{"id":6781,"date":"2015-09-04T17:07:08","date_gmt":"2015-09-04T20:07:08","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/observatorio-sobre-a-violencia-e-as-mulheres-na-ebp\/"},"modified":"2015-09-04T17:07:08","modified_gmt":"2015-09-04T20:07:08","slug":"observatorio-sobre-a-violencia-e-as-mulheres-na-ebp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/observatorio-sobre-a-violencia-e-as-mulheres-na-ebp\/","title":{"rendered":"Observat\u00f3rio Sobre a Viol\u00eancia e as Mulheres na EBP"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Considera\u00e7\u00f5es iniciais e norteadoras da proposta de trabalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia intrafamiliar contra a mulher sempre foi muito presente, mas normatizada na pr\u00e1tica pela ideologia sexista. Ainda que sua exist\u00eancia se constitu\u00edsse como um saber compartilhado, na esfera p\u00fablica tal saber era silenciado. Vizinhos e familiares o segredavam e\/ou abafavam. Raramente a viol\u00eancia era levada ao conhecimento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e, quando isso era feito, era mal recebida. As mulheres atingidas, com frequ\u00eancia, calavam-se envergonhadas ou encontravam enormes dificuldades em reportar publicamente os abusos, desencorajadas pelo pouco caso e preconceitos dos quais seriam alvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da viol\u00eancia, no Brasil, deu um salto pelo qual passou, por for\u00e7a da lei, da esfera privada \u00e0 p\u00fablica. Ao admitir o car\u00e1ter epid\u00eamico da viol\u00eancia contra mulheres, o Estado brasileiro respondeu em duas frentes: a jur\u00eddica com a cria\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha e a pol\u00edtica com dispositivos de sa\u00fade e assist\u00eancia. Com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei, a den\u00fancia ganhou um espa\u00e7o mais leg\u00edtimo. Ainda assim, a princ\u00edpio, muitas das den\u00fancias eram retiradas em seguida, o que exigiu modifica\u00e7\u00f5es no texto da lei para impedir isso. Surge assim a necessidade de um trabalho pr\u00e9vio com aquelas que manifestam inten\u00e7\u00e3o de denunciar at\u00e9 que estejam mais seguras quanto a isto. Muitas iniciativas possibilitaram a cria\u00e7\u00e3o de redes interdisciplinares de acolhimento e atendimento aos casos de viol\u00eancia contra as mulheres. Essas redes, no entanto, t\u00eam maior atua\u00e7\u00e3o nas cidades grandes das regi\u00f5es sul e sudeste do pa\u00eds do que no interior dos estados e nas demais regi\u00f5es. Conta-se, nos grandes centros, com Conselhos Estaduais e Municipais que contribuem para a formula\u00e7\u00e3o e acompanhamento das pol\u00edticas p\u00fablicas referentes aos direitos da mulher. A rede se comp\u00f5e tamb\u00e9m de casas abrigo, centros de atendimento, delegacias especializadas, grupos de apoio, hospitais, ambulat\u00f3rios, centros de refer\u00eancias, entre outras iniciativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve portanto uma modifica\u00e7\u00e3o do discurso a respeito da viol\u00eancia intrafamiliar. Do discurso que velava a viol\u00eancia encontramos atualmente seu oposto: um discurso que encoraja a verifica\u00e7\u00e3o, contabiliza\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e preven\u00e7\u00e3o. As cifras que mostram uma escalada da viol\u00eancia e tanto nos assustam, podem ser, em parte, resultado dessa mudan\u00e7a discursiva que deve \u00e0s pol\u00edticas de g\u00eanero seu fundamento te\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre o imperativo anterior &#8216;n\u00e3o se deve falar&#8217; e o atual &#8216;deve-se falar&#8217;, qual a posi\u00e7\u00e3o do sujeito? Este \u00e9 um aspecto, ao nosso ver, sobre o qual a psican\u00e1lise teria algo a contribuir. Em especial, diante do fato de que o tratamento p\u00fablico ofertado atrav\u00e9s de tantos dispositivos de criminaliza\u00e7\u00e3o e apoio n\u00e3o tem diminu\u00eddo, nem evitado, a viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessa quest\u00e3o, gostar\u00edamos de pesquisar a distin\u00e7\u00e3o entre o que se pode dizer e o que n\u00e3o se pode dizer. Para a psican\u00e1lise, o simb\u00f3lico n\u00e3o esgota o registro do real do gozo que, no \u00e2mbito pulsional do corpo, comparece de forma