CITAÇÕES:

“Como, apesar de que me esforço, é um fato que não sou mulher, não sei o que é que uma mulher conhece de um homem. É bem possível que isso vá muito longe, mas ainda assim não pode ir até o ponto de que uma mulher crie o homem. Mesmo quando se trata de seus filhos. Trata-se aí de um parasitismo – no útero da mulher a criança é parasita, tudo o indica, até pelo fato de que isso pode funcionar muito mal, entre esse parasita e esse ventre”.

Lacan, J., O Seminário, Livro XXIV, L’insu que sait de l’une bévue s’aile à mourre, lição de 16 de novembro de 1976, Opção Lacaniana, n.º 28, julho de 2000, p. 7.

“… a mãe não é suficientemente boa – retomando a expressão de Winnicott – quando apenas veicula a autoridade do Nome-do-Pai. É preciso, ainda, que a criança não sature, para a mãe, a falta em que se apoia o seu desejo. O que isso quer dizer? Que a mãe só é suficientemente boa se não o é em demasia, se os cuidados que ela dispensa à criança não a desviam de desejar enquanto mulher. Quer dizer – empregando os termos utilizados por Lacan em seu escrito ‘A significação do falo’ – que a função do pai não é suficiente; é preciso, ainda, que a mãe não esteja dissuadida de encontrar o significante de seu desejo no corpo de um homem”.

Miller, J.-A., “A criança entre a mulher e a mãe”, Opção Lacaniana on line, nova série, n.º 15, nov. 2014, p. 2-3.