{"id":6420,"date":"2021-06-29T18:21:30","date_gmt":"2021-06-29T21:21:30","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/el-odioamoramiento-de-la-lengua\/"},"modified":"2024-12-16T17:09:32","modified_gmt":"2024-12-16T20:09:32","slug":"o-amodio-da-lingua","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/o-amodio-da-lingua\/","title":{"rendered":"O am\u00f3dio da l\u00edngua"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\">Noite preparat\u00f3ria para o X Enapol<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Semin\u00e1rio Latino de Paris \u2013 26 maio 2021<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Nayahra Reis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Sofia Guaraguara me convidou para participar desta atividade sobre o tema \u00ab\u00a0Amor e Ex\u00edlio\u00a0\u00bb em articula\u00e7\u00e3o com o tema do Enapol, \u00ab\u00a0O novo no amor\u00a0\u00bb, confesso ter tido dificuldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, eu pensei em todos os participantes do Seminario Latino aqui presentes, todos exilados, vindos de diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, e ent\u00e3o pensei\u00a0: quando n\u00f3s deixamos nosso pa\u00eds, seja por uma escolha for\u00e7ada ou de forma volunt\u00e1ria, nos separamos imediatamente da nossa l\u00edngua materna. Esta, podemos entend\u00ea-la de duas formas\u00a0: como a primeira l\u00edngua que aprendemos, a l\u00edngua do nosso pa\u00eds de origem, com toda a sonoridade e musicalidade que ela engloba, mas tamb\u00e9m no sentido de <em>al\u00edngua<\/em>, como Lacan escrevou \u00ab\u00a0para designar a rela\u00e7\u00e3o de cada um com sua <em>al\u00edngua<\/em> dita materna\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A al\u00edngua n\u00e3o \u00e9 a linguagem, mesmo se esta \u00ab\u00a0\u00e9 uma elocubra\u00e7\u00e3o sobre a al\u00edngua\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>. Verdade que a al\u00edngua \u00e9 uma l\u00edngua transmitida pelo Outro e neste sentido, extima, mas ela tamb\u00e9m \u00e9 a l\u00edngua criada por cada ser falante. \u00c9 a sua l\u00edngua privada, \u00edntima, familiar, singular, constitu\u00edda pelos significantes que marcaram sua vida e que o alienaram para sempre ao discurso do Outro. A al\u00edngua deve ser entendida como uma letra, uma escritura de gozo que marca cada falasser na articula\u00e7\u00e3o entre significante e corpo, e que determina seu sinthoma, marca indel\u00e9vel na linguagem, desde o nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isto, e me baseando em duas hip\u00f3teses de Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse, &#8211; onde na primeira ela avan\u00e7a que \u00ab\u00a0no campo psicanal\u00edtico o ex\u00edlio \u00e9 um nome dado \u00e0 nossa rela\u00e7\u00e3o com a linguagem e a al\u00edngua\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>, e na segunda, ela aponta um paradoxo\u00a0: \u00ab\u00a0n\u00e3o h\u00e1 ex\u00edlio da linguagem porque n\u00e3o existe outra coisa al\u00e9m da linguagem para construir a estrutura do discurso e do la\u00e7o social, mas ao mesmo tempo, n\u00f3s somos todos exilados na linguagem\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a> -, como pensar as an\u00e1lises que acontecem em uma l\u00edngua estrangeira\u00a0? Dentre n\u00f3s, alguns escolheram fazer sua an\u00e1lise em franc\u00eas, o que os tornam duplamente exilados (do pa\u00eds e da l\u00edngua), enquanto que outros, fazem na sua l\u00edngua materna. O que uma cura anal\u00edtica pode nos ensinar a este respeito\u00a0? Quais os efeitos da separa\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua materna numa an\u00e1lise\u00a0?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Serge Cottet, num artigo intitulado \u00ab\u00a0Elogio da an\u00e1lise em l\u00edngua estrangeira\u00a0\u00bb o analisante imigrante, duplamente exilado, \u00ab\u00a0\u00e9 exilado de suas ra\u00edzes, com a nostalgia do objeto perdido, mas ele tamb\u00e9m \u00e9 privado do mais de gozar que \u00e9 o tesouro dos significantes que a l\u00edngua materna lhe assegura. \u00c9 como uma primeira castra\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, affirma Cottet, j\u00e1 que o enodamento ao gozo do dizer foi rompido e por esta raz\u00e3o, o \u00edntimo quando dito na l\u00edngua estrangeira, torna-se<em> extimo<\/em>\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A extra\u00e7\u00e3o da l\u00edngua materna e a passagem de uma l\u00edngua \u00e0 outra, &#8211; aqui \u00e9 uma ideia que tenho \u2013 precipita o sentimento de estranhamento a si mesmo, e