{"id":6520,"date":"2018-03-19T07:22:12","date_gmt":"2018-03-19T10:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/portfolio-items\/por-la-afirmacion-de-un-inclasificable-una-cuestion-etica-2\/"},"modified":"2024-12-16T18:04:37","modified_gmt":"2024-12-16T21:04:37","slug":"pela-afirmacao-do-inclassificavel-uma-questao-etica","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/portfolio-items\/pela-afirmacao-do-inclassificavel-uma-questao-etica\/","title":{"rendered":"Pela afirma\u00e7\u00e3o do inclassific\u00e1vel: uma quest\u00e3o \u00e9tica"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"autor\" style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Eliane Costa Dias<\/strong><\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 01 de dezembro de 2017, na sede da EBP-SP, realizou-se um debate sobre o filme\u00a0<b><i>De gravata e unha vermelha (2014)[2],\u00a0<\/i><\/b>contando com as presen\u00e7as de Miriam Chnaiderman &#8211; psicanalista e diretora, de Blanca Musachi \u2013 coordenadora pela EBP do Observat\u00f3rio de g\u00eanero, biopol\u00edtica e transexualidade da FAPOL e Ariel Bogochvol \u2013 diretor de cart\u00e9is da EBP-SP. Numa proposta de interlocu\u00e7\u00e3o com a cidade, uma atividade aberta a todos os interessados no tema que ocorreu logo ap\u00f3s a conturbada passagem da fil\u00f3sofa Judith Butler pelo Brasil, marcada por intensos movimentos de apoio e de rep\u00fadio \u00e0 sua presen\u00e7a no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O document\u00e1rio\u00a0<i>De gravata e unha vermelha<\/i>, com roteiro e dire\u00e7\u00e3o da psicanalista e cineasta Miriam Chnaiderman, apresenta os depoimentos de 18 personagens que nos falam da reinven\u00e7\u00e3o da sexualidade. A imensa variedade de defini\u00e7\u00f5es sexuais na atualidade ultrapassa em muito o bin\u00f4mio masculino\/feminino e tem gerado uma multiplicidade de identidades em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero e \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual. Como destacou Blanca Musachi, a pergunta de uma das entrevistadas &#8211;\u00a0<i>O que eu sou? &#8211;\u00a0<\/i>orienta o desenvolvimento do filme que nos mostra solu\u00e7\u00f5es singulares para o ser sexuado frente ao real do sexo e do gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como destacado por Ariel Bogochvol, como cineasta Chnaiderman se vale de sua origem na pr\u00e1tica cl\u00ednica e de sua posi\u00e7\u00e3o como analista para acolher e interrogar essa diversidade em torno da sexualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca por uma nomea\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m das classifica\u00e7\u00f5es de g\u00eanero do discurso da ci\u00eancia ou dos movimentos LGBT, perpassa todos os depoimentos.\u00a0<i>Transexual, travesti, gay, mulher made in China, uma mulher de p\u00eanis, gender fucker, um homem que gosta de usar saias, uma aberra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era para existir, um homem sem limita\u00e7\u00f5es&#8230;\u00a0<\/i>Com intensidade, ao mesmo tempo que com vivacidade e humor, os entrevistados, pessoas famosas e an\u00f4nimas, nos falam da luta pela condi\u00e7\u00e3o de &#8220;inclassific\u00e1veis&#8221;. Nos falam de temas como a estranheza, o uso ou n\u00e3o de horm\u00f4nios, a escolha ou n\u00e3o pela cirurgia de mudan\u00e7a de sexo, a manuten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do nome original, a viv\u00eancia de recha\u00e7o e exclus\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e com o amor, o manejo dos semblantes de feminino e masculino. Hist\u00f3rias que nos apontam que a sexualidade na contemporaneidade s\u00f3 pode consistir em uma constru\u00e7\u00e3o singular, imposs\u00edvel de ser definida a partir da l\u00f3gica do universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Solu\u00e7\u00f5es singulares que passam radicalmente pela rela\u00e7\u00e3o com o corpo. A quest\u00e3o do humano com o fato de\u00a0<i>ter um corpo<\/i>\u00a0aparece descrita no filme como &#8220;estranheza&#8221;, &#8220;afli\u00e7\u00e3o permanente&#8221;, afirma\u00e7\u00e3o ou recha\u00e7o do feminino, &#8220;instrumento de contesta\u00e7\u00e3o&#8221;, superf\u00edcie