{"id":6424,"date":"2021-06-29T18:03:31","date_gmt":"2021-06-29T21:03:31","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/pandrogenia-la-pareja-genesis-y-lady\/"},"modified":"2024-12-16T17:16:14","modified_gmt":"2024-12-16T20:16:14","slug":"pandrogenia-o-casal-genesis-e-lady-jaye","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/pandrogenia-o-casal-genesis-e-lady-jaye\/","title":{"rendered":"Pandrogenia: o casal Genesis e Lady Jaye"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\">Noite preparat\u00f3ria para o X ENAPOL &#8211; Amor e ex\u00edlio<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Seminario Latino de Paris, 26 maio 2021<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Juliane Casarin<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a discuss\u00e3o do tema da nossa noite, eu gostaria de propor uma articula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria de amor. Com o semin\u00e1rio <em>Mais, Ainda <\/em>(1972-1973)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, Lacan nos precisa que o amor pode exercer fun\u00e7\u00e3o de supl\u00eancia \u00e0 n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual. E esta proposta implica a presen\u00e7a do corpo real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia do corpo no ensino de Lacan pode ser abordada a partir da l\u00f3gica do enla\u00e7amento dos registros subjetivos, real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Temos, assim: o corpo simb\u00f3lico e suas marcas significantes; o corpo imagin\u00e1rio e suas representa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o a ilus\u00e3o da unidade corporal<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e o corpo real, sede das puls\u00f5es e do gozo. Com o enfraquecimento do Nome-do-Pai, que outrora organizava verticalmente a economia libidinal, Lacan nos apresentou diversas orienta\u00e7\u00f5es diante da pluraliza\u00e7\u00e3o dos modos de gozo. Uma delas \u00e9 uma b\u00fassola preciosa para o trabalho psicanal\u00edtico e me incentivou para esta interven\u00e7\u00e3o. Trata-se de ter como horizonte alcan\u00e7ar a subjetividade da \u00e9poca<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partamos da seguinte premissa: \u00a0ter um corpo \u00e9 um efeito de linguagem. Diferentemente das ci\u00eancias biol\u00f3gicas, para a psican\u00e1lise, ser homem, mulher, transexual, intersexo, <em>queer<\/em>, coloca em evid\u00eancia a fun\u00e7\u00e3o do semblante. Isto \u00e9, trata-se de uma constru\u00e7\u00e3o subjetiva, misto de imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico. No que concerne a sexua\u00e7\u00e3o dos seres falantes, o sexo biol\u00f3gico n\u00e3o determina a posi\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo ensino de Lacan nos fornece uma orienta\u00e7\u00e3o que coloca em evidencia a fun\u00e7\u00e3o do gozo Uno, do corpo pr\u00f3prio. Do encontro traum\u00e1tico (<em>troumatique<\/em>) com a linguagem, cada um \u00e9 confrontado ao real das marcas da <em>al\u00edngua<\/em> sobre o corpo, que configura o exilio pr\u00f3prio de cada <em>falasser<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casal formado por Genesis Breyer P-Orridge e Lady Jaye nos ensina que, no inconsciente, n\u00e3o existe \u00e0 priori para se posicionar enquanto homem ou mulher. Do encontro contingente, fulgurante, entre esses dois seres falantes, surgiu uma hist\u00f3ria de amor. Desse amor, nasceu um projeto, a Pandrogenia. Este projeto \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o sinthom\u00e1tica que uniu o casal em seu ex\u00edlio singular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Genesis, artista de origem inglesa, fez parte do movimento de cria\u00e7\u00e3o da m\u00fasica industrial a partir da d\u00e9cada de 1970. Membro do COUM Transmissions, dos grupos musicais Throbbing Gristle e Psychic TV, Genesis, incialmente uma personagem mulher transexual, \u00e9 fruto de uma inven\u00e7\u00e3o de Neil Magson. Um processo de mudan\u00e7a de nome foi realizado quando Neil Magson tinha vinte e um anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, Genesis se fez um nome pr\u00f3prio, lan\u00e7ou-se numa busca por sua identidade e gostaria de ter podido utilizar o termo n\u00e3o bin\u00e1rio em seus documentos. Em seu percurso, Genesis n\u00e3o apresentou o desejo de realizar a cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual e teve duas filhas de um primeiro casamento com Paula