nos reenvia de maneira flagrante ao nosso estranho familiar, tal que Freud nomeou, fazendo de cada um de n\u00f3s, um exilado. Mas o que dizer de uma an\u00e1lise realizada na sua pr\u00f3pria l\u00edngua materna\u00a0? Eu diria que nela tamb\u00e9m encontramos uma parte de Alteridade que habita cada sujeito. Assim, o encontro com a exterioridade \u00edntima, com a parte de alteridade que nos \u00e9 estrangeira e que nos escapa, est\u00e1 presente na estrutura da cura anal\u00edtica. O ex\u00edlio conota assim, como destacou M-H Brousse, uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva e neste sentido, \u00ab\u00a0\u00e9 raro que num determinado momento da sua trajet\u00f3ria anal\u00edtica, um sujeito que deixou tudo, n\u00e3o tenha o sentimento de ser um exilado\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que acontece neste momento da an\u00e1lise quando o ser falante experimenta este sentimento de ser um exilado, quando ele se confronta \u00e0 alteridade de si mesmo\u00a0? Seguindo a id\u00e9ia de Ana\u00eblle Lebovits-Quenehen de que \u00ab o \u00f3dio contra si mesmo seria uma consequ\u00eancia de uma <em>certa rela\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e0 alteridade, sob a forma de uma rejei\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ao mesmo tempo estranho e \u00edntimo em si\u00a0\u00bb<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>, eu proponho, a partir de uma observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, que alguns sujeitos podem testemunhar de uma rela\u00e7\u00e3o de am\u00f3dio diante da sua l\u00edngua ou seu pa\u00eds, quando diante das quedas das identifica\u00e7\u00f5es, eles se encontram numa escolha for\u00e7ada de se separar de tudo o que lhe era familiar e que lhe trazia satisfa\u00e7\u00e3o apesar do sofrimento e embara\u00e7o trazidos pelos seus sintomas. Um \u00f3dio de si mesmo pode ent\u00e3o surgir quando o falasser, assumindo \u00ab\u00a0a responsabilidade de sua posi\u00e7\u00e3o de sujeito\u00a0\u00bb, percebe que a enuncia\u00e7\u00e3o do seu desejo encontra-se aniquilada devido justamente \u00e0 sua aliena\u00e7\u00e3o ao discurso do Outro e acaba se enraivecendo da sua dificuldade de se separar disto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, se o amor \u00e0 l\u00edngua pode apresentar uma resist\u00eancia \u00e0 separa\u00e7\u00e3o com o \u00edntimo, o amor de transfer\u00eancia \u00e9 justamente o motor que possibilita o ser falante a suportar a experi\u00eancia extima que \u00e9 uma an\u00e1lise. Assim, uma an\u00e1lise pode levar o falasser a apaziguar alguns afetos desistabilizantes ligados aos efeitos da al\u00edngua, e assim ajud\u00e1-lo a encontrar novas solu\u00e7\u00f5es sinthom\u00e1ticas, em qualquer l\u00edngua, j\u00e1 que o <em>inconsciente \u00e9 translingu\u00edstico<\/em>, com a condi\u00e7\u00e3o se n\u00e3o se deixar engagar, pois da al\u00edngua, a gente n\u00e3o se exila nunca.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Lacan J., Le S\u00e9minaire XX\u00a0: Encore (1972-73), \u00c9ditions du Seuil, version poche, 1975, p.175.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> <em>Ibid<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Brousse M-H., \u00ab\u00a0Trauma et exil, le c\u00f4t\u00e9 des femmes\u00a0\u00bb, <em>Exils, regards psychanalytiques<\/em>, Association Genevoise des Psychologues, 2019, p.32.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Cf. Brousse M-H., \u00ab\u00a0L\u2019exil et la guerre\u00a0\u00bb, <em>Exils, regards psychanalytiques<\/em>, 2019, p.93.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> COTTET S., \u00ab\u00a0\u00c9loge de l\u2019analyse en langue \u00e9trang\u00e8re\u00a0\u00bb, <em>L\u2019information Psychiatrique<\/em>, 2007, vol.83, p.761.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Brousse M-H., Trauma et exil, <em>op<\/em>.<em>cit<\/em>., p.31<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Cf. Lebovits-Quenhehen A., Actualit\u00e9 de la haine, Navarin \u00c9diteur, 2020, pp. 94-100.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nayahra Reis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6439,"menu_order":65,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6420","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6420"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6441,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6420\/revisions\/6441"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6420"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6420"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}