{"id":7564,"date":"2026-03-30T10:18:52","date_gmt":"2026-03-30T13:18:52","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/blog\/7559\/"},"modified":"2026-03-30T10:21:16","modified_gmt":"2026-03-30T13:21:16","slug":"falar-do-traumatico-interlocucao-com-ricardo-seldes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/falar-do-traumatico-interlocucao-com-ricardo-seldes\/","title":{"rendered":"FALAR DO TRAUM\u00c1TICO &#8211; Interlocu\u00e7\u00e3o com Ricardo Seldes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7560\" src=\"https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e.jpg\" alt=\"\" width=\"886\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e-200x50.jpg 200w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e-300x75.jpg 300w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e-400x100.jpg 400w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e-600x150.jpg 600w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e-768x192.jpg 768w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e-800x200.jpg 800w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/af67dbac-fd1f-45a0-b8fd-74ba22d0878e.jpg 886w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>FALAR DO TRAUM\u00c1TICO<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interlocu\u00e7\u00e3o com Ricardo Seldes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo Horizonte, 4 de setembro de 2025<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>O tema<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques-Alain Miller, na aula do dia 13 de janeiro de 1988 do Curso de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, discute o estatuto do trauma sexual, sem combin\u00e1-lo com a diacronia \u2013 dentro da ordem do que ocorreu anteriormente ao indiv\u00edduo, em algum momento \u2013 , mas tomando uma f\u00f3rmula sincr\u00f4nica, tratando o trauma como um <em>trouma<\/em> \u2013 <em>trou<\/em>, em franc\u00eas, \u00e9 furo \u2013 , cuja vers\u00e3o final seria: N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual. \u201cDe qualquer encontro inicial com a sexualidade\u201d, diz Miller, \u201co sujeito s\u00f3 pode falar sob a forma do mal encontro\u201d: \u201co n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual diz que, em qualquer caso, h\u00e1 um ponto traum\u00e1tico e que, na dimens\u00e3o da sexualidade, o sujeito avan\u00e7a aos trope\u00e7os\u201d. Em face do sexo e da morte, o sujeito se encontraria diante daquilo que n\u00e3o se representa ou, melhor dizendo, daquilo que s\u00f3 se representa pela castra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que se inscreve como representa\u00e7\u00e3o \u00fanica da falta \u00e0 qual somos confrontados quando acedemos \u00e0 linguagem, um real imposs\u00edvel de se nomear ou se representar. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o entre a causa e o efeito, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de causalidade na dimens\u00e3o sexual. O trauma \u00e9 o trauma de um sentido. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual significa que sempre h\u00e1 trauma, que algo sempre d\u00e1 errado. \u00c9 o Outro, na condi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria significante, o real traum\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hans, uma crian\u00e7a, j\u00e1 ensinara a Freud (1909) o que um sujeito pode fazer com isso. O que o traumatizou, muito cedo, foram as manifesta\u00e7\u00f5es de um corpo que se gozava, o seu, \u00e0 sua revelia, surpreso diante de ere\u00e7\u00f5es \u00e0s quais n\u00e3o podia nomear, algo que escapava \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o de gozo operada pela linguagem, um resto dessa opera\u00e7\u00e3o se fazia repetidamente presente, e que parecia n\u00e3o cessar de n\u00e3o se escrever. Hans