P-Orridge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s algumas performances controversas terem provocado conflitos com o governo ingl\u00eas, Genesis se exilia para os Estados Unidos e se instala em Nova York. Ela se sentia fora dos costumes e da moral inglesa desde sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terras americanas, durante ume festa libertina, Genesis e Jaye se encontram. Jaye tinha uma dupla jornada de trabalho: enfermeira de dia e dominatrix \u00e0 noite. A fluidez das posi\u00e7\u00f5es sexuadas, homem\/mulher, esteve presente ao longo da hist\u00f3ria deste casal. Por exemplo, Genesis inventou uma forma de utilizar os pronomes pessoais em ingl\u00eas, ela (she) e ele (he): <em>S\/HE<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro delas \u00e9 descrito por Genesis como um amor \u00e0 primeira vista. O corpo de Jaye provocou em Genesis uma capta\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que ressoou em seus registros simb\u00f3lico e real. Jaye incarnou um eu-duplo, suporte imagin\u00e1rio, sobre o qual Genesis p\u00f4de se apoiar para tentar fazer existir, para dar forma, contorno, ao seu corpo. Uma identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que desencadeou uma busca pelo corpo dA mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto Pandrogenia encontrou inspira\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica liter\u00e1ria do <em>cut-up<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em>. Ele foi definido por Genesis como a cria\u00e7\u00e3o de um terceiro ser, um terceiro esp\u00edrito<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, ou entidade, a partir de dois corpos e almas. De certa forma, como no mito doa androginia apresentado por Arist\u00f3fanes no <em>Banquete<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em> de Plat\u00e3o. Contudo, a inven\u00e7\u00e3o do casal foi de realizar transforma\u00e7\u00f5es no corpo, atrav\u00e9s das cirurgias est\u00e9ticas. O objetivo delas era que Genesis e Jaye se tornassem id\u00eanticas fisicamente, numa tentativa de se fusionar. O corpo de Jaye foi o modelo para as mudan\u00e7as f\u00edsicas de Genesis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Genesis e Jaye, o corpo f\u00edsico n\u00e3o passava de um simples saco de transporte do esp\u00edrito. Para as duas, n\u00e3o havia limites para a realiza\u00e7\u00e3o do experimento, pois, para elas, o amor era capaz de tudo. Dessa forma, com o projeto Pandrogenia, Genesis e Jaye, nos apresentaram uma tentativa de fazer existir, no real, com o corpo, a rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Jacques Lacan, (1972-1973), <em>Le S\u00e9minaire, Livre XX, Encore<\/em>, Seuil, Paris, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Jacques-Alain Miller, \u201cL&#8217;inconscient et le corps parlant\u201d, Pr\u00e9sentation du th\u00e8me du X\u00e8me Congr\u00e8s de l&#8217;AMP \u00e0 Rio em 2016, Le corps parlant \u2013 Sur l&#8217;inconscient au XXI\u00e8me si\u00e8cle, Scilicet, Ecole de la Cause Freudienne, \u00a0Paris, p. 26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Jacques Lacan, (1953), \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem\u201d, <em>Escritos<\/em>, Zahar, Rio de Janeiro, 1998, p. 321.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse, \u201cL&#8217;exil et la guerre\u201d, <em>Exils, regards psychanalytiques,<\/em> 2019, p. 93.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> T\u00e9cnica liter\u00e1ria criada por Brion Gysin e Williams Burroughs, que consiste a criar um terceiro a partir de dois peda\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Inspirados nos trabalhos do artista e escritor americano William Burroughs (1914-1997).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Platon, <em>Le Banquet<\/em>, traduction et pr\u00e9sentation par Luc Brisson, Paris, Flammarion, 2016.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliane Casarin<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6458,"menu_order":70,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"portfolio_category":[],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6424","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6424"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6461,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6424\/revisions\/6461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6424"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6424"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}