{"id":6198,"date":"2024-07-21T11:12:04","date_gmt":"2024-07-21T14:12:04","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/acto-de-palabra\/"},"modified":"2024-12-14T10:04:22","modified_gmt":"2024-12-14T13:04:22","slug":"acto-de-palabra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/acto-de-palabra\/","title":{"rendered":"Acto de palabra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Christiane Alberti<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><br \/>\n<\/em><em>22 de junho de 2024<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2834 alignleft\" src=\"https:\/\/fapol.org\/pt\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/07\/permutacao_alberti-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"300\" \/>Agrade\u00e7o \u00e0s inst\u00e2ncias da Fapol, em particular a Ricardo Seldes e Fernanda Otoni, pelo convite a dizer algumas palavras hoje, nesta manh\u00e3 nomeada \u201cAto da permuta\u00e7\u00e3o\u201d. Este t\u00edtulo sugere que voc\u00eas desejaram dar todo o seu peso a este momento de permuta\u00e7\u00e3o, a saber, n\u00e3o o reduzir a uma a\u00e7\u00e3o administrativa, mas transform\u00e1-lo em um momento importante para a Fapol.<\/p>\n<p>Uma permuta\u00e7\u00e3o \u00e9, com efeito, essencial; n\u00e3o \u00e9 somente um ato administrativo. Uma permuta\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um momento importante, porque \u00e9 a ocasi\u00e3o de uma atualiza\u00e7\u00e3o e de uma transmiss\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 somente administrativa. O tempo da permuta\u00e7\u00e3o nos permite entrar de cheio na vida da Fapol. Minha interven\u00e7\u00e3o de hoje foi para mim a ocasi\u00e3o de me debru\u00e7ar sobre esse termo \u201cpermuta\u00e7\u00e3o\u201d a fim de apreender o que est\u00e1 em quest\u00e3o e interpretar o fato de t\u00ea-la situado no registro da enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A permuta\u00e7\u00e3o encontra sua raiz na estrutura da institui\u00e7\u00e3o Fapol e, de forma mais ampla, na estrutura da Escola: fun\u00e7\u00f5es fixas, lugares fixos e rela\u00e7\u00f5es entre esses lugares. O lugar do Bureau; o lugar do Conselho, que, por sua vez, coincide com o lugar das Escolas; as rela\u00e7\u00f5es entre o Bureau e o Conselho, e entre o Conselho e as Escolas. H\u00e1 uma fixidez desses lugares, que faz a estabilidade de uma institui\u00e7\u00e3o, que a permite se inscrever no tempo, atravessar o tempo. E assim, h\u00e1 a hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o e como esses lugares, apesar de tudo, entram na experi\u00eancia, na hist\u00f3ria. Ou seja, como nessa estrutura fixa que responde \u00e0 estrutura da linguagem, introduzimos o que se passa, os acontecimentos de discurso, a experi\u00eancia, os \u00eaxitos, as crises, os momentos de estagna\u00e7\u00e3o \u2013 h\u00e1 isso que n\u00e3o se move, mas nisso que n\u00e3o move, podemos distinguir etapas.<\/p>\n<p>No fundo, trata-se da mesma tentativa de formaliza\u00e7\u00e3o que Lacan colocou em marcha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cura, como assinala Jacques-Alain Miller: \u201cuma tentativa n\u00e3o somente de escrever as coordenadas permanentes, fundamentais da cura, mas tamb\u00e9m de formalizar o que se diz na cura, o transit\u00f3rio do que \u00e9 dito, formalizar o que se passa e n\u00e3o somente formalizar a estrutura\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Essa inspira\u00e7\u00e3o, colocada em destaque no Semin\u00e1rio 17, <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, j\u00e1 havia inspirado o Semin\u00e1rio 4 de Lacan.<\/p>\n<p>J-A. Miller assinala que a no\u00e7\u00e3o central que Lacan trabalha \u00e9 aquela da estrutura com suas transforma\u00e7\u00f5es; da estrutura, sim, mas com suas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que permite a J-A. Miller dizer em seu curso <em>Donc<\/em> que, precisamente na estrutura, a transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma permuta\u00e7\u00e3o. A permuta\u00e7\u00e3o \u00e9, nesse sentido, \u201cuma certa solu\u00e7\u00e3o estrutural da articula\u00e7\u00e3o do <em>um <\/em>e do <em>m\u00faltiplo<\/em>; os lugares s\u00e3o fixos e, com a permuta\u00e7\u00e3o dos termos, obtemos variantes\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso articular, ao mesmo tempo, a fixidez da institui\u00e7\u00e3o e o que muda. O que se mant\u00e9m constante? Os lugares, as rela\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es entre os lugares. O que muda s\u00e3o os termos que ocupam esses lugares. S\u00e3o os sujeitos que ocupam esses lugares, que encarnam essas fun\u00e7\u00f5es. Digo sujeitos, n\u00e3o digo \u201cpessoas\u201d. Pois nossas Escolas s\u00e3o feitas de sujeitos que nelas s\u00e3o admitidos, com um suplemento que os ultrapassa. A psican\u00e1lise \u00e9 a \u00fanica disciplina que concebe a singularidade a partir dessa coisa qualquer que ultrapassa o sujeito, ou que faz falha nele, ou que corresponde a um objeto causa que o sentido n\u00e3o nos permite apreender, ou n\u00e3o \u00e9 suficiente para apreend\u00ea-lo. Ele surge da modalidade \u00fanica, para cada um, da encarna\u00e7\u00e3o, da incorpora\u00e7\u00e3o do significante. Um suplemento que nos ultrapassa e que a palavra transporta para mais al\u00e9m da inten\u00e7\u00e3o de dizer. Como cada um avan\u00e7a na Escola, mas tamb\u00e9m no mundo, a partir de um ato de palavra naquilo que \u00e9 absolutamente singular.<\/p>\n<p>E, na Fapol, n\u00e3o existe l\u00edngua comum. O m\u00faltiplo est\u00e1 tanto mais presente quanto n\u00e3o h\u00e1 l\u00edngua comum. Isso d\u00e1 um acento ainda mais forte ao desejo de Escola, ao desejo de dirigir-se \u00e0 Escola como uma<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, \u00e0 Escola una. \u00c9 um desafio.