{"id":6510,"date":"2021-04-10T20:00:12","date_gmt":"2021-04-10T23:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/podemos-saber-o-que-se-faz-no-infancias\/"},"modified":"2021-04-10T20:00:12","modified_gmt":"2021-04-10T23:00:12","slug":"podemos-saber-o-que-se-faz-no-infancias","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/podemos-saber-o-que-se-faz-no-infancias\/","title":{"rendered":"Podemos saber o que se faz no inf\u00e2ncias"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"autor\" style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Maria Rita Guimar\u00e3es<\/strong><\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\".\/Podemos saber o que se faz no inf\u00e2ncias_files\/21-04-10_podemos-saber-o-que-se-faz-no-infancias.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco, sim! Passamos do instante de ver e j\u00e1 caminhamos, cuidadosamente, ao momento de compreender suas potencialidades e efeitos. Mas, h\u00e1 muito que percorrer. Tamb\u00e9m, cabe a resposta \u2013 por que n\u00e3o? \u2013 de que h\u00e1 muito a dizer em raz\u00e3o da b\u00fassola que orienta o Observat\u00f3rio: o princ\u00edpio da psican\u00e1lise lacaniana, agora t\u00e3o bem formulado por \u00c8ve-Rose Miller: \u201cElevar o humano \u00e0 dignidade do sujeito. Poderia ser uma express\u00e3o de nossa \u00e9tica\u201d[1]: sujeito do inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dignidade, tamb\u00e9m, est\u00e1 enraizada na ordem jur\u00eddica, com a qual interessa ao Observat\u00f3rio estabelecer uma interlocu\u00e7\u00e3o, pois seu objeto de aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 no tema da crian\u00e7a judicializada; particularizando mais, no \u00e2mbito da Ado\u00e7\u00e3o. Aqui, o objeto em foco \u2013 crian\u00e7a \u2013 revela a disson\u00e2ncia em seu estatuto \u201cde dignidade\u201d entre os dois campos epistemol\u00f3gicos mesmo se considerarmos que, efetivamente, \u201ccrian\u00e7a\u201d est\u00e1 na intercess\u00e3o entre v\u00e1rios saberes, ou seja, entre os variados discursos sociais. Esse fato levou os psicanalistas a levantarem a pergunta ainda no in\u00edcio dos anos 1990.: \u201cO que \u00e9 uma crian\u00e7a?\u201d[2] Recentemente, J.-A. Miller a retoma, acrescentando: \u201cN\u00e3o \u00e9 tarde demais para colocar a quest\u00e3o\u201d.[3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, a crian\u00e7a \u00e9 sujeito do direito, mas a ele assujeitado, assim como aos demais discursos. Um sujeito consensuado, digamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, uma lei fundamental, conhecida como Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, \u00e9 o marco regulat\u00f3rio dos direitos humanos de crian\u00e7as e adolescentes desde 1990. A partir dela, uma rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a, que se pretende total, foi institu\u00edda. Apesar de sua import\u00e2ncia, fracassa em lhe possibilitar o que \u00e9 \u201cum desejo fundamental no ser falante; o desejo de inser\u00e7\u00e3o\u201d.[4] Pobreza e precariedade \u2013 mesmo que as aceitemos como sin\u00f4nimas \u2013 s\u00e3o multidimensionais e o impacto que produzem na inf\u00e2ncia mant\u00e9m as crian\u00e7as nas franjas da sociedade na condi\u00e7\u00e3o de \u201cdejetos\u201d, de \u201csupranumer\u00e1rios\u201d. Nesse segmento, encontram-se as crian\u00e7as destinadas \u00e0 ado\u00e7\u00e3o. O Observat\u00f3rio Inf\u00e2ncias tem trabalhado no sentido de tratar o determinado pela Lei da Ado\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade de uma pr\u00e1tica \u2013 levada por seus participantes transferidos com a psican\u00e1lise lacaniana que trabalham no e com o Judici\u00e1rio. O significante-mestre da lei da Ado\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 referido ao trabalho dos psic\u00f3logos\/assistentes sociais em fazer a travessia da crian\u00e7a institucionalizada a uma nova fam\u00edlia \u2013 tem merecido e exigido a necess\u00e1ria subvers\u00e3o trazida pelo ensinamento da psican\u00e1lise. E, atrav\u00e9s dessa pr\u00e1tica que pede respeito \u00e0 crian\u00e7a, cava-se porosidade entre os discursos. Assim, j\u00e1 se produziu efeito local, mas extenso, de cuidadosa tor\u00e7\u00e3o num normativo. Os chamados normativos n\u00e3o s\u00e3o publicados como as leis o s\u00e3o pelos meios oficiais devido ao seu car\u00e1ter de regulamenta\u00e7\u00e3o de procedimentos adstritos ao \u00e2mbito estadual, mantendo, portanto, o car\u00e1ter de \u201cregulamenta\u00e7\u00e3o interna\u201d. Isso preserva sua fronteira de forma quase sigilosa. Por meio deles, as pr\u00e1ticas dos operadores do direito e equipes t\u00e9cnicas se realizam em suas a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da inf\u00e2ncia e juventude. O que a participante do Inf\u00e2ncias p\u00f4de inserir de mudan\u00e7a em determinado normativo \u2013 seu lugar de profissional lhe dava compet\u00eancia de sugest\u00e3o \u00e0 hierarquia decis\u00f3ria \u2013 foi promover que a \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d dos postulantes a pais adotantes passasse do car\u00e1ter simplesmente informativo \u201cdo que \u00e9 uma ado\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 na pandemia atrav\u00e9s de cursos\u00a0<i>on-line<\/i>\u00a0\u2013 a encontros presenciais que permitiriam, principalmente, a escuta da causa em jogo na demanda de tornar-se m\u00e3e, tornar-se pai. Longe do ideal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do discurso jur\u00eddico que aspira a que para cada crian\u00e7a haja uma fam\u00edlia, e vice-versa \u2013 seja do que jeito que for \u2013 Inf\u00e2ncias visa a \u201cuma via in\u00e9dita, mais prec\u00e1ria e, no entanto, mais segura: a salva\u00e7\u00e3o pelos dejetos\u201d[5] e a elevar o dejeto \u00e0 dignidade de sujeito.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, Rose-\u00c8ve.\u00a0<i>Apresenta\u00e7\u00e3o na Abertura do Enapol 2019<\/i>. S\u00e3o Paulo, 2019.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, Judith (Org.).\u00a0<i>A crian\u00e7a no discurso anal\u00edtico.\u00a0<\/i>O Campo Freudiano no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, Jacques-Alain. A crian\u00e7a e o saber.\u00a0<i>CIEN-Digital<\/i>, p. 9, jan. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/ciendigital.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ciendigital.com.br<\/a>&gt;. Acessa em: 5 abr. 2021<i>.<\/i><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, Jacques-Alain.\u00a0<i>Intervenciones en Barcelona, sobre el deseo de inserci\u00f3n y otros temas<\/i>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.eol.org.ar\/template.asp?Sec=publicaciones&amp;SubSec=on_line&amp;File=on_line\/jam\/entrevistas_actualidad\/especial.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.eol.org.ar\/template.asp?Sec=publicaciones&amp;SubSec=on_line&amp;File=on_line\/jam\/entrevistas_actualidad\/especial.html<\/a>&gt;. Acesso em: 5 abr. 2021.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, Jacques-Alain. A salva\u00e7\u00e3o pelos dejetos.\u00a0<i>Revista Correio, Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/i>, S\u00e3o Paulo, n. 67, p. 19-26, dez. 2010.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Rita Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4936,"menu_order":111,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[105,106,102],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6510","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-articulos-infancias-pt-br","portfolio_category-infancias-pt-br","portfolio_category-observatorios-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6510\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6510"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6510"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}