CONVOCATÓRIA 2026
REDE DE PSICANÁLISE APLICADA

Dar lugar ao mal-entendido
Para a psicanálise, o mal-entendido não é um obstáculo nem uma falha de comunicação a ser eliminada, mas um efeito próprio da linguagem constituinte da própria condição do parlêtre. É justamente nesse intervalo, onde as palavras não coincidem plenamente com o que pretendem dizer, que a psicanálise encontra sua possibilidade de operação.
Na contemporaneidade, onde impera a pressa por respostas pragmáticas e a padronização de condutas, observamos um particular e preocupante empuxo à rejeição do mal-entendido − isto é, ao inconsciente.
Neste contexto, a Rede de Psicanálise Aplicada (RPA) propõe “Dar lugar ao mal-entendido” como eixo de investigação para o próximo período de trabalho 2026-2028. Trata-se de sustentar um espaço em que a discordância, o equívoco e o desencontro entre palavras, corpos e modos de gozo não sejam reduzidos a um ruído a ser corrigido, mas acolhidos como vias de acesso ao inconsciente e à singularidade de cada sujeito.
A questão que colocamos é: Como fazer existir essa orientação na prática institucional contemporânea? Como dar lugar ao mal-entendido nos dispositivos de urgência, onde o tempo impõe respostas imediatas? Como sustentá-lo na clínica cotidiana e nas intervenções realizadas no espaço da cidade? Como preservar esse lugar quando prevalecem a burocratização da saúde mental, os protocolos universalizantes e os discursos que visam apagar o sintoma em nome da adaptação?
A aposta da RPA é que a psicanálise aplicada não renuncia à sua ética quando se insere nas instituições. Pelo contrário, é precisamente nesses contextos que se torna decisivo sustentar um espaço para aquilo que escapa à comunicação transparente, à classificação e à normalização. Dar lugar ao mal-entendido é fazer existir uma prática que resiste à lógica da homogeneização, abrindo espaço para o surgimento do inesperado, da invenção singular e de novas formas de laço social.
Convidamos todos a participar, inicialmente, enviando textos sobre casos clínicos que tragam impasses, obstáculos ou questionamentos sobre a prática da psicanálise aplicada, com foco no mal-entendido. Os casos devem ser produzidos a partir da discussão pela equipe da instituição ou por cartéis e ter no máximo 6.000 caracteres (com espaços incluídos). Selecionaremos seis textos para estimular as próximas conversas, nas quais buscaremos analisar os efeitos proveitosos de gerar mal-entendidos em relação a um sujeito, seu sofrimento e suas invenções, mas também para a psicanálise como discurso, prática e ética no contexto de sua época.
Nossa próxima Conversação (virtual): 31 de outubro de 2026, às 11h (ARG/BR/CH) 10h (VE/BO) 9h (CO, PE, EC, CU) 8h (MX, GT)
Responsáveis:
- Iordan Gurgel e Musso Greco (EBP)
- Maria Laura Errecarte e Soledad Arrieta (EOL)
- Fabiana Chirino e Viviana Berger (NEL)
FALAR DO TRAUMÁTICO
INSTALAÇÕES ANALÍTICAS I
INSTALAÇÕES ANALÍTICAS II
- Programa “INSTALAÇÕES ANALÍTICAS II”
- Ata da Conversação – “INSTALAÇÕES ANALÍTICAS II”
- Entre o caso clínico e o administrativo, a orientação pelo sintoma – Lilibeth García, Roberto Galván e Mackling Limache.
- O sintoma como orientador do caso clínico numa instituição – Patrícia Guimarães
- Rede de Psicanálise Aplicada – “O sintoma e o Inconsciente hoje” Que lugar para o sintoma na prática clínica que levamos hoje nas instituições? Como fazemos existir o inconsciente? E a transferência? – Gustavo Moreno – CIPAU (Mendoza – Argentina)
- “A disciplina da psicanálise é uma disciplina do real.” – Fernanda Otoni Brisset (EBP/AMP)