fam\u00edlia, fotografava diariamente o pai, como um apelo a uma poss\u00edvel fun\u00e7\u00e3o paterna, O pai nas fotos estava sempre dormindo, no excesso de trabalho parece n\u00e3o ter sobrado lugar para olhar e dar olhar ao filho, olhar este que fica na mem\u00f3ria de um aparelho fotogr\u00e1fico a espera de uma p\u00e9re-vers\u00e3o, vers\u00e3o do pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao se ver vendo na c\u00e2mera pelos olhos do filho, Ryota, que abriu m\u00e3o do amor do filho (ao responder ao filho que o outro casal vai am\u00e1-lo mais do que ele, seu pai), vai procura-lo e pedir desculpas pelo n\u00e3o olhar, pela aus\u00eancia de olhar. Em uma cena muito singela, no caminhar paralelo no parque, apesar da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o, ou pela admiss\u00e3o do furo, falha da fun\u00e7\u00e3o paterna, Ryota, consegue transmitir e humanizar-se como pai e Keita, por sua vez, a sua maneira, pode se servir do pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Freire, Ana Beatriz. \u201cA prop\u00f3sito do filme \u201cAssunto de fam\u00edlia\u201d\u201d. In: <em>Cinema e Psican\u00e1lise \u2013 uma homenagem \u00e0 Stella Jimenez<\/em>. Maia, A.M.W. (Org), Goi\u00e2nia: Editora Kelps.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":5127,"menu_order":34,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[97,98,92],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6381","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-articulos-cine-pt-br","portfolio_category-cine-pt-br","portfolio_category-redes-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6381"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6381\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6381"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6381"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}