n\u00e3o sabia o que fazer com esse Outro \u2212 um Outro da desordem \u2212 que lhe era estrangeiro em seu corpo \u2013 a puls\u00e3o, segundo Freud \u2212, e que o traumatizava. O que se tra\u00e7a desse encontro define o sujeito, persistindo a tentativa de falar do choque inicial, marcante e traum\u00e1tico da l\u00edngua e do corpo. Ent\u00e3o, servindo-se dos significantes que lhe vinham do Outro, Hans introduziu outra coisa em sua resposta, conjugando o significante e um pequeno peda\u00e7o de corpo \u2212um objeto <em>a \u2212<\/em>, para representar o sujeito, como elucida Carlos Augusto Nic\u00e9as, em &#8220;O objeto a e o drama da subjetiva\u00e7\u00e3o&#8221;, fixando o real do trauma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo da observa\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o de \u201co que constitui o trauma\u201d estar no centro n\u00e3o apenas da doutrina psicanal\u00edtica, mas tamb\u00e9m no cerne de sua dimens\u00e3o cl\u00ednica e de sua perspectiva pol\u00edtica, a nova coordena\u00e7\u00e3o da RPA escolheu como tema de investiga\u00e7\u00e3o para o per\u00edodo 2025\/2026 \u201cFalar do traum\u00e1tico\u201d, convocando os praticantes ligados \u00e0s 3 Escolas da Am\u00e9rica Latina (EBP, EOL e NEL) a encarar esse paradoxo da psican\u00e1lise: falar do imposs\u00edvel de dizer. As perguntas colocadas para estimular o envio de trabalhos cl\u00ednicos que animariam as 2 conversa\u00e7\u00f5es que propusemos foram:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Como aqueles que se aproximam das institui\u00e7\u00f5es que integram a rede da psican\u00e1lise aplicada com suas dores de exist\u00eancia falam sobre o trauma?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Como os profissionais que recebem essas solicita\u00e7\u00f5es falam sobre o trauma?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Como tratamos o trauma hoje nos dispositivos de cuidado orientados pela psican\u00e1lise lacaniana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Como podemos nos deixar ensinar pelo saber novo que encontramos em cada caso cl\u00ednico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>A rede<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Orientador pela Dire\u00e7\u00e3o da FAPOL, lan\u00e7amos nossa proposta com diretrizes sobre o nosso tema e por meio de um formul\u00e1rio de inscri\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda uma pergunta espec\u00edfica sobre as motiva\u00e7\u00f5es de quem queria ingressar na rede. Atendendo \u00e0 nossa convocat\u00f3ria, recebemos <strong>288 inscri\u00e7\u00f5es<\/strong> na RPA \u2212 sendo <strong>44 membros<\/strong> das 3 Escolas \u2212, vindos de v\u00e1rios cantos da Am\u00e9rica Latina (sendo que 1 inscrito mora na Fran\u00e7a, e 2, na Espanha): 1 da Guatemala, 1 de Cuba, 5 do Mexico, 6 do Chile, 7 da Col\u00f4mbia, 8 da Venezuela, 11 do Peru, 13 da Bol\u00edvia, 113 Brasil e 120 de Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos inscritos vem de uma pr\u00e1tica em institui\u00e7\u00f5es \u2013 que anseiam discutir com outros psicanalistas \u2212, e o tema do traum\u00e1tico foi bem acolhido por eles, como est\u00edmulo para seu interesse em participar da RPA. Mas os inscritos n\u00e3o diretamente envolvidos em uma pr\u00e1tica institucional tiveram exatamente no tema sua motiva\u00e7\u00e3o para entrar na Rede, visto como fundamental em um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o que oferece discuss\u00f5es cl\u00ednicas, o que mostra uma abertura para a psican\u00e1lise aplicada. Constatamos, assim, uma potente sinergia entre o tema \u201cFalar do traum\u00e1tico\u201d e a psican\u00e1lise aplicada, em m\u00fatua retroalimenta\u00e7\u00e3o: o tema interessou muito a quem realiza um trabalho institucional, mas