{"id":6442,"date":"2021-06-29T18:15:21","date_gmt":"2021-06-29T21:15:21","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/un-grito-de-mujer\/"},"modified":"2024-12-16T17:11:39","modified_gmt":"2024-12-16T20:11:39","slug":"um-grito-de-mulher","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/um-grito-de-mulher\/","title":{"rendered":"Um grito de mulher\u2026"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;O patriarcado \u00e9 um juiz, que nos julga por nascer e nosso castigo, \u00e9 a viol\u00eancia que v\u00f4ce n\u00e3o v\u00ea.&#8221; <\/em>Assim come\u00e7a a den\u00fancia do coletivo feminista Lastesis. Quatro mulheres tomam a cena para denunciar as opress\u00f5es ao corpo da mulher: trata-se de um manifesto do que Wajcman assinalava &#8220;as mulheres s\u00e3o os sintomas do mundo\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. O princ\u00edpio deste coletivo \u00e9 dar voz \u00e0s mulheres para denunciar como o Estado tem sido calado e foi c\u00famplice de todo tipo de atrocidades. Parece-me que daqui se pode tra\u00e7ar a singularidade deste coletivo, que n\u00e3o se inscreve s\u00f3 como um mais na s\u00e9rie de manifestos s, mas tal como o tinham feito os irm\u00e3os da horda primitiva no mito freudiano, Lastesis declaram um gozo do pai que vai por fora da lei. Elas querem gritar o fato de que, embora o violador ou o femicida seja um, este inscreve-se na s\u00e9rie do que elas denunciam como o estado opressor, como um macho violador, sendo o pr\u00f3prio sistema que permite calar o delito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;O feminic\u00eddio, impunidade para meu assassino, \u00e9 o desaparecimento, \u00e9 a viola\u00e7\u00e3o. E a culpa n\u00e3o era minha, nem onde estava nem como vestia, e a culpa n\u00e3o era minha nem onde estava nem como vestia&#8230; o violador \u00e9 v\u00f4ce.&#8221; <\/em>No coro da performance grita-se com for\u00e7a que a responsabilidade n\u00e3o \u00e9 da mulher, que ela como qualquer outro tem direito a se vestir sem pensar que pode provocar um ato desmedido. Ou seja, assume-se que a mulher \u00e9 objeto de desejo, mas se denuncia que n\u00e3o deve ser tratada, exclusivamente, como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o de Lastesis \u00e9 levar teses feministas para traduzi-las, sintetiz\u00e1-las e ver como nessa decodifica\u00e7\u00e3o a performance se transforma em l\u00edngua de sinais e que pela sua vez \u00e9 traduzida em diferentes l\u00ednguas e que foi aplic\u00e1vel \u00e0 uma realidade\u00a0 terminou dando a volta ao mundo, como um grito contra a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, h\u00e1 um detalhe que coloca este grito sob uma certa particularidade. Um m\u00eas antes da primeira apari\u00e7\u00e3o de Lastesis, tinha come\u00e7ado o que se chama a explos\u00e3o social no Chile, milhares de manifestantes, durante meses, tomaram as ruas o que levou a uma viol\u00eancia extrema. Embora, Lastesis venham proclamar a queda do patriarcado, sabemos que n\u00e3o \u00e9 nada novo, como nos recorda Miller em sua conversa em torno de seu livro &#8220;Pol\u00eamicas pol\u00edticas&#8221;. A \u00e9poca da queda do pai, que j\u00e1\u00a0 estava-se dando h\u00e1 muitos anos, confronta-nos a um momento posterior: que n\u00e3o haja um pai, \u00e9 que n\u00e3o haja uma fun\u00e7\u00e3o que possa fazer limite. Miller nos lembra que o t\u00edtulo do semin\u00e1rio XIX de Lacan &#8220;&#8230; Ou pior&#8221; deve seu nome justamente a esse fen\u00f4meno, ou \u00e9 o pai que governa ou estamos na era do pior. Os tr\u00eas pontos antes do pior representam o pai, como Miller diz \u00e9 o pai ou pior<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.\u00a0 Pois bem, Lastesis aclama as atrocidades do pai, no meio de uma explos\u00e3o que deixou v\u00e1rias pessoas sem um olho, ou sem ambos em casos emblem\u00e1ticos. Trata-se de um grito, no meio de uma crise, &#8220;\u00e9 o real em f\u00faria, imposs\u00edvel de manejar<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u201d. Este grito feminista proclama, canta o que acontece justamente quando o pai deixa de operar em sua fun\u00e7\u00e3o. &#8220;Dorme tranq\u00fcila menina inocente, sem te preocupar do bandoleiro que por teus sonhos doce e sorridente vela teu amante o carabineiro&#8221;: trata-se de uma parte textual do hino dos carabineiros no Chile. Aclama-se isto antes de gritar que o violador s\u00e3o os &#8220;pacos&#8221;, os ju\u00edzes, o estado, o presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, viola\u00e7\u00e3o\/estupro \u00e9 um problema social, e a viol\u00eancia de estado que se deu com a explos\u00e3o social tamb\u00e9m se orienta desse lado. Na era do pior, h\u00e1 uma desconfian\u00e7a nos ideais que leva \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o. Lastesis revelam como o sujeito \u00e9 governado ao Um de seu gozo, e que com isso n\u00e3o h\u00e1 limite poss\u00edvel que possa fazer um corte. Hoje o novo est\u00e1 em interpretar esta revolta como um gesto de amor para algo que ponha seu limite, para uma fun\u00e7\u00e3o -nova ou n\u00e3o- que permita nos afastar da feminiza\u00e7\u00e3o do mundo, forma de gozo que vai por fora da regula\u00e7\u00e3o f\u00e1lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se bem que a quest\u00e3o do amor pode se apresentar como o reverso do \u00f3dio, parece-me que h\u00e1 algo mais, neste grito que se op\u00f5e a toda forma de segrega\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 para menos que o coletivo de Lastesis utilizem a linguagem inclusiva, sob a id\u00e9ia de n\u00e3o deixar ningu\u00e9m fora e com isso anular toda diferen\u00e7a que separe algu\u00e9m de um todo. Eu diria que se trata de um amor ideal onde todos sejam nomeados desde o mesmo lugar, mas isto \u00e9 poss\u00edvel? Ao falar da linguagem inclusiva parece-me que h\u00e1 que fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre um impulso para que todos sejam representados a um impulso para eliminar toda forma de diferen\u00e7a. Porque sem diferen\u00e7a, Como n\u00f3s podemos nos constituir?<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Wajcman. G., \u00ab\u00a0Les s\u00e9ries, le monde, la crise, les femmes\u00a0\u00bb (2018), Paris, Editions Verdier, p. 18<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf\u00a0: Miller, J-A., \u00ab\u00a0Lanzamiento del libro \u2018Pol\u00e9minca politica\u2019\u201d, in\u00e9dito, 2 de mayo. Transmitido en youtube. https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=O-wi1rmWmGo&amp;t=8775s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Op. cit. p, 52<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soledad Pe\u00f1afiel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6443,"menu_order":66,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6442","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6445,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6442\/revisions\/6445"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6442"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6442"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}