{"id":7406,"date":"2025-12-03T10:55:05","date_gmt":"2025-12-03T13:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/1a-acta-del-bienio-2025-2026\/"},"modified":"2025-12-03T10:56:16","modified_gmt":"2025-12-03T13:56:16","slug":"1a-acta-del-bienio-2025-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/1a-acta-del-bienio-2025-2026\/","title":{"rendered":"1\u00aa Ata do bi\u00eanio 2025\/2026"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Partindo da observa\u00e7\u00e3o de que a quest\u00e3o \u201cdo que constitui o trauma\u201d est\u00e1 no centro n\u00e3o apenas da doutrina psicanal\u00edtica, mas tamb\u00e9m da sua dimens\u00e3o cl\u00ednica e perspectiva pol\u00edtica, a nova coordena\u00e7\u00e3o da RPA escolheu \u201cFalar o traum\u00e1tico\u201d como tema de investiga\u00e7\u00e3o para o per\u00edodo 2025\/2026, convocando os praticantes ligados \u00e0s tr\u00eas escolas da Am\u00e9rica Latina (EBP, EOL e NEL) a enfrentar esse paradoxo da psican\u00e1lise: falar sobre o imposs\u00edvel de dizer. Para tanto, realizamos em 2025 duas conversa\u00e7\u00f5es virtuais, em maio e julho, e uma presencial durante a ENAPOL, em setembro. Nesse dia, 4 de setembro de 2025, experimentamos nossa terceira conversa da RPA do ano, que teve uma atmosfera muito especial devido tanto por seu car\u00e1ter presencial, quanto pela presen\u00e7a de um \u00eaxtimo \u00e0 Rede, nosso querido Ricardo Seldes, que trabalhou a partir do material que lhe fornecemos, resultado das conversa\u00e7\u00f5es anteriores. Recortamos ap\u00f3s esse encontro algumas pistas para seguir investigando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que significa ser lacaniano no campo da psican\u00e1lise aplicada hoje? Essa foi a primeira provoca\u00e7\u00e3o que Ricardo Seldes lan\u00e7ou no in\u00edcio desta terceira escans\u00e3o, quando enfatizou a orienta\u00e7\u00e3o que Fernanda Otoni deu a esta proposta de trabalho renovada da RPA, na qual \u201co discurso anal\u00edtico infiltra-se no trem pol\u00edtico e social do discurso da \u00e9poca como um agente modesto, mas ativo, para produzir uma brecha e inserir o grau de diferen\u00e7a absoluta que n\u00e3o se deixa normatizar\u201d. Os casos apresentados permitiram-nos esclarecer de que se trata essa <\/span><b>infiltra\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e como cada praticante, em diferentes e variados contextos institucionais, consegue sustentar e transmitir esse saber. Ricardo Seldes prop\u00f4s isso como uma \u201cinfiltra\u00e7\u00e3o argumentada\u201d, na medida em que s\u00e3o os praticantes os agentes portadores de sua pr\u00f3pria muta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao nosso tema, ocorre um novo movimento se produz. Trata-se de uma mudan\u00e7a, uma passagem que implica uma depura\u00e7\u00e3o: de \u201cFalar <\/span><b>do<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> traum\u00e1tico\u201d para \u201cFalar <\/span><b>o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> traum\u00e1tico\u201d. Se, como Ricardo Seldes nos lembrou, Lacan apontava em Yale que \u201co trauma \u00e9 sempre suspeito\u201d \u2212 porque \u00e9 mediado pela mem\u00f3ria \u2212, a expectativa de falar \u201csobre\u201d o traum\u00e1tico acaba por cair, uma vez que o traum\u00e1tico se manifesta, \u00e0s vezes, sem palavras, o que requer que seja constru\u00eddo, inventado, produzido. Falar o traum\u00e1tico \u00e9 tamb\u00e9m fazer falar, inclusive deixar falar disso que n\u00e3o pode ser dito, mas que insiste, apontando para o gozo, o corpo e a l\u00edngua; apontando o real de cada um.