tamb\u00e9m aproximou desse tipo de trabalho \u00e0queles que ainda n\u00e3o o praticam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cl\u00ednica dos praticantes traz para a RPA as tem\u00e1ticas da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia, do abuso sexual, da viol\u00eancia dom\u00e9stica, da viola\u00e7\u00e3o de direitos, dos maus-tratos, da sa\u00fade mental, da sa\u00fade p\u00fablica, da sa\u00fade da mulher e da crian\u00e7a, da urg\u00eancia subjetiva, da cl\u00ednica das toxicomanias, do autismo e das psicoses, do stress agudo, da supervis\u00e3o institucional, da psican\u00e1lise aplicada \u00e0 terap\u00eautica, da articula\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es de g\u00eanero e diversidade e do analista como objeto port\u00e1til na cidade. Essa pr\u00e1tica cl\u00ednica acontece em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es no campo da Justi\u00e7a, Extens\u00e3o Universit\u00e1ria, Sa\u00fade P\u00fablica, Sa\u00fade Mental e Educa\u00e7\u00e3o, como Hospital Geral, Hospital Psiqui\u00e1trico e Resid\u00eancia de Psiquiatria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Servi\u00e7os e Coletivos nomeados na ficha de inscri\u00e7\u00e3o da RPA, nos quais acontecem a\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise aplicada: PAUSA (Buenos Aires), centros de sa\u00fade ( C.A.P.S de La Plata e Mendoza), Hospital Italiano e Hospital de San Isidro (Buenos Aires), Hospital Penna (Bahia Blanca), Hospital Interzonal General de Agudos Prof. Dr. Rodolfo Rossi (La Plata, Buenos Aires),Hospital de Ninos Sor Maria Ludovica de La Plata, Hospital Dr. Alejandro Korn de Melchor Romero, Servicio de salud Mental UNLP, RPA da EBP-Se\u00e7\u00e3o Bahia (Salvador), PsiU (Salvador), Clin-a (S\u00e3o Paulo), CLIPP\/EBP-se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo (S\u00e3o Paulo), Projeto Rol\u00ea (S\u00e3o Paulo), Hospital das Cl\u00ednicas (S\u00e3o Paulo), ICPOL (Florian\u00f3polis), Cl\u00ednica de Atendimento na Escola Marista (Florian\u00f3polis), Instituto CIEC (Cordoba), Equipo de Acompa\u00f1amiento a Testigos y Querellantes en los Juicios de Lesa Humanidad (Mendoza), Projeto Viravolta (Belo Horizonte), Projeto Desembola na Ideia (Belo Horizonte), Coletivo Tra\u00e7o (Belo Horizonte), Coletivo Freud nas Quebradas (Belo Horizonte), Centro de Aten\u00e7\u00e3o Ps\u00edquica Freud Cidad\u00e3o (Belo Horizonte), Cl\u00ednica Social de Psican\u00e1lise e Psiquiatria (Belo Horizonte), CERSAM (Belo Horizonte), Antena cl\u00ednica (Bilbao e Bah\u00eda Blanca), Aldeias ind\u00edgenas brasileiras, Hospital da UFRJ (Rio de Janeiro) e CAPS-infanto-juvenil (Rio de Janeiro, Vit\u00f3ria e Ciudad de Mexico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recebemos para nossas 2 Conversa\u00e7\u00f5es \u2013 a 1\u00aa., com <strong>119<\/strong> participantes, em 10\/5\/2025; a 2\u00aa., com <strong>80<\/strong> participantes, em 5\/7\/2025 &#8211; 36 textos, de colegas ligados \u00e0s 3 Escolas \u2013 a quem agradecemos novamente, pela contribui\u00e7\u00e3o fundamental que seus apontamentos cl\u00ednicos trouxeram \u00e0 nossa investiga\u00e7\u00e3o \u2013, deixando-nos surpreender com o que essa investiga\u00e7\u00e3o produziu, a partir de vetores que orientar\u00e3o nossos pr\u00f3ximos encontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos afirmar, junto com a presidenta da FAPOL, Fernanda Otoni, que hoje temos uma rede de psican\u00e1lise aplicada na Am\u00e9rica Latina, entendendo \u201crede\u201d de modo diferente das pol\u00edticas burocr\u00e1ticas de sa\u00fade mental, que fazem parte da fantasia de conhecimento total do discurso do mestre contempor\u00e2neo \u2212 como disse Laurent em um texto preparat\u00f3rio para o Congresso Pipol 96: &#8221; A rede \u00e9 a palavra