<\/p>\n<p>\u00c9 ao mesmo tempo uma experi\u00eancia e um ponto de estrutura. Pois n\u00e3o h\u00e1 <em>a <\/em>l\u00edngua, h\u00e1 \u201cuma l\u00edngua entre outras\u201d, como diz Lacan, \u201c[que] n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da integral dos equ\u00edvocos que sua hist\u00f3ria deixou persistirem nela\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Existe <em>lalangue<\/em>, que Lacan escreve com uma s\u00f3 palavra, isso que \u00e9 a linguagem para um sujeito, n\u00e3o separada da palavra. Ela traduz, transporta o gozo que ultrapassa o sujeito, as identifica\u00e7\u00f5es, as experi\u00eancias, os sofrimentos, que constitu\u00edram essa l\u00edngua. Isto \u00e9 o que faz imposs\u00edvel a tradu\u00e7\u00e3o, e a necessidade imperiosa da tradu\u00e7\u00e3o o que torna incompar\u00e1vel o desejo de escola.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um ponto que ressoa com mais for\u00e7a aqui, j\u00e1 que a pr\u00e1tica da Fapol, com seus observat\u00f3rios e suas publica\u00e7\u00f5es, interv\u00e9m em um contexto em que as formas modernas de di\u00e1logo se caracterizam pela redu\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o da palavra, pelo seu esquecimento. A palavra se reduz a um querer, a uma pura vontade. As palavras s\u00e3o tomadas ao p\u00e9 da letra. A palavra tornou-se radical, sem matizes, bin\u00e1ria. Ela conduz a falar em termos concretos, cont\u00e1veis: tudo aquilo que \u00e9 afirmado como verdadeiro \u00e9 verdadeiro; tudo aquilo que \u00e9 afirmado como falso \u00e9 falso. \u00c9 agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel, eficaz ou ineficaz, prazeroso ou desprazeroso, uma l\u00edngua sem paradoxos. Essa cibern\u00e9tica da palavra caminha nas profundidades do gosto de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Com efeito, \u00e9 uma civiliza\u00e7\u00e3o na qual o fazer e o ter primam sobre o ser, o que Lacan profetizou como a \u201cascens\u00e3o ao z\u00eanite social do objeto que chamo pequeno <em>a<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, tempo no qual o gozo substituiu o ideal, a queda dos ideais. \u00c9 o pr\u00f3prio sujeito quem se transforma em objeto, como testemunham os modos c\u00ednicos e ir\u00f4nicos de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>&#8211; Esse contexto pode apenas encontrar a psican\u00e1lise em uma oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ideol\u00f3gica, mas l\u00f3gica. A psican\u00e1lise \u00e9 a \u00fanica disciplina que se centra na fun\u00e7\u00e3o do sintoma, a partir de uma experi\u00eancia de palavra absolutamente \u00fanica.<\/p>\n<p>Claro que a psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a se opor a esse positivismo contempor\u00e2neo. Mas o que a torna incontorn\u00e1vel \u00e9 a maneira pela qual ela se infiltra na \u00e9poca. Porque a psican\u00e1lise j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed, no terreno, com um conceito de real que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, do qual ela d\u00e1 conta em suas varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que as publica\u00e7\u00f5es, as investiga\u00e7\u00f5es, os testemunhos de passe, em particular, s\u00e3o verdadeiramente transmiss\u00e3o, fazem passar a psican\u00e1lise \u00e0 \u00e9poca, no sentido mais forte da palavra. Todo mundo pode reconhecer a\u00ed um efeito que toca o real. Nesse sentido, a Escola se apoia na for\u00e7a da enuncia\u00e7\u00e3o para trabalhar no avan\u00e7o da disciplina.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise conserva as possibilidades de \u00eaxito porque n\u00e3o pretende dominar e porque engancha o desejo por esta \u00fanica via, a da enuncia\u00e7\u00e3o, que suscita a transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Paola Salinas<br \/>\nRevis\u00e3o: Fernanda Otoni<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Presidenta da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP), Analista Membro da Escola (AME) pela \u00c9cole de la Cause Freudienne (ECF) e pela AMP.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> MILLER, J.-A. La logique de la cure du Petit Hans selon Lacan. <em>La cause freudienne<\/em>, Paris, n. 69, p. 97, 2008\/2. (Tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 98. (Tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> N.T.: Em franc\u00eas e espanhol uma e una s\u00e3o a mesma palavra. A saber, <em>une<\/em> em franc\u00eas e <em>una<\/em> em espanhol.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> LACAN, J. O aturdito. In: LACAN, J. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 492.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> LACAN, J. Radiofonia. In: LACAN, J. <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 411.<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Ato de permuta\u00e7\u00e3o 2024 \/ Acto de permutaci\u00f3n 2024 - Christiane Alberti\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yuyyMDzjArA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christiane Alberti[1] 22 de junho de 2024 Agrade\u00e7o \u00e0s inst\u00e2ncias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[89],"tags":[],"class_list":["post-6198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-permutacion-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6198"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6199,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6198\/revisions\/6199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}