A Rede de Psicanálise Aplicada foi criada pela Diretoria da FAPOL em 2016, com o apoio de J.-A. Miller e Miquel Bassols, então presidente da WAP. Ela reúne psicanalistas das três escolas da América – EOL, EBP e NEL –, com um coordenador de cada uma delas.

O objetivo desta Rede é registrar e documentar as experiências, os desafios e os efeitos da Psicanálise de orientação lacaniana nos diversos contextos em que colegas das três escolas atuam, guiados pelos princípios, doutrina e ética da psicanálise. Para tanto, busca estabelecer um diálogo contínuo sobre a experiência analítica com aqueles que a praticam em instituições.

Partindo da observação de que a questão de “o que constitui o trauma” é central não apenas para a doutrina psicanalítica, mas também para o cerne de sua dimensão clínica e perspectiva política, a nova coordenação da RPA escolheu FALAR O TRAUMÁTICO como tema de pesquisa para o período 2025/2026, convidando praticantes vinculados às três escolas latino-americanas (EBP, EOL e NEL) a explorar esse paradoxo da psicanálise: falar do indizível. As questões propostas para incentivar a apresentação de trabalhos clínicos para os conversações que se realizaram foram:

– Como aqueles que procuram instituições da rede de psicanálise aplicada com sua dor existencial falam do traumático?

– Como os profissionais que recebem esas demandas falam do traumático?

– Como se aborda atualmente o traumático nos dispositivos de atenção orientados pela psicanálise lacaniana?

– Como nos deixarmos ensinar pelo saber novo que encontramos em cada caso clínico?

Entendemos, com a psicanálise, que uma rede se forma pela circulação de casos clínicos. Nossa aposta tem sido a de nos deixarmos ensinar pelos casos clínicos, em um espaço de conversação permanente, orientados pela questão FALAR O TRAUMÁTICO  ao longo de um período, com o desejo de fazer e consolidar um trabalho em rede. Privilegiar o caso e o que ele nos ensina nos permitiu investigar e refletir sobre o que fazemos e como fazemos, a fim de infiltrar e estabelecer algo do discurso analítico nos mais variados e singulares contextos institucionais, dando lugar ao dizer do sujeito e à sua singularidade. Isso não ocorre sem o desejo do analista, que permite ao praticante se orientar e saber manobrar com o discurso do mestre (seus ideais de fazer o bem, adaptar-se, curar, avaliar, diagnosticar…), inclusive de servir-se dele para abrir um espaço, identificando a abertura por onde a entrada se torna possível.

Para tanto, fazemos uma aposta no dispositivo da conversação. Nosso convite nessas conversações é identificar onde um caso clínico nos surpreende, aqueles pontos de lacuna, de descontinuidade, que por vezes implicam um efeito formativo para o analista.