m\u00e1gica, o lema que permite, do ponto de vista do discurso do mestre, articular os indiv\u00edduos, quaisquer que sejam suas pr\u00e1ticas, p\u00fablicas ou privadas, em grupo, em prociss\u00e3o, em um discurso comum. (&#8230;) A tarefa do discurso do mestre \u00e9 instalar suas redes\u201d \u2212, o que n\u00e3o \u00e9 nossa tarefa, como analistas: \u201cA nossa [tarefa] \u00e9 aprender que todos se sentem sozinhos ali&#8221;. Que todos se sintam sozinhos, ou seja, que sejam uma exce\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exce\u00e7\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 rede, assim como \u00e0 regra, cuja natureza \u00e9 n\u00e3o tolerar a exce\u00e7\u00e3o. O que nossa investiga\u00e7\u00e3o na RPA pretende \u00e9 justamente descompletar a rede de cuidados que lhe \u00e9 oferecida. Ainda que saibamos que somos parte interessada em certas redes que nos constituem, e que o Outro da linguagem \u00e9 a rede das redes, \u00e9 preciso distinguir que rede propomos com RPA. N\u00e3o, seguramente, a rede \u201cpronta<em>\u201d,<\/em> com seu protocolo de atendimento formatado e fundamentalmente an\u00f4nimo, mas uma rede como oferta que pode ser feita ao sujeito de modo que ele a apreenda e a modele \u00e0 sua maneira, construindo assim um lugar de inscri\u00e7\u00e3o tanto quanto um lugar de endere\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><u>Uma aposta no dispositivo da Conversa\u00e7\u00e3o<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J.-A. Miller nos lembra em \u201cA Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon. Casos Raros &#8211; O Inclassific\u00e1vel na Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica\u201d (1999) que \u201centrar em conversa\u00e7\u00e3o \u00e9 entrar em um jogo com parceiros considerados pares, dos quais nada se espera al\u00e9m do prazer de jogar bem. N\u00e3o se julgar\u00e1 pela t\u00e9cnica ou pelos resultados. Enquanto todo discurso profissional visa persuadir, e \u00e9 mais ou menos premeditado e preparado, na conversa\u00e7\u00e3o festiva reina o imprevis\u00edvel, com a improvisa\u00e7\u00e3o, a prontid\u00e3o do tra\u00e7o, a ocorr\u00eancia da r\u00e9plica, que desconcerta os c\u00e1lculos aos quais o orador profissional est\u00e1 acostumado. Se h\u00e1 uma ret\u00f3rica da conversa\u00e7\u00e3o \u00e9 o que resta da ret\u00f3rica quando todo o resto foi esquecido: a sorte feliz de uma express\u00e3o, a rapidez, a clareza, a vivacidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixar-nos ensinar pelos casos cl\u00ednicos em um espa\u00e7o de conversa\u00e7\u00e3o permanente, guiados pela quest\u00e3o &#8220;Falar do traum\u00e1tico&#8221;, ao longo de um per\u00edodo, tem sido nosso compromisso com o desenvolvimento e a consolida\u00e7\u00e3o do trabalho em rede. Privilegiar o caso e o que ele nos ensina nos permitiu investigar e parar para ler o que fazemos e como fazemos, a fim de infiltrar e instalar parte do discurso anal\u00edtico nos mais variados e singulares contextos institucionais, dando lugar ao dizer do sujeito e \u00e0 sua singularidade. Isso n\u00e3o ocorre sem o <em>desejo de analista<\/em> que permite ao praticante se orientar e saber manobrar com o discurso do mestre (seus ideais de fazer o bem, de adaptar, curar, avaliar, diagnosticar&#8230;), at\u00e9 mesmo de servir-se dele para abrir um espa\u00e7o, \u00a0localizando a fenda por onde seja poss\u00edvel entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Propusemos, ent\u00e3o, uma investiga\u00e7\u00e3o orientada pelo esp\u00edrito de nos deixarmos ensinar pela cl\u00ednica, de nos deixarmos surpreender: o que podemos extrair das experi\u00eancias que cada um recolhe de seu trabalho institucional, discutindo-as em conjunto, na din\u00e2mica de uma conversa\u00e7\u00e3o, cujas resson\u00e2ncias certamente permitir\u00e3o a cada um avan\u00e7ar em suas reflex\u00f5es? Apresentamo-nos como equipe de coordena\u00e7\u00e3o da RPA, convidando o <em>hetero<\/em> em nossas fun\u00e7\u00f5es e neste amplo mapa federativo, encarregados de continuar a seguir fazendo existir esta Rede e amplific\u00e1-la. Convidamos cada um de n\u00f3s a participar \u2013 cada um na sua &#8220;cadaum-neria&#8221;, como aponta J.