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nossa orienta\u00e7\u00e3o vai no sentido oposto \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o do mestre que tenta universalizar o trauma segundo o senso comum. Na conversa\u00e7\u00e3o se falou de uma \u201cpol\u00edtica da sedu\u00e7\u00e3o\u201d. Primeiro, seduzir o mestre para entrar nas\u00a0 institui\u00e7\u00f5es e, a partir da\u00ed, criar certa resist\u00eancia \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o, abrindo uma brecha no discurso massivo do mestre. Infiltrar, seduzir e furar. Os casos trabalhados, e tantos outros, enviados e lidos \u200b\u200bpela equipe de coordena\u00e7\u00e3o da RPA, demonstram a efic\u00e1cia dessa pol\u00edtica, assim como os diversos testemunhos que pudemos escutar nas conversa\u00e7\u00f5es. Nossa aposta \u00e9 sintomatizar o trauma. E para isso, \u00e9 necess\u00e1rio abrir o tempo de compreender. Esse aspecto da introdu\u00e7\u00e3o do tempo para a compreens\u00e3o aparece em v\u00e1rios \u2212 sen\u00e3o em todos \u2212 os casos cl\u00ednicos que trabalhamos em nossas conversa\u00e7\u00f5es. A primeira observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa interven\u00e7\u00e3o se torna necess\u00e1ria n\u00e3o apenas para os sujeitos envolvidos, mas tamb\u00e9m para as institui\u00e7\u00f5es. Para diferenciar o traum\u00e1tico do trauma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">pr\u00eat-\u00e0-porter<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400;\">do discurso do mestre, que coloca em primeiro plano a l\u00f3gica da v\u00edtima, \u00e9 preciso construir o traum\u00e1tico, criar o tempo para que o sujeito inclua o traum\u00e1tico na sua conta, que se responsabilize sem se culpar por ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao analista na institui\u00e7\u00e3o, outro movimento se decanta. \u201cO analista <\/span><b>n\u00e3o pode n\u00e3o estar <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">em contato com o social\u201d, apontava Ricardo Seldes, como uma exorta\u00e7\u00e3o. Esse contato n\u00e3o \u00e9 algo deixado ao acaso ou \u00e0 conting\u00eancia; antes, \u00e9 uma necessidade. Nesse sentido, no atual contexto neoliberal que mina as institui\u00e7\u00f5es e atenta contra o desejo, o praticante \u2013 de menor e de maior experi\u00eancia \u2013 \u201cn\u00e3o \u00e9 v\u00edtima\u201d, mas deve, sim, assumir uma posi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Deixar-nos ensinar pelos casos cl\u00ednicos em um espa\u00e7o de conversa\u00e7\u00e3o permanente, guiados pela quest\u00e3o \u201cFalar o traum\u00e1tico\u201d, tem sido nosso compromisso com o desenvolvimento e a consolida\u00e7\u00e3o do trabalho em rede. Privilegiar o caso e o que ele nos ensina nos permitiu investigar e parar para ler o que fazemos e como o fazemos, a fim de infiltrar e inserir parte do discurso anal\u00edtico nos mais variados contextos institucionais, dando lugar ao dizer do sujeito e \u00e0 sua singularidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2026, realizaremos dois encontros virtuais, em mar\u00e7o e maio, e um encontro presencial em junho, onde daremos prosseguimento ao trabalho a partir dos casos cl\u00ednicos que j\u00e1 nos chegaram. Convidamos voc\u00eas a assistirem ao v\u00eddeo do encontro de setembro passado, com a participa\u00e7\u00e3o de Ricardo Seldes, e, claro, a continuarem se inscrevendo na rede, caso ainda n\u00e3o o tenham feito, preenchendo o formul\u00e1rio anexo: <\/span><a href=\"https:\/\/forms.gle\/RD1ckrUTac6HwRPHA\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/forms.gle\/RD1ckrUTac6HwRPHA<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partindo da observa\u00e7\u00e3o de que a quest\u00e3o \u201cdo que constitui [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-7406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-informes-rpa-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7406"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7406\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7407,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7406\/revisions\/7407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}