{"id":7702,"date":"2026-06-22T22:08:32","date_gmt":"2026-06-23T01:08:32","guid":{"rendered":"https:\/\/fapol.org\/?p=7702"},"modified":"2026-06-22T22:08:50","modified_gmt":"2026-06-23T01:08:50","slug":"a-erotica-do-tempo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/blog\/a-erotica-do-tempo-2\/","title":{"rendered":"A er\u00f3tica do tempo"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container has-pattern-background has-mask-background nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1248px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-image-element \" style=\"text-align:left;--awb-max-width:250px;--awb-caption-title-font-family:var(--h2_typography-font-family);--awb-caption-title-font-weight:var(--h2_typography-font-weight);--awb-caption-title-font-style:var(--h2_typography-font-style);--awb-caption-title-size:var(--h2_typography-font-size);--awb-caption-title-transform:var(--h2_typography-text-transform);--awb-caption-title-line-height:var(--h2_typography-line-height);--awb-caption-title-letter-spacing:var(--h2_typography-letter-spacing);\"><span class=\" fusion-imageframe imageframe-none imageframe-1 hover-type-none\"><img decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"500\" title=\"Ricardo Seldes\" src=\"https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ricardo-Seldes.jpg\" alt class=\"img-responsive wp-image-7689\" srcset=\"https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ricardo-Seldes-200x200.jpg 200w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ricardo-Seldes-400x400.jpg 400w, https:\/\/fapol.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ricardo-Seldes.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 500px\" \/><\/span><\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\"><strong>Ricardo Seldes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou a hora de uma nova permuta\u00e7\u00e3o na Fapol, enquanto \u00f3rg\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Jacques-Alain Miller fez circular, h\u00e1 alguns anos, no Brasil, o sintagma \u201ca er\u00f3tica do tempo\u201d, introduziu uma express\u00e3o cuja for\u00e7a permanece intacta. Porque para a psican\u00e1lise o tempo nunca foi cronol\u00f3gico, simplesmente. Nunca \u00e9 somente dura\u00e7\u00e3o, sucess\u00e3o ou medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos uma \u00e9poca dominada pela acelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um empuxo em dire\u00e7\u00e3o ao imediato: responder r\u00e1pido, concluir r\u00e1pido, compreender r\u00e1pido. Inclusive os algoritmos prometem hoje antecipar nossos desejos. O desejo nunca coincide completamente com essa l\u00f3gica de programa\u00e7\u00e3o, \u00e9 algo menos imediato, mais contradit\u00f3rio, contorna um dizer que foi despertado em seu deciframento e em sua constru\u00e7\u00e3o, geralmente \u00e1rduos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gozo e a urg\u00eancia se converteram no modo quase normal do v\u00ednculo social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo contempor\u00e2neo tende cada vez mais a se reduzir a um tempo de sincroniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a psican\u00e1lise introduz outra experi\u00eancia do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introduz uma tors\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na psican\u00e1lise \u00e9 preciso tempo, dizia Lacan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da palavra\u201d, Lacan se perguntava pela medida do tempo pr\u00f3prio do inconsciente. E para situar o problema evocava o rel\u00f3gio de Huygens e o nascimento do \u201cuniverso da precis\u00e3o\u201d. Destacava, inclusive, que o mal-estar do homem moderno n\u00e3o demonstrava precisamente que essa precis\u00e3o fosse um fator de libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A refer\u00eancia \u00e9 extraordin\u00e1ria e segue sendo completamente atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rel\u00f3gio de Huygens representa o ideal moderno de um tempo homog\u00eaneo, calcul\u00e1vel, sincroniz\u00e1vel. E o inconsciente n\u00e3o funciona assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inconsciente \u2013 diz Lacan \u2013 \u201cpede tempo para se revelar\u201d. E esse tempo n\u00e3o coincide com o tempo dos rel\u00f3gios, sua pr\u00e1tica com sess\u00f5es breves demonstra isso. Lacan vai formalizar mais tarde como uma pulsa\u00e7\u00e3o temporal de abertura e fechamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inconsciente n\u00e3o est\u00e1 sempre ali, dispon\u00edvel e transparente. Ele abre e se retrai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparece e desaparece. E essa temporalidade depende da transfer\u00eancia, de sua er\u00f3tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algum tempo trabalhei com colegas do Brasil algumas quest\u00f5es sob o t\u00edtulo \u201cA er\u00f3tica da interpreta\u00e7\u00e3o\u201d. Foi ent\u00e3o que descobri que n\u00e3o havia interpreta\u00e7\u00e3o sem uma tens\u00e3o entre espera e surpresa, entre saber e conting\u00eancia. Hoje afirmo que n\u00e3o existe interpreta\u00e7\u00e3o sem uma er\u00f3tica do tempo. Porque uma interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende somente do que se diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depende tamb\u00e9m do momento. Do instante oportuno. De uma espera. De um sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De algo contingente que irrompe. Al\u00e9m do mais, sabemos que a pr\u00f3pria transfer\u00eancia introduz um paradoxo temporal decisivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud j\u00e1 havia advertido que a transfer\u00eancia aparece, muitas vezes, precisamente ali onde algo do trabalho anal\u00edtico encontra uma resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe, ent\u00e3o, um tempo pr\u00f3prio da an\u00e1lise que n\u00e3o responde \u00e0 programa\u00e7\u00e3o e tampouco ao c\u00e1lculo. \u00c9 um tempo feito de encontros. \u00c0s vezes, basta uma palavra, um corte, um equ\u00edvoco, para produzir um despertar inesperado. N\u00e3o porque exista um saber t\u00e9cnico capaz de calcular perfeitamente os efeitos de uma interpreta\u00e7\u00e3o, mas justamente porque a an\u00e1lise opera em uma zona onde o saber encontra um limite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, coincidimos