-A. Miller em seu curso Extimidade (2010), quando fala que \u00e9 necess\u00e1rio distinguir o gozo particular de cada um e o modo de gozo que se elabora, se constr\u00f3i e se sustenta em um grupo, no n\u00edvel de cada um \u2013 convocando a participar de uma investiga\u00e7\u00e3o de colegas vinculados a grupos institucionais ou cart\u00e9is, nos quais, a partir desse la\u00e7o, se estude o que n\u00e3o funciona em um caso, as dificuldades, seus impasses. Apostamos que n\u00e3o se trata de ensinar nossa cl\u00ednica, mas, sim, de sermos ensinados por ela. Trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, convite \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de casos, a cernir um ponto em que um caso nos surpreende, aqueles pontos de hi\u00e2ncia, de descontinuidade, que implica, \u00e0s vezes, um efeito de forma\u00e7\u00e3o para o analista. O que esse caso nos ensina? O que aquilo que cai do caso nos ensina, como &#8220;cassus&#8221;, seguindo sua raiz latina? Somos orientados pelo que cai; n\u00e3o se trata de ideais, mas, sim, de um resto fecundo, um \u201cdivino detalhe\u201d que, em uma releitura, transforma um relato ou material em um caso. Trabalho entre dizer, ler e escrever, que requer um tempo com outros, no qual se cultiva um saber-fazer. Aposta pol\u00edtica, epist\u00eamica e libidinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas particularidades do dispositivo que implementamos para sustentar nossos encontros deste ano no marco de nossa investiga\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Propusemo-nos a realizar dois encontros cl\u00ednicos de conversa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Apresentar\u00edamos tr\u00eas casos a cada vez, cuidando para ser um de cada Escola em cada encontro.<\/li>\n<li>Ser\u00edamos n\u00f3s mesmos, os coordenadores da RPA, quem colocaria uma pregunta a cada caso, tentando que tocasse em alguma quest\u00e3o central do material, um obst\u00e1culo, um ponto vivo que tivesse rela\u00e7\u00e3o especial com nosso tema.<\/li>\n<li>O coordenador que fez a pergunta o faria sobre o texto de uma Escola diferente da sua.<\/li>\n<li>N\u00e3o convidar\u00edamos comentaristas externos; est\u00e1vamos interessados em permitir que a palavra circulasse entre os pares, evitando localizar o conhecimento em um s\u00f3 lugar.<\/li>\n<li>Enviamos os casos com anteced\u00eancia aos membros das Escolas que se inscreveram para participar das reuni\u00f5es e os convidamos \u2212 se quisessem \u2212 a fazer perguntas para animar a conversa.<\/li>\n<li>Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o dos casos e a formula\u00e7\u00e3o das perguntas dos coordenadores de RPA, todos os presentes \u2212 incluindo aqueles que apresentaram os casos \u2212 teriam que levantar a m\u00e3o para falar, o que garantiria que o caso se tornasse um material de trabalho coletivo, em vez de dom\u00ednio exclusivo do profissional, que j\u00e1 teria respondido \u00e0s perguntas.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Las conversaciones<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participaram da primeira mesa:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Soledad Alvarado, pela NEL- Lima.<\/li>\n<li>Marisa De Vitta, pela EBP &#8211;\u00a0 Belo Horizonte.<\/li>\n<li>Valeria Elia, pela EOL &#8211; Buenos Aires.