paradoxal. Uma das mais contundentes e revolucion\u00e1rias revela\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise \u00e9 a de que o sujeito nem sempre procura o seu bem. Falar da viol\u00eancia, para os envolvidos, esbarra, portanto, na fronteira entre o que se pode e o que n\u00e3o se pode dizer do mal-estar, n\u00e3o porque seja um segredo, mas porque a linguagem \u00e9 prec\u00e1ria para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratar a quest\u00e3o como se bastasse falar, denunciar, julgar e punir, n\u00e3o contempla os aspectos do real do gozo das parcerias que escapam \u00e0 opera\u00e7\u00e3o da linguagem. A fascina\u00e7\u00e3o pelas cifras e pelas confiss\u00f5es, assim como a corrida das pr\u00e1ticas imediatistas e assistencialistas, n\u00e3o levam em conta o imposs\u00edvel de conceber e falar do gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez isso se deva, em parte ao dom\u00ednio, no tratamento da quest\u00e3o, da concep\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica de sujeito articulado apenas \u00e0 subjetividade discursiva de sua \u00e9poca, conceitua\u00e7\u00e3o que tem valor e raz\u00e3o de ser, mas que n\u00e3o contempla a singularidade do sujeito, perspectiva psicanal\u00edtica que alcan\u00e7a fatores e condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias a cada um que marcam o sujeito para al\u00e9m de qualquer possibilidade discursiva. As posi\u00e7\u00f5es tradicionais de agressor e v\u00edtima, por exemplo, n\u00e3o bastam para localizar os sujeitos envolvidos; as identidades de g\u00eanero n\u00e3o classificam a contento os tipos de viol\u00eancia; os dispositivos propostos, devido \u00e0 sua l\u00f3gica de identifica\u00e7\u00e3o, falham mais do que tratam a divis\u00e3o radical daqueles implicados em parcerias violentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das considera\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise, ser\u00e1 desej\u00e1vel, ent\u00e3o, encontrar formas de transmitir aos diversos atores, envolvidos nesses dispositivos e modalidades de tratamento, a import\u00e2ncia do tempo do sujeito do inconsciente e das possibilidades que lhe favore\u00e7am formula\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias na constru\u00e7\u00e3o de sa\u00eddas para os impasses inerentes \u00e0s parcerias sintom\u00e1ticas. A partir da psican\u00e1lise, cabe perguntar o que a viol\u00eancia revela de um gozo sintom\u00e1tico dos parceiros e o que poderia haver do obscuro gozo feminino tanto nas situa\u00e7\u00f5es de den\u00fancia como nas em que esta falta, nas exposi\u00e7\u00f5es ao risco, assim como na falta de limite das concess\u00f5es que algumas mulheres podem fazer a um homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis o nosso desafio: ler e apontar junto aqueles que trabalham com essa quest\u00e3o que a viol\u00eancia atravessa o discurso que a discute, as formas como \u00e9 pensada, os dispositivos que a tratam e, em seu \u00e2mago, depende do real em jogo nos la\u00e7os sociais, nas parcerias. Quanto a isso, conv\u00e9m lembrar que, ao tratar da articula\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica e inconsciente, Lacan os compara frisando que n\u00e3o prop\u00f5e que a pol\u00edtica seja o inconsciente, mas, ao contr\u00e1rio, que &#8220;o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica&#8221; (1966-1967).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a perspectiva de contribuir para o debate sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas a partir da teoria e da cl\u00ednica da psican\u00e1lise, pensamos trabalhar essas quest\u00f5es privilegiando os casos de viol\u00eancia e as mulheres nas parcerias envolvendo desde o abuso sexual, f\u00edsico, moral, entre outros, at\u00e9 o feminic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observat\u00f3rio sobre a viol\u00eancia e as mulheres da EBP:<br \/>\nHeloisa Caldas &#8211; coordena\u00e7\u00e3o<br \/>\nCristina Drummond<br \/>\nOndina Machado<br \/>\nPatr\u00edcia Badari<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[139,129],"tags":[],"class_list":["post-6781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-informes-mujeres-pt-br","category-observatorios-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}