com a ideia de que a interpreta\u00e7\u00e3o introduz uma surpresa capaz de romper o t\u00e9dio repetitivo do Um. A er\u00f3tica do tempo toca, ent\u00e3o, essa dimens\u00e3o da conting\u00eancia, da <em>tych\u00e9<\/em>, do encontro n\u00e3o programado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E me parece que isto vale tanto para uma Escola como para uma Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma institui\u00e7\u00e3o anal\u00edtica n\u00e3o se sustenta por regulamentos, programas ou administra\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Sustenta-se por uma transfer\u00eancia de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso implica saber fazer com o tempo: com os tempos de elabora\u00e7\u00e3o, com os tempos de compreender, com os momentos de concluir e tamb\u00e9m, com as permuta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma permuta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente uma substitui\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem uma fun\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e tamb\u00e9m, \u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de relan\u00e7ar um desejo de trabalho sem cristaliz\u00e1-lo em identifica\u00e7\u00f5es fixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Federa\u00e7\u00e3o Americana de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana re\u00fane tr\u00eas Escolas com hist\u00f3rias, estilos e temporalidades diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez uma Federa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica n\u00e3o deva aspirar a funcionar como os rel\u00f3gios de Huygens porque n\u00e3o se trata de produzir uma sincroniza\u00e7\u00e3o perfeita entre as Escolas, nem de faz\u00ea-las oscilar no mesmo ritmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez esse seja o verdadeiro problema de uma Federa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica: como sustentar um trabalho comum sem apagar as desigualdades. Como fazer existir um la\u00e7o sem exigir homogeneidade. Como relan\u00e7ar um desejo de trabalho preservando as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos recentemente no trabalho realizado em torno do \u00faltimo ENAPOL, todos se lembram, na renova\u00e7\u00e3o das Redes e Observat\u00f3rios e tamb\u00e9m, na coloca\u00e7\u00e3o em marcha do REAL, que abriu novas condi\u00e7\u00f5es para a investiga\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica com sujeitos autistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, Fernanda Otoni mostrou como uma presid\u00eancia pode relan\u00e7ar, com decis\u00e3o e alegria, o la\u00e7o entre as Escolas e a interface com o Campo Freudiano, acompanhada por Gabriela Camaly, Mar\u00eda Hortensia C\u00e1rdenas e tantos colegas que, a cada vez que s\u00e3o convocados, fazem existir com seu trabalho cotidiano, esta experi\u00eancia singular que \u00e9 a FAPOL.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que essa experi\u00eancia nos ensinou algo muito simples e muito valioso: uma institui\u00e7\u00e3o anal\u00edtica permanece viva somente se conserva aberta certa rela\u00e7\u00e3o com a conting\u00eancia, com a inven\u00e7\u00e3o e com o desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma permuta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente uma substitui\u00e7\u00e3o administrativa. Tem tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e \u00e9tica. Introduz uma descontinuidade necess\u00e1ria para que o trabalho n\u00e3o fique capturado em identifica\u00e7\u00f5es fixas, nem em in\u00e9rcias institucionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja isso, afinal, a er\u00f3tica do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o o tempo da sincroniza\u00e7\u00e3o perfeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o o tempo da acelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o tempo necess\u00e1rio para que uma palavra encontre suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma \u00e9poca dominada pela acelera\u00e7\u00e3o e pela sincroniza\u00e7\u00e3o, a psican\u00e1lise continua apostando em outra temporalidade: a de uma palavra que dura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Damos as boas-vindas ao nova Bureau da FAPOL, a sua nova Presidenta, nossa amiga Gaby Camaly, \u00e0 querida Mar\u00eda Hortensia C\u00e1rdenas como vice e \u00e0 Elisa Alvarenga que soube estar \u00e0 frente da AMP Am\u00e9rica durante longos anos e ser\u00e1 agora a Secret\u00e1ria da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * * * * *<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que dizer de Fernanda Otoni que deixa a Presid\u00eancia de uma FAPOL renovada? Sou testemunha da transforma\u00e7\u00e3o efetiva que o Bureau produziu nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas seria injusto medir essa transforma\u00e7\u00e3o somente por suas realiza\u00e7\u00f5es. Fernanda n\u00e3o somente impulsionou uma profunda renova\u00e7\u00e3o institucional da Federa\u00e7\u00e3o; soube tamb\u00e9m imprimir um estilo. Um estilo feito de decis\u00e3o e delicadeza, de rigor e alegria, de trabalho sustentado, de bom gosto e de uma distin\u00e7\u00e3o que hoje reconhecemos como uma marca pr\u00f3pria da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que tiveram o privil\u00e9gio de acompanh\u00e1-la sabem o quanto a Federa\u00e7\u00e3o lhe deve por seu desejo de autenticidade, por sua generosidade e por sua capacidade para fazer existir o trabalho comum, respeitando as diferen\u00e7as de cada Escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora fica em nossas m\u00e3os fazer frutificar o que seu desejo soube colocar em marcha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Raquel Diaz Degenszajn<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Seldes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[146],"tags":[],"class_list":["post-7702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-permutacao-2026"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7702"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7704,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7702\/revisions\/7704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fapol.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}