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os casos apresentados geraram discuss\u00e3o sobre os alcances da escuta do inconsciente em uma institui\u00e7\u00e3o, com exemplos cl\u00ednicos do surgimento de forma\u00e7\u00f5es inconscientes no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es transferenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participaram da segunda mesa:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Zulma Juchani, pela NEL \u2013 Cochabamba.<\/li>\n<li>Ana Paula Ribeiro, pela EOL \u2013 Buenos Aires.<\/li>\n<li>Luis Fernando Duarte Couto, pela EBP \u2013 Belo Horizonte<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas casos formaram um conjunto que nos permitiu orientar o debate sobre o impacto e os efeitos da presen\u00e7a do psicanalista na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo est\u00e3o alguns pontos, pe\u00e7as soltas, que emergiram da discuss\u00e3o e que consideramos cruciais para o nosso trabalho de investiga\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>Orientar a escuta para a \u201cgreve da cultura&#8221;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro encontro, Mar\u00eda Laura Errecarte se referiu a Miquel Bassols na Confer\u00eancia: \u201cO chamado perdido do trauma e a resposta do psicanalista\u201d, na Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional de La Plata, em 2014. Ali se assinalou que o trauma est\u00e1 para al\u00e9m de toda simboliza\u00e7\u00e3o, mas que retorna, mostrando a proximidade de um real: \u201cN\u00e3o \u00e9 tanto o que lhe aconteceu, mas (&#8230;) o que desde ent\u00e3o n\u00e3o deixou de lhe acontecer e que pede para ser realizado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o encontro, destacamos aquele momento em que uma bomba est\u00e1 prestes a explodir \u2212 tique-taque, tique-taque \u2212, que \u00e0s vezes \u00e9 apenas um som que n\u00e3o pode ser expresso em palavras. O analista est\u00e1 localizado nesse tique-taque; ele \u00e9 seu parceiro contingente, singular, de tique-taque. Essa quest\u00e3o ressoou em alguns coment\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, Ana Paula Ribeiro trouxe \u00e0 tona no segundo encontro uma cita\u00e7\u00e3o de Lacan, do Semin\u00e1rio 17: &#8220;Se voc\u00ea quer que algo funcione, ele precisa girar (isso n\u00e3o \u00e9 por progressismo, \u00e9 simplesmente porque ele n\u00e3o consegue parar de girar). Se n\u00e3o funciona, ele range, no ponto em que as coisas colocam problemas no n\u00edvel da fixa\u00e7\u00e3o de algo que est\u00e1 escrito.&#8221; Lacan pergunta: &#8220;O que se pode esperar disso?&#8221; Ele ent\u00e3o sugere o procedimento cl\u00ednico da &#8220;ausculta, para tudo o que permanece vivo no corpo, o que resta de saber, aquele beb\u00ea, por que n\u00e3o, aquele olhar, aquele choro, aqueles uivos, latidos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfatizamos a necessidade de abrir espa\u00e7o para a escuta atenta daquilo que irrita, dos sons desarm\u00f4nicos, uma orienta\u00e7\u00e3o que nos permita discernir um ponto vivo do traum\u00e1tico em jogo. Sons, mais que palavras, &#8220;a greve da cultura&#8221;, conclui Lacan \u00a0no Semin\u00e1rio 17, sobre o poder dos imposs\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frase de Richard Strauss: &#8220;As palavras ressoam, mas os sons falam.