para uma transforma\u00e7\u00e3o que implica inven\u00e7\u00e3o e criatividade no cotidiano, mas n\u00e3o sem ang\u00fastia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como abordar o fen\u00f4meno &#8220;trans&#8221; e essa pluralidade de identidades sexuais a partir da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus coment\u00e1rios Blanca Musachi destaca a passagem do discurso da diferen\u00e7a sexual \u00e0 diversidade como consequ\u00eancia do decl\u00ednio da ordem simb\u00f3lica em nosso tempo: &#8220;La onde a diferen\u00e7a estava estabelecida pelo bin\u00e1rio falo\/castra\u00e7\u00e3o, bin\u00e1rio na base da ordem simb\u00f3lica, temos agora, j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, uma civiliza\u00e7\u00e3o que se ordena diretamente pelo gozo, em curto-circuito com o semblante&#8221;.[3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo ensino de Lacan e a cl\u00ednica borromeana permitem pensar os &#8220;trans&#8221; para al\u00e9m das normas ed\u00edpicas, como solu\u00e7\u00f5es singulares para o enodamento de RSI. Se para todo falasser h\u00e1 um furo fundamental, essa falta constitutiva nos deixa na condi\u00e7\u00e3o de sem resposta em rela\u00e7\u00e3o ao sexual e nos convoca a constru\u00e7\u00e3o\/inven\u00e7\u00e3o de respostas singulares e sempre sintom\u00e1ticas. A constru\u00e7\u00e3o de um corpo e de um g\u00eanero pode ser uma delas. A transforma\u00e7\u00e3o corporal como via para &#8220;fazer-se um corpo&#8221; e fazer borda \u00e0 dist\u00e2ncia implac\u00e1vel entre o sujeito e o gozo que habita e atravessa seu corpo. A busca por uma nomea\u00e7\u00e3o como forma de alguma inscri\u00e7\u00e3o no simb\u00f3lico e de posicionamento no la\u00e7o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomamos, ent\u00e3o, a demanda por transforma\u00e7\u00e3o corporal como um sinthoma?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, h\u00e1 diferen\u00e7a entre construir uma imagem corporal pela via dos semblantes de feminino e masculino e pela via das interven\u00e7\u00f5es no real do corpo (seja pela terapia hormonal, seja pela cirurgia de mudan\u00e7a de sexo). O que nos diz da import\u00e2ncia de uma cl\u00ednica diferencial do &#8220;trans&#8221; e nos remete \u00e0 afinidade desse tema da diversidade sexual com o tema do pr\u00f3ximo congresso da AMP \u2013\u00a0<i>Psicoses ordin\u00e1rias e outras, sob transfer\u00eancia.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por hora, o document\u00e1rio\u00a0<i>De gravata e unha vermelha<\/i>\u00a0nos diz da forma como cada um de seus personagens pode &#8220;saber fazer&#8221; com seu modo de gozo. Nos diz que seja qual for a inven\u00e7\u00e3o singular ela implica uma escolha e a \u00e9tica de responsabilizar-se pela solu\u00e7\u00e3o \u00fanica forjada para enodar corpo, gozo, palavra e desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Membro da EBP\/AMP e integrante do Observat\u00f3rio de g\u00eanero, biopol\u00edtica e transexualidade \u2013 FAPOL.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">De gravata e unha vermelha (2014) \u2013 document\u00e1rio de Miriam Chnaiderman, produ\u00e7\u00e3o de Reinaldo Pinheiro e Sequ\u00eancia 1.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Musachi, B. Texto apresentado pela autora durante o debate (01\/12\/2017).<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eliane Costa Dias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6533,"menu_order":120,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[112,101,102],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-6520","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-articulos-genero-pt-br","portfolio_category-genero-pt-br","portfolio_category-observatorios-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6520"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6520\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6532,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/6520\/revisions\/6532"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=6520"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=6520"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=6520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}