&#8221; O significante asem\u00e2ntico. A sonoridade das palavras. <em>Lalangue<\/em>. O registro da resson\u00e2ncia como poder de impactar marca de forma mais imediata e genu\u00edna do que o sentido, dando origem \u00e0 express\u00e3o do inexprim\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.Promover a <em>infiltra\u00e7\u00e3o<\/em> lacaniana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma quest\u00e3o interessante para seguir trabalhando \u00e9 o lugar das Entrevistas cl\u00ednicas de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana hoje. Haveria um <em>aggiornamiento<\/em> das tradicionais Apresenta\u00e7\u00f5es de enfermos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9, sem d\u00favida, um dispositivo muito \u00fatil para a forma\u00e7\u00e3o de analistas e para a forma\u00e7\u00e3o de equipes de trabalho e, como nos disse nossa colega brasileira na Conversa\u00e7\u00e3o, tem efeitos subjetivos sobre aqueles que se apresentam para testemunhar. No in\u00edcio desta Rede, Fernanda Ottoni se perguntava se poder\u00edamos explicar uma certa &#8220;infiltra\u00e7\u00e3o&#8221; da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana nas institui\u00e7\u00f5es latino-americanas. Este dispositivo nos permite comprovar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3.Diferenciar o acidente do trauma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferenciar o acidente, o encontro, o evento traum\u00e1tico do trauma como lacuna nos permite orientar-nos na pr\u00e1tica. Abrir e privilegiar a fala do sujeito pode fazer emergir &#8220;o que choca&#8221;, &#8220;o que n\u00e3o funciona ou n\u00e3o encaixa&#8221;, &#8220;o que n\u00e3o faz sentido&#8221;, possibilitando a emerg\u00eancia do <em>parl\u00eatre<\/em> (que \u00e0s vezes chega na posi\u00e7\u00e3o de objeto) e suas marcas de gozo traum\u00e1tico, que, ao serem alojadas, interrogadas e elaboradas, podem afetar a posi\u00e7\u00e3o do sofredor preocupado com o que lhe acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma linha, verificamos a import\u00e2ncia da sintomatiza\u00e7\u00e3o do trauma. O que faz um acontecimento adquirir o valor de trauma? A presen\u00e7a do analista e sua a\u00e7\u00e3o s\u00e3o cruciais nessa rela\u00e7\u00e3o. O caso de Carolina Kohan, da PAUSA, por exemplo, transmite que o que foi traum\u00e1tico para um sujeito n\u00e3o foi um acidente em sua inf\u00e2ncia, no qual parte de sua fam\u00edlia morreu, mas uma opera\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em sua traqueia realizada para salvar sua vida. Um sintoma em sua voz revela isso. Rela\u00e7\u00e3o entre mito e trauma: \u201cO interessante sobre os mitos n\u00e3o \u00e9 se eles aconteceram ou n\u00e3o, mas sim que eles continuam acontecendo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>4.O insuport\u00e1vel para o sujeitoo \/ O insuport\u00e1vel para a institui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maneira de lidar com o insuport\u00e1vel se abre em duas dire\u00e7\u00f5es: o insuport\u00e1vel para o sujeito que chega a uma institui\u00e7\u00e3o ou \u00e9 para l\u00e1 levado, mas tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. Diversos casos demonstraram isso. Os efeitos da presen\u00e7a do analista se d\u00e3o no interior do sujeito, mas tamb\u00e9m, por vezes, afetam o profissional e a equipe de trabalho, subjugados pelo insuport\u00e1vel. O imprevisto, pr\u00f3prio do traumatismo, \u00e9 muito mais insuport\u00e1vel por ser contr\u00e1rio ao programa da ci\u00eancia, que costuma absorv\u00ea-lo, imprimindo-lhe consist\u00eancia,\u00a0 fazendo o sujeito falar de seu traumatismo a ponto de fazer dele sua hist\u00f3ria, instalando-o em uma vers\u00e3o de gozo obtida de seu fantasma. O fantasma se aloja, ent\u00e3o, no furo resultante do traumatismo, eternizando, no mesmo movimento, o real desvelado por ele. Ao sujeito s\u00f3 resta se congelar em um status de \u201ctraumatizado\u201d, v\u00edtima da conting\u00eancia. O traumatismo, ent\u00e3o, pode tomar-se um provedor de sentido, mas com um sentido \u00fanico, fixando o sujeito na armadilha de uma causalidade na qual ele submerge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.Como a psican\u00e1lise lida com o traum\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Fazendo falar, acolhendo os sonhos, podendo falar para contornar a aus\u00eancia traum\u00e1tica de uma perda irrepar\u00e1vel;<\/li>\n<li>Suportando a normaliza\u00e7\u00e3o do horror para abrigar o traum\u00e1tico na exce\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Sustentando o tempo de espera necess\u00e1rio, sob transfer\u00eancia, para que o significante que localiza o traum\u00e1tico possa, para al\u00e9m do sentido imposto pelo discurso do mestre institucional, querer dizer algo para o sujeito;<\/li>\n<li>Tratando o sentido pelo n\u00e3o-sentido, pela extra\u00e7\u00e3o dos significantes-mestres;<\/li>\n<li>Tratando do traum\u00e1tico da linguagem pela escrita formal do sintoma;<\/li>\n<li>Considerando que lidamos com sujeitos divididos entre efeito de significantes e objeto de gozo desse Outro do significante.<\/li>\n<li>Tomando dist\u00e2ncia entre os fatos traum\u00e1ticos em si mesmose os ditos do sujeito sobre o acontecimento \u201ctraum\u00e1tico\u201d;<\/li>\n<li>Abrir espa\u00e7o para a singularidade e a possibilidade de uma enuncia\u00e7\u00e3o pessoal sobre marcas traum\u00e1ticas;<\/li>\n<li>Diferenciando a catarse e a elabora\u00e7\u00e3o de um <em>sinthome.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li><strong> A fun\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise aplicada na institui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de se opor a uma concep\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria, \u00e0 exig\u00eancia do mestre do que seja uma urg\u00eancia, um luto, a normalidade ou uma fam\u00edlia, de que as coisas funcionem bem e que o sintoma n\u00e3o venha a criar obst\u00e1culo a isso, ou seja, seu est\u00edmulo a que se desenvolva o gozo dos sujeitos, ao inv\u00e9s de trat\u00e1-lo, uma exig\u00eancia de sentido baseada em evid\u00eancias que nutre o sintoma, opor-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de significantes para regrar seu mundo subjetivo. E dizer sim aos achados de cada sujeito, \u00e0 palavra justa para dizer o real com o qual est\u00e1 confrontado, porque esta pode constituir um ponto de ancoragem para o gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que recobrir o traumatismo com o sentido, trata-se, para os psicanalistas, de apostar no real desvelado pelo traumatismo, reconhecer o lugar de um imposs\u00edvel a dizer, apoiar-se nele a fim de abrir, de novo, o campo dos poss\u00edveis. Para retomar o que Lacan indicava em \u201cA psiquiatria inglesa e a guerra\u201d (Outros escritos, 1947), trata-se de &#8220;encontrar no pr\u00f3prio impasse de uma situa\u00e7\u00e3o a for\u00e7a viva da interven\u00e7\u00e3o&#8221;. Todo tratamento do traumatismo p\u00f5e em jogo uma n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o fundamental do sujeito com a linguagem. A entrada no mundo da linguagem j\u00e1 \u00e9 traum\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>COORDENA\u00c7\u00c3O DA RPA:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EBP: Isabel do R\u00eago Barros Duarte E Musso Greco.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EOL: Eugenia Serrano E Maria Laura Errecarte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NEL: Laura Arciniegas E Viviana Berger.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FALAR DO TRAUM\u00c1TICO Interlocu\u00e7\u00e3o com Ricardo Seldes Belo Horizonte, 4 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[127],"tags":[],"class_list":["post-7564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-informes-rpa-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7564"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7568,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7